A desenvolvedora de projetos de energia geotérmica Fervo Energy anunciou nesta semana que garantiu R$ 421 milhões em financiamento para cobrir os custos da primeira fase de seu grande projeto geotérmico em Utah, nos Estados Unidos. Segundo informações do ESG Today, a empresa foi fundada em 2017 na cidade de Houston, Texas, e foca no desenvolvimento de sistemas geotérmicos aprimorados (EGS) para oferecer energia sem emissão de carbono.
Utilizando técnicas como perfuração horizontal e sensores ópticos distribuídos, a Fervo Energy transforma reservatórios de rochas quentes nas profundezas da terra em fontes de energia limpa. Embora o Brasil tenha sua matriz elétrica fortemente apoiada em fontes renováveis tradicionais, como as hidrelétricas, eólicas e solares, o sucesso comercial de novas tecnologias EGS no exterior serve de termômetro global para a diversificação energética com fontes contínuas e limpas. O novo financiamento apoiará a primeira fase do desenvolvimento da Cape Station, localizada no condado de Beaver, em Utah. Espera-se que o projeto comece a fornecer energia à rede em 2026, atingindo cerca de 100 MW de capacidade até o início de 2027, com planos de expansão para 500 MW.
Quem financiou a iniciativa da Fervo Energy?
O pacote de financiamento inclui um empréstimo de construção para prazo de R$ 309 milhões, um empréstimo ponte de crédito fiscal de R$ 61 milhões e uma carta de crédito de R$ 51 milhões. O RBC Capital Markets atuou como organizador líder coordenador, ao lado de Barclays, BBVA, HSBC, MUFG e Société Générale. JP Morgan, Bank of America e Sumitomo Mitsui Trust Bank também participam do financiamento.
Qual é a importância do projeto Cape Station?
A Cape Station é totalmente contratada através de acordos de compra de energia com a Southern California Edison, Shell Energy e agregadores de escolha comunitária. A Fervo já havia anunciado um financiamento de R$ 200 milhões para o projeto no ano passado, em junho de 2025.
O diretor financeiro da Fervo, David Ulrey, afirmou que “o financiamento sem recurso tem sido historicamente considerado inalcançável para projetos inéditos. O Cape Station quebra essa narrativa”. Segundo Sean Pollock, diretor administrativo de Finanças de Projetos no RBC Capital Markets, “com a aceleração da demanda por energia firme, limpa e acessível, o EGS está se posicionando como uma classe de ativo central para credores de infraestrutura”.
A Fervo Energy, inovando com tecnologia de petróleo e gás comprovada, junto com perfuração e exploração habilitadas por inteligência artificial, demonstrou que os sistemas geotérmicos são uma classe de ativos financeiramente viável.
