O FBI abriu uma investigação sobre mortes e desaparecimentos de ao menos 11 cientistas e pesquisadores dos Estados Unidos com vínculos com a NASA, programas nucleares e projetos de defesa espacial associados à SpaceX e à Blue Origin. O caso ganhou novo impulso na segunda-feira, quando o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes cobrou explicações formais de quatro órgãos federais e pediu briefings técnicos até 27 de abril. De acordo com informações da Fortune, os episódios remontam a 2022 e passaram a ser tratados como possível questão de segurança nacional.
Os presidentes do comitê, James Comer, e da Subcomissão de Crescimento Econômico, Política Energética e Assuntos Regulatórios, Eric Burlison, enviaram cartas ao diretor do FBI, Kash Patel, ao secretário de Energia, Chris Wright, ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, e ao administrador da NASA, Jared Isaacman. Nos documentos, os parlamentares afirmam que, se os relatos estiverem corretos, as mortes e desaparecimentos podem representar uma ameaça grave à segurança nacional dos Estados Unidos e ao pessoal com acesso a segredos científicos.
O que motivou a cobrança do Congresso dos Estados Unidos?
Segundo a reportagem, Comer declarou que a sequência de casos dificilmente seria coincidência. Ele disse que os parlamentares tentam reunir elementos que possam esclarecer o que está acontecendo e identificar eventuais conexões ausentes entre os episódios. A Casa Branca também reconheceu publicamente o padrão em 15 de abril, quando a secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou, durante um briefing, que o tema seria algo digno de apuração caso os fatos fossem confirmados.
Mais tarde, o presidente Donald Trump disse a jornalistas que esperava obter respostas em cerca de uma semana e meia e classificou o assunto como sério. Em publicação posterior na rede X, Leavitt informou que o governo estava trabalhando ativamente com os órgãos relevantes e com o FBI para revisar os casos em conjunto e buscar eventuais pontos em comum. No domingo, Kash Patel confirmou à Fox News que o FBI investiga formalmente se há ligações com acesso a informações sigilosas ou com atores estrangeiros.
“We’re going to look for connections,” he told Fox News, “on whether there are connections to classified access, access to classified information, and or foreign actors.”
Em nota à Fortune, o FBI declarou que lidera o esforço para procurar conexões entre os cientistas desaparecidos e mortos. A NASA, por sua vez, direcionou a publicação para sua primeira manifestação oficial sobre o caso, em postagem na rede X, na qual afirmou que está coordenando e cooperando com os órgãos competentes e que, até o momento, nada relacionado à agência indica uma ameaça à segurança nacional.
Qual é a relação com NASA, SpaceX e Blue Origin?
As cartas do comitê se concentram em vínculos com a NASA e pesquisas nucleares, mas a reportagem situa o caso também no contexto mais amplo da indústria comercial de defesa espacial. O texto afirma que esse grupo de especialistas é restrito, com apenas algumas centenas de cientistas atuando em caracterização de asteroides, modelagem de deflexão e detecção espacial.
A Fortune informa que a Blue Origin apresentou em março de 2026 o conceito de defesa planetária NEO Hunter, desenvolvido em parceria com o Jet Propulsion Laboratory e o Caltech, com base na plataforma Blue Ring. A publicação também relata que a Space Force concedeu à SpaceX quase US$ 6 bilhões e à Blue Origin cerca de US$ 2,3 bilhões em contratos de lançamentos de segurança nacional em abril de 2025. A SpaceX também é citada como contratada para a constelação de satélites de defesa antimísseis Golden Dome, enquanto a Blue Origin teria sido incluída no contrato SHIELD, avaliado em US$ 151 bilhões, por meio da Missile Defense Agency.
O texto acrescenta que Jared Isaacman, administrador da NASA e um dos destinatários das cartas, tem defendido a ampliação da privatização de missões antes administradas por órgãos públicos. A reportagem diz ainda que nem SpaceX nem Blue Origin responderam aos pedidos de comentário da Fortune.
Quais casos foram citados na investigação?
Entre os episódios mencionados estão os desaparecimentos de Monica Reza, engenheira da Aerojet Rocketdyne e do JPL, e do major-general aposentado da Força Aérea William Neil McCasland. Segundo as cartas, ambos trabalharam juntos em um programa de pesquisa financiado pela Força Aérea no início dos anos 2000 sobre materiais avançados para veículos espaciais reutilizáveis e armas. Reza desapareceu em junho de 2025 durante uma trilha na Angeles Crest Highway e não foi encontrada. McCasland desapareceu em 27 de fevereiro deste ano de sua casa em Albuquerque.
A reportagem também menciona a morte de Frank Maiwald, cientista principal do JPL, em 4 de julho de 2024, sem causa divulgada; o desaparecimento de Steven Garcia, contratado do governo que supervisionava ativos de armas nucleares no Kansas City National Security Campus; a morte de Michael Hicks, ex-funcionário do JPL; e a morte de Carl Grillmair, astrofísico do Caltech, encontrado morto a tiros em sua varanda na Califórnia.
- Os casos citados se estendem de 2022 a 2026.
- As instituições mencionadas incluem JPL, Los Alamos National Laboratory, MIT, Caltech e Kansas City National Security Campus.
- Também aparecem os nomes de Anthony Chavez, Melissa Casias e Jason Thomas entre desaparecidos ou mortos citados pela reportagem.
Ao final, a Fortune registra que um ex-colega de uma das vítimas disse à Newsweek que a concentração de mortes e desaparecimentos em um campo tão pequeno e especializado foge da probabilidade comum. O cientista Joe Masiero, do California Institute of Technology, afirmou à publicação:
“It’s really unfortunate to see a tragedy played out over and over again.”
Até o momento, a reportagem não aponta conclusão oficial sobre as causas dos casos nem estabelece responsabilidade criminal. O que existe, segundo o texto, é uma investigação em andamento conduzida pelo FBI, com participação de agências federais e pressão crescente do Congresso por respostas.