A China formalizou um protesto contra a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi por sua visita ao Santuário Yasukuni, em Tóquio, em 21 de abril. A ação, que incluía o envio de oferendas como parte de rituais xintoístas, foi classificada como uma “provocação” por Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês. Segundo informações da Revista Fórum, a China vê essa atitude como uma “profanação da justiça histórica”.
O Santuário Yasukuni é um local controverso, já que mantém registros de mais de 2,5 milhões de mortos em guerras japonesas, incluindo catorze criminosos de guerra da Classe A condenados após a Segunda Guerra Mundial. Desde 1985, visitas de autoridades japonesas ao santuário têm gerado protestos de China, Coreias e Taiwan.
Qual é o significado do Santuário Yasukuni?
O Santuário Yasukuni foi erguido em 1869 a pedido do imperador Meiji e atualmente abriga um museu de guerra. Com cerca de oito milhões de visitantes anuais, o local é visto como um símbolo do militarismo japonês, responsável por atos de colonialismo e crimes contra a humanidade na primeira metade do século XX. A visita de autoridades japonesas ao santuário é interpretada como uma tentativa do Japão de minimizar sua culpa histórica.
Como a China reagiu à visita da primeira-ministra Takaichi?
Guo Jiakun destacou que 2026 marca o 80º aniversário dos Julgamentos de Tóquio e que é “revoltante” o santuário ainda honrar criminosos de guerra japoneses. Ele afirmou que essas ações são uma tentativa do Japão de “desafiar os frutos da vitória na Segunda Guerra Mundial” e foram universalmente condenadas pela comunidade internacional.
Quais são as implicações políticas da visita de Sanae Takaichi?
O ato de Sanae Takaichi ocorre em um contexto de crescente retórica de extrema direita no Japão, que busca suavizar capítulo sombrios do passado. O ex-ministro da Defesa japonês, Itsunori Onodera, sugeriu rever a doutrina nuclear do Japão, o que contraria os “três princípios não nucleares” adotados desde o pós-guerra.
A própria Takaichi já manifestou simpatia por Taiwan em um potencial conflito com a China. Em resposta, a China reafirmou que “Taiwan é uma parte inalienável do território chinês” e alertou que o desenvolvimento de armas nucleares pelo Japão traria “desastre ao mundo”.