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Falha no foguete H3 da JAXA foi ligada a adesivo enfraquecido na fabricação

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A JAXA, agência espacial do Japão, afirmou que a falha na missão de lançamento de um satélite em dezembro de 2025 com o foguete H3 foi causada por um problema de fabricação em um componente que sustentava a carga útil. A análise foi apresentada ao Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão no dia 13 de abril de 2026 e aponta que variações de temperatura durante a produção enfraqueceram o adesivo usado na peça, comprometendo o desempenho do veículo no voo e levando à perda do satélite de navegação.

De acordo com informações do The Register, o segundo estágio do H3 acendeu com atraso e foi desligado antes do previsto, o que levou a JAXA a abortar a missão. A investigação agora indica que o defeito começou antes mesmo do lançamento, no processo de fabricação de uma estrutura responsável por manter o satélite no lugar.

Como a falha no adesivo afetou o foguete H3?

Segundo a análise apresentada pela agência, temperaturas acima do esperado durante a fabricação enfraqueceram o adesivo que conectava camadas do componente. Quando a coifa do H3 se abriu, essa fragilidade fez com que a peça sofresse delaminação e deixasse de suportar adequadamente o peso do satélite.

Com isso, a carga útil passou a se mover de maneira inesperada. Um dos efeitos desse deslocamento foi a ruptura de uma tubulação de combustível do segundo estágio, o que, de acordo com a explicação da JAXA, ajuda a entender por que a ignição aconteceu mais tarde do que o previsto.

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Por que o problema só apareceu nessa missão?

A JAXA avalia que a falha só se tornou evidente nessa missão porque a carga transportada era incomumente pesada. Esse fator teria ampliado o impacto da perda de resistência do componente, até então não detectada nos processos anteriores.

A agência informou que pretende revisar os procedimentos de fabricação e considera também alterar o projeto do H3 para evitar que problemas semelhantes voltem a ocorrer. A conclusão reforça como pequenas variações em materiais e processos podem produzir consequências relevantes em missões espaciais.

O que a investigação revela sobre a complexidade dessas missões?

O relatório citado pela reportagem menciona diversas fontes de telemetria produzidas pelo foguete e aponta pequenas anomalias momentâneas como evidência para a hipótese ligada ao adesivo. A reconstrução do incidente, portanto, se baseia em sinais técnicos sutis observados ao longo da missão.

Entre os principais pontos descritos na análise estão:

  • temperaturas de fabricação acima do esperado;
  • enfraquecimento do adesivo em um componente estrutural;
  • delaminação após a abertura da coifa;
  • movimento inesperado do satélite;
  • ruptura de uma tubulação de combustível do segundo estágio.

O H3 é descrito pela JAXA como o lançador japonês de nova geração para cargas de média capacidade. A agência espera que o foguete se torne uma base de seu programa de lançamentos comerciais e também sirva a futuras missões científicas.

A reportagem destaca ainda que a agência espacial japonesa acumula êxitos importantes, como o retorno de amostras coletadas em dois asteroides e várias missões à Estação Espacial Internacional. Nesse contexto, o episódio com o H3 é tratado como um revés técnico relevante, mas também como um caso de aprendizado sobre os riscos e a precisão exigida na engenharia espacial.

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