A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, criticou os novos limites definidos pelo Supremo Tribunal Federal para o pagamento de benefícios a magistrados, durante a 8ª sessão ordinária da Corte, realizada em 9 de abril. Na fala, a magistrada afirmou que a categoria estaria sendo tratada como vilã e disse que, “daqui a pouco”, juízes e desembargadores estarão “no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”. De acordo com informações da Revista Fórum, dados do Portal da Transparência do TJPA mostram que ela teve salário médio líquido mensal de aproximadamente R$ 85 mil em 2025 e recebeu mais de R$ 614 mil brutos em dezembro de 2023.
As declarações ocorreram em meio ao debate sobre remuneração no Judiciário, após as regras aprovadas pelo STF em março estabelecerem limite de 35% do teto constitucional para verbas remuneratórias adicionais. No discurso, Eva do Amaral Coelho pediu desculpas aos colegas e afirmou que fazia um “desabafo sobre uma situação muito triste”, sustentando que a imagem da magistratura teria sido invertida perante a sociedade.
O que a desembargadora disse na sessão do TJPA?
Segundo o relato publicado pela fonte, a magistrada afirmou que foram criadas narrativas que retratam juízes como pessoas sem escrúpulos, interessadas em “ganhar muito sem fazer nada”. Ela disse ainda que magistrados passaram de defensores de direitos a “vilões da história”.
“Hoje nós passamos de cidadãos que zelam pela proteção dos direitos para vilões da história. Nós somos os bandidos agora.”
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Ao comentar as críticas dirigidas aos benefícios pagos à magistratura, Eva contestou o uso da palavra “penduricalho” e disse que a expressão teria sido usada de forma ofensiva contra a categoria. Também afirmou que a pressão já afeta integrantes da carreira e declarou que, quanto mais os magistrados tentam se defender, mais seriam “execrados”.
“Dizer que o juiz não trabalha e que persegue verbas e mais verbas e mais verbas, como um privilégio, um penduricalho, uma expressão tão chula e tão vagabunda que jogaram em cima da magistratura que hoje a gente vive com uma tensão enorme.”
Quais valores aparecem nos dados de remuneração?
De acordo com os dados citados na reportagem, Eva do Amaral Coelho recebeu, em março de 2026, remuneração bruta total de R$ 91.211,82. O levantamento também aponta que, em 2025, a magistrada teve salário médio líquido mensal de aproximadamente R$ 85 mil.
O texto informa ainda que houve picos de remuneração. Em dezembro de 2023, a desembargadora recebeu salário bruto superior a R$ 614 mil, com cerca de R$ 499 mil líquidos, valor que, segundo a publicação, foi impulsionado por gratificações e vantagens eventuais.
- Março de 2026: R$ 91.211,82 de remuneração bruta total
- Em 2025: média líquida mensal de aproximadamente R$ 85 mil
- Dezembro de 2023: mais de R$ 614 mil brutos e cerca de R$ 499 mil líquidos
Como a remuneração é composta e qual foi a mudança do STF?
Segundo a reportagem, os rendimentos incluem o subsídio base do cargo, fixado em R$ 41.845,48, além de verbas adicionais, como auxílios, vantagens pessoais e indenizações. Esses pagamentos extras são frequentemente chamados, no debate público, de “penduricalhos”.
As declarações da desembargadora ocorrem no contexto das novas regras estabelecidas pelo STF, que passaram a limitar verbas remuneratórias adicionais a 35% do teto constitucional. A medida, de acordo com o texto original, intensificou a discussão sobre os ganhos da magistratura e a reação de integrantes do Judiciário às restrições.
Na sessão mencionada pela reportagem, Eva também afirmou que a população não conhece a rotina de trabalho de juízes e desembargadores, citando horas extras e sacrifício de fins de semana. Na avaliação dela, esse cenário poderia ter reflexos no acesso da população à Justiça.