Os Estados Unidos suspenderam por cinco dias os ataques à infraestrutura energética do Irã, segundo declaração do presidente Donald Trump nesta segunda-feira, 23 de março de 2026. A medida foi anunciada em meio à escalada das hostilidades no Oriente Médio, após Trump afirmar que houve conversas “muito boas e produtivas” com o governo iraniano. Já Teerã nega qualquer contato com o presidente norte-americano e sustenta que o recuo ocorreu após ameaças de retaliação contra usinas de energia na Ásia Ocidental. De acordo com informações da Agência Brasil, o anúncio foi feito por Trump em rede social e contestado por uma fonte iraniana ouvida pela Press TV. Para o público brasileiro, a notícia é relevante porque o Irã fica no entorno do Golfo Pérsico, região estratégica para o mercado global de petróleo, e novas tensões no Estreito de Ormuz costumam repercutir nos preços internacionais da energia e no câmbio.
Segundo Trump, a ordem ao Departamento de Guerra foi para adiar “todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas” por cinco dias, condicionando a decisão ao andamento das reuniões e discussões que, segundo ele, continuarão ao longo da semana. O presidente norte-americano associou a suspensão ao conteúdo e ao tom das conversas que classificou como aprofundadas, detalhadas e construtivas.
“Com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento”
O que Trump disse sobre a suspensão dos ataques?
O anúncio ocorre depois de um ultimato feito no sábado, 21 de março, quando Trump disse que o Irã teria 48 horas para abrir o Estreito de Ormuz. A passagem marítima liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das rotas mais importantes do comércio mundial de petróleo. Caso contrário, os Estados Unidos atacariam “suas diversas usinas elétricas, começando pela maior”. A reportagem destaca que ataques à infraestrutura civil são proibidos pelo direito internacional, e as redes elétricas são consideradas infraestrutura civil.
A versão apresentada por Teerã é diferente. Uma fonte iraniana informou à agência estatal Press TV que não houve contato, direto ou indireto, com Trump. De acordo com essa fonte, o presidente dos Estados Unidos teria recuado depois de ser avisado de que o Irã responderia com ataques a usinas de energia em toda a Ásia Ocidental.
Qual foi a reação do Irã às ameaças dos EUA?
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, conhecido pela sigla IRGC, divulgou comunicado no domingo, 22 de março, afirmando que, até aquele momento, Estados Unidos e Israel haviam atacado cinco instalações de infraestrutura hídrica, entre elas a usina de dessalinização da Ilha de Qeshm. O IRGC é uma das principais forças militares e de segurança do Irã, com influência central na política de defesa do país. No informe, o grupo cita ataques a hospitais, centros de assistência e escolas.
“Vocês atacaram nossos hospitais. Nós não revidamos. Vocês atacaram nossos centros de assistência. Não revidamos. Atacaram nossas escolas. Não revidamos”
A Guarda Revolucionária também afirmou que, se os Estados Unidos atacarem a cadeia de suprimentos de eletricidade, haverá resposta contra a cadeia de suprimentos de eletricidade norte-americana. O comunicado ainda diz que empresas de energia na região com acionistas dos EUA seriam destruídas e que centrais elétricas de países que abrigam bases americanas seriam consideradas alvos.
- Trump anunciou suspensão de ataques por cinco dias.
- O governo iraniano nega ter mantido conversas com o presidente dos EUA.
- O ultimato anterior envolvia a abertura do Estreito de Ormuz em 48 horas.
- A Guarda Revolucionária ameaçou responder a ataques contra a infraestrutura elétrica.
Como o impasse afeta a crise no Oriente Médio?
O episódio amplia a tensão regional ao envolver diretamente infraestrutura energética e instalações civis, em um cenário já marcado por ataques e ameaças cruzadas. Enquanto Trump fala em possibilidade de resolução das hostilidades, a posição iraniana indica que não houve negociação com Washington e que a mudança de postura dos Estados Unidos decorreu de cálculo militar diante da perspectiva de retaliação.
Com isso, a suspensão anunciada por Trump passa a ter leituras opostas: para a Casa Branca, trata-se de uma pausa vinculada a conversas em curso; para o lado iraniano, é um recuo provocado por ameaça de resposta.
