EUA avaliam cessar-fogo ou invasão terrestre após um mês de guerra com Irã - Brasileira.News
Início Internacional Oriente Médio EUA avaliam cessar-fogo ou invasão terrestre após um mês de guerra com...

EUA avaliam cessar-fogo ou invasão terrestre após um mês de guerra com Irã

0
9
Soldados americanos em zona de conflito observam um horizonte empoeirado com escombros de construções ao fundo.
Foto: Ensie & Matthias / flickr (by-sa)

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã completa um mês neste 28 de março de 2026, após a ofensiva lançada em 28 de fevereiro que, segundo o texto original, matou o aiatolá Ali Khamenei e ampliou a guerra para outros países do Oriente Médio. Agora, o cenário se divide entre duas possibilidades centrais: a negociação de um cessar-fogo ou o avanço para uma invasão terrestre do território iraniano, em meio à escalada militar, ao impacto sobre o mercado de petróleo e às tentativas diplomáticas de Washington.

De acordo com informações do g1 Mundo, a guerra começou durante negociações entre EUA e Irã sobre limites para os mísseis iranianos e o encerramento do programa nuclear do país. Washington afirma que Teerã estava perto de desenvolver uma arma nuclear e um míssil capaz de atingir os americanos, enquanto o Irã acusa os rivais de atingirem também alvos civis.

Segundo a reportagem, os ataques iniciais dos EUA e de Israel se concentraram em infraestruturas militares e integrantes da alta cúpula iraniana. Em resposta, Teerã lançou mísseis contra alvos israelenses e bases militares americanas no Oriente Médio, ampliando o conflito para países como Catar, Arábia Saudita e Kuwait. Também houve ataques contra estruturas de energia, em uma frente que elevou a tensão regional e agravou os efeitos econômicos globais. Para o Brasil, a principal consequência imediata de uma alta do petróleo costuma aparecer nos custos de combustíveis e fretes, além de pressionar a inflação; diplomaticamente, o Itamaraty tradicionalmente defende saídas negociadas em crises no Oriente Médio.

Por que a guerra passou a pressionar a economia global?

O texto relata que a guerra provocou forte impacto no mercado internacional, principalmente por causa da alta do petróleo. Parte do Estreito de Ormuz foi fechada pelo Irã, afetando uma rota estratégica para o comércio global de petróleo, por onde passa cerca de um quinto da exportação mundial. Com isso, o barril de petróleo superou US$ 100 e alcançou o maior valor em quase quatro anos.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

No caso brasileiro, oscilações internacionais do petróleo são acompanhadas de perto porque influenciam o mercado de combustíveis e os custos da cadeia logística, com efeitos sobre transporte de cargas e preços ao consumidor. Diante dessa pressão, a Casa Branca passou a indicar que a guerra teria duração limitada, de no máximo seis semanas. Em 20 de março, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estavam próximos de atingir seus objetivos militares no conflito. Na última semana, Washington confirmou o envio ao Irã de um plano de 15 pontos para encerrar a guerra, ao mesmo tempo em que surgiram relatos sobre preparação para ampliar a presença militar na região.

Quais sinais apontam para uma possível invasão terrestre?

Até aqui, os Estados Unidos têm atuado com operações aéreas e navais, apoiadas por porta-aviões, navios de guerra e bases militares no Oriente Médio. Ainda assim, a reportagem informa que a Casa Branca avalia uma eventual operação terrestre. Entre as hipóteses citadas estão a tomada da ilha de Kharg, apontada no texto como responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã, e o envio de tropas à costa iraniana para reforçar a segurança no Estreito de Ormuz.

Na quinta-feira, 26 de março, o The Wall Street Journal informou que o governo Trump analisava enviar mais 10 mil soldados para atuar como forças terrestres na região. Esse contingente seria somado aos cerca de 50 mil militares já posicionados no Oriente Médio, além de fuzileiros navais e paraquedistas mobilizados recentemente. A movimentação incluiria ainda navios com capacidade para operações anfíbias, transporte de tropas, desembarque de blindados e apoio logístico.

Questionado sobre o envio de tropas ao Irã, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que não poderia comentar estratégias militares. Ao mesmo tempo, afirmou que o país pode alcançar seus objetivos sem uma operação terrestre. Trump, por sua vez, já declarou que não pretende enviar tropas “para lugar nenhum”, embora tenha dito que, se tomasse essa decisão, não a anteciparia à imprensa.

O que dizem os especialistas sobre o risco de escalada?

O mestre em Relações Internacionais Uriã Fancelli afirmou que uma operação terrestre pode abrir caminho para um conflito mais longo, com mais mortes e maior impacto econômico. Segundo ele, Trump pode tanto encerrar a ofensiva rapidamente quanto intensificar a guerra.

“Obviamente, quando se trata de Donald Trump, tudo pode mudar de repente. Ele pode simplesmente decidir que já fez o suficiente, declarar vitória e vender a ideia de que enfraqueceu militarmente o Irã, destruiu as forças marítimas do país e matou Ali Khamenei”, diz.

Fancelli também avaliou que o presidente americano pode usar a negociação como forma de ganhar tempo para fortalecer sua posição militar.

“Quando ele dá ultimatos ao regime e ameaça atacar a infraestrutura de energia caso não aceite as demandas norte-americanas, isso parece mais uma forma de construir uma narrativa para depois dizer que tentou negociar, enquanto ganhava tempo para se posicionar melhor”, diz.

“E é aí que entra o risco de uma escalada maior. Por mais que o governo americano se vanglorie de ter reduzido o poder ofensivo iraniano, as tropas ficariam vulneráveis a mísseis, drones e minas.”

Já Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo Iuperj e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, disse que os objetivos dos Estados Unidos na guerra estão confusos e que o Irã tem conseguido demonstrar resistência.

“O Irã está conseguindo mostrar ao mundo que a guerra tem um custo muito alto. O país sofre, claro, com os efeitos dos bombardeios. Mas, do ponto de vista da estratégia econômica, isso tem funcionado.”

Segundo Santoro, uma mobilização limitada dos EUA poderia buscar dois objetivos principais:

  • ocupar a ilha de Kharg para controlar o refino do petróleo iraniano e ampliar a pressão econômica.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

WhatsApp us

Sair da versão mobile