Um grupo de 22 países, formado por integrantes da Otan e aliados do Oriente Médio, da Ásia e da Oceania, prepara uma iniciativa para reabrir o Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã desde 28 de fevereiro, no contexto da guerra com os Estados Unidos e Israel. A informação foi dada pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em entrevistas concedidas no domingo, dia 22, à imprensa dos EUA. De acordo com informações do G1 Mundo, o objetivo declarado é assegurar a navegação segura e livre de navios na região.
O Estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é uma das principais rotas marítimas do comércio global de petróleo. Para o Brasil, crises na região costumam ser acompanhadas de perto porque podem pressionar os preços internacionais do barril e, por consequência, afetar combustíveis e a inflação.
Segundo Rutte, autoridades militares desses 22 países passaram a coordenar um planejamento conjunto para atender ao apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e buscar a reabertura da passagem marítima o mais rapidamente possível. O secretário-geral, no entanto, não detalhou de que forma essa abertura ocorreria na prática, nem informou quais medidas concretas seriam adotadas no estreito.
O que Mark Rutte disse sobre a iniciativa?
Nas entrevistas às emissoras norte-americanas Fox News e CBS, Rutte afirmou que o grupo começou a se articular desde quinta-feira para garantir que o Estreito de Ormuz seja liberado. Ele declarou que os países estão atuando em sintonia para viabilizar a reabertura da rota marítima.
“Desde quinta-feira, um grupo de 22 países está se unindo para garantir que o Estreito de Ormuz seja livre e reaberto o mais rápido possível. (…) O que precisamos fazer é trabalhar juntos”
O chefe da Otan também disse que os países envolvidos buscam “atender ao chamado” de Trump e “implementar a visão” do presidente norte-americano para garantir a reabertura do estreito. Apesar disso, a declaração não esclareceu se haverá atuação militar direta, escolta naval ou outro tipo de operação coordenada na região.
Quais países já foram citados como integrantes do grupo?
Rutte não divulgou a lista completa dos 22 países, mas afirmou que a maioria é composta por aliados da Otan. Até o momento, os integrantes mencionados publicamente são:
- Estados Unidos
- Reino Unido
- França
- Emirados Árabes Unidos
- Bahrein
- Japão
- Coreia do Sul
- Austrália
- Nova Zelândia
A ausência de mais detalhes sobre os demais participantes e sobre a forma de execução da iniciativa mantém indefinido o alcance real do plano anunciado. O tema ganha relevância por envolver uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.
Por que a situação no Estreito de Ormuz preocupa?
O Estreito de Ormuz concentra a passagem de 20% do petróleo mundial, segundo o texto original. O fechamento da rota pelo Irã desde o fim de fevereiro ocorre em meio ao conflito com Estados Unidos e Israel, o que elevou a tensão geopolítica na região e ampliou os temores sobre impactos no comércio internacional de energia.
Além do mercado internacional, uma interrupção prolongada na rota é relevante para países importadores e exportadores de energia, inclusive o Brasil, por seu potencial de influenciar custos logísticos e preços de combustíveis. Por isso, o tema extrapola a crise regional e é monitorado por governos e agentes econômicos em diferentes partes do mundo.
Ao mesmo tempo, a falta de explicações sobre como seria feita a reabertura também expõe o risco de agravamento da guerra. O próprio contexto descrito por Rutte indica que a presença militar de outros países além de EUA e Irã pode aumentar a possibilidade de expansão do conflito, especialmente em uma área já marcada por forte sensibilidade estratégica.
Como a declaração de Rutte se insere na crise entre EUA e aliados?
A fala do secretário-geral da Otan ocorre em meio a críticas de Donald Trump a aliados da aliança militar que teriam reagido negativamente a um pedido para enviar navios de guerra com o objetivo de ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz. A questão se tornou mais um foco de atrito entre Washington e a União Europeia nos últimos dias, em paralelo à guerra no Oriente Médio.
Com isso, a declaração de Rutte funciona como sinal político de articulação internacional, mas ainda sem apresentação pública de um plano operacional. Até o momento, o que se sabe é que há coordenação entre autoridades militares de 22 países e a intenção declarada de restabelecer a navegação na região o mais rapidamente possível.