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Estatuto do Aprendiz avança na Câmara e muda regras para jovens no trabalho

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A Câmara dos Deputados aprovou nesta semana o Projeto de Lei 6461/19, que cria o Estatuto do Aprendiz e reformula regras da aprendizagem profissional no Brasil. O texto, voltado a jovens de 14 a 24 anos e também a pessoas com deficiência, foi aprovado na forma de substitutivo apresentado pela deputada Flávia Morais e agora segue para análise do Senado. De acordo com informações da Revista Fórum, a proposta busca ampliar direitos e atualizar o modelo de contratação de aprendizes no país.

O projeto é de autoria do ex-deputado e ministro da Agricultura André de Paula e outros parlamentares. Entre os principais pontos do texto estão a garantia de emprego para aprendizes gestantes, estabilidade em caso de acidente de trabalho, manutenção do vale-transporte e regras para que as férias coincidam com o período escolar no caso de menores de 18 anos. A proposta também prevê situações em que empresas poderão deixar de cumprir a cota de contratação, mediante compensação financeira ao Fundo de Amparo ao Trabalhador.

O que muda para os jovens aprendizes?

O texto consolida direitos já previstos na legislação e amplia proteções para quem ingressa no mercado de trabalho por meio da aprendizagem profissional. Entre as garantias citadas estão a manutenção do emprego para aprendizes gestantes, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, e a estabilidade por até 12 meses após o fim do auxílio em caso de acidente de trabalho.

Também ficam reforçados direitos como o vale-transporte. No caso dos menores de 18 anos, as férias deverão coincidir com o período escolar. A proposta, segundo o texto original, tem como foco atualizar uma modalidade considerada uma das principais portas de entrada de jovens no mercado de trabalho formal.

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Quais pontos do projeto geraram debate?

Um dos trechos que mais chamaram atenção foi a possibilidade de empresas deixarem de contratar aprendizes em situações específicas. Se houver comprovação de impossibilidade de oferecer formação prática, o empregador poderá pagar uma compensação financeira ao Fundo de Amparo ao Trabalhador, em vez de cumprir a cota obrigatória, por até 12 meses.

Esse ponto é tratado como sensível porque, na prática, pode reduzir o número de vagas disponíveis para jovens em busca do primeiro emprego. O debate gira em torno do equilíbrio entre a flexibilização para as empresas e a preservação da função social da aprendizagem profissional.

  • garantia de emprego para aprendizes gestantes;
  • estabilidade após acidente de trabalho por até 12 meses;
  • manutenção de vale-transporte;
  • férias coincidentes com o período escolar para menores de 18 anos;
  • possibilidade de compensação ao FAT em casos específicos.

Qual o impacto social apontado pelo texto?

A proposta foi apresentada em um contexto de dificuldade de inserção de jovens no mercado de trabalho. Segundo o texto original, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que mais de 10 milhões de jovens no país não estudam nem trabalham. Nesse cenário, a aprendizagem aparece como instrumento de inclusão produtiva e de acesso ao primeiro emprego formal.

“A aprendizagem é um instrumento decisivo para inserir jovens no mundo do trabalho e combater o trabalho infantil”

A declaração foi atribuída à relatora Flávia Morais. Outro ponto destacado é que a renda recebida como aprendiz não será considerada no cálculo para acesso ao Bolsa Família, o que, segundo o texto, evita que jovens percam o benefício ao entrar no mercado de trabalho.

Quais são os próximos passos do projeto?

Apesar da aprovação na Câmara, a proposta ainda não virou lei. O texto precisa passar pela análise do Senado antes de eventual sanção. Somente depois dessas etapas o Estatuto do Aprendiz poderá entrar em vigor.

Se for aprovado também pelos senadores, o projeto poderá redefinir as regras da aprendizagem profissional no Brasil, com efeitos sobre empresas e jovens que buscam oportunidade de inserção no mercado de trabalho. Até lá, a tramitação legislativa continua e o conteúdo ainda pode ser alterado.

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