O mercado de eSIM no padrão SGP.32 deve ganhar escala a partir de 2028, impulsionado pelo avanço de projetos de Internet das Coisas e de conectividade máquina a máquina. A projeção foi apresentada nesta segunda-feira, 13, por Gustavo Ulmann, diretor geral da G&D, durante o Fórum de Operadoras Inovadoras 2026, realizado em São Paulo. De acordo com informações do Teletime, a expectativa é que a tecnologia avance à medida que empresas e fabricantes passem a adotar um modelo que dispensa cartões SIM físicos e permite gerenciamento remoto de perfis.
Segundo Ulmann, a adoção do novo padrão tende a acompanhar uma mudança estrutural no setor, com novos dispositivos já sendo projetados para operar nesse modelo. Ao mesmo tempo, equipamentos baseados em padrões anteriores, como SGP.02 e SGP.22, ainda devem concentrar os últimos grandes projetos nos próximos dois anos, antes de uma transição mais ampla da indústria.
O que é o padrão SGP.32 e por que ele é relevante?
Em linhas gerais, o SGP.32 é um padrão certificado pela GSMA para eSIM voltado a aplicações de IoT. A proposta é eliminar a necessidade de chips físicos tradicionais e permitir a ativação e a administração remota dos perfis de conectividade. Na prática, isso facilita a troca de operadora em dispositivos conectados e reduz a dependência de intervenções presenciais.
De acordo com a avaliação apresentada no evento, o novo padrão pode simplificar a implementação e o gerenciamento da conectividade por fabricantes e prestadores de serviço. Entre os componentes citados como diferenciais estão o eUICC, responsável pela armazenagem e pelo gerenciamento de perfis, e o IPA, sigla para IoT Profile Assistant, software usado para auxiliar o download desses perfis.
“Um dos mercados em que temos visto maior tração é a indústria automotiva na Europa”
Quais setores podem acelerar a adoção da tecnologia?
Entre os segmentos mencionados por Ulmann, a indústria automotiva europeia aparece como um dos mercados com maior avanço na adoção do padrão. O executivo também apontou espaço para crescimento no Brasil, especialmente no mercado de terminais de pagamento eletrônico, como maquininhas de cartão, em que a gestão da conectividade e a logística de troca de chip podem elevar custos operacionais.
“Já no Brasil, uma aposta é o mercado de PoS [maquininhas de cartão]. Quem conhece sabe a dificuldade de gestão, e a logística [de troca de chip] é muito custosa. Então, esse é um mercado que vai ter muito movimentação”
A perspectiva apresentada sugere que a adoção do SGP.32 deve ocorrer em áreas nas quais a conectividade distribuída exige escala, flexibilidade e administração remota. Isso inclui operações em que a substituição física de chips representa custo, deslocamento e maior complexidade operacional.
Como está o estágio atual da implementação do SGP.32?
No momento, segundo Ulmann, operadoras e fabricantes de dispositivos ainda avaliam estratégias para o uso do novo padrão. Esse processo inclui provas de conceito em andamento, o que indica uma fase de testes e planejamento antes de uma adoção mais ampla no mercado.
O cenário descrito no Fórum de Operadoras Inovadoras 2026 aponta para uma transição gradual. A expectativa de ganho de escala a partir de 2028 não significa uma substituição imediata das tecnologias anteriores, mas um movimento de amadurecimento da cadeia de conectividade para IoT, com impacto sobre fabricantes, operadoras e empresas que dependem de redes máquina a máquina.
- O padrão SGP.32 é certificado pela GSMA.
- A tecnologia elimina a necessidade de cartão SIM físico.
- O modelo permite ativação e gerenciamento remoto de perfis.
- Os últimos grandes projetos com SGP.02 e SGP.22 devem ocorrer nos próximos dois anos.
- A expectativa de maior escala para o novo padrão é a partir de 2028.