A falta de insumos no setor eletroeletrônico tem se tornado uma preocupação crescente para as indústrias brasileiras. Cerca de 47% das empresas relataram dificuldades no acesso a componentes essenciais, como apontado por uma sondagem da Abinee. Este aumento representa o terceiro crescimento consecutivo, destacando uma situação mais grave em relação ao pico da pandemia de Covid-19.
A pressão nos custos de produção, especialmente de memórias, resultou em um aumento significativo nos preços de bens finais, como notebooks, desktops, celulares e TVs. Desde dezembro de 2024, grandes fornecedores têm renegociado contratos, gerando aumentos que podem atingir 100% na cadeia de produção e uma elevação de 30% nos preços finais dos produtos.
Quais são os fatores que influenciam a crise de insumos?
A crise de insumos é impulsionada, principalmente, pela crescente demanda de data centers voltados para inteligência artificial. O presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, afirmou que essa pressão deve continuar até 2028. A resposta dos fabricantes de semicondutores tem sido lenta, devido aos altos investimentos e complexidade produtiva necessários.
Além das memórias, outros insumos como ouro, prata, cobre, aço, alumínio e plástico também têm visto aumentos de preços. A valorização do Real frente ao dólar amenizou um pouco essas altas, mas não o suficiente para conter os desafios enfrentados pela indústria.
Como o cenário econômico global está afetando os preços dos insumos?
A busca por ouro e prata como ativos de proteção tem aumentado devido às tensões geopolíticas e incertezas econômicas, elevando seus preços. O plástico, por sua vez, é afetado pela escalada do preço do petróleo, exacerbada pela guerra entre EUA, Israel e Irã, com o barril de Petróleo Brent superando US$ 120, segundo a Energy Information Administration – EIA.
Essa situação está pressionando também os preços dos combustíveis, influenciando os custos de frete e criando barreiras logísticas significativas. Barbato alerta que essa inflação generalizada pode impactar o PIB brasileiro, diminuindo o crescimento econômico esperado e retardando a redução da taxa de juros.