A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) anunciou que sensores de Diesel Exhaust Fluid (DEF), usados para monitorar a qualidade do fluido redutor de emissões em motores a diesel, não serão mais obrigatórios em caminhões e outros equipamentos movidos a diesel no país. A mudança, divulgada na sexta-feira, 27 de março de 2026, visa reduzir falhas técnicas que causam desacelerações súbitas ou paradas completas dos motores — fenômeno conhecido como redução de potência ou modo de segurança — e afetam tanto motoristas profissionais quanto agricultores. De acordo com informações do FreightWaves, a decisão segue solicitação de dados feita pela EPA a fabricantes em fevereiro de 2026.
No Brasil, o DEF tem como equivalente comercial o Arla 32, usado em veículos a diesel com tecnologia de redução catalítica seletiva (SCR) para atender padrões de emissões como os do Proconve. Embora a medida anunciada pela EPA valha para o mercado americano, o tema também interessa ao setor de transporte e ao agronegócio brasileiros, que utilizam sistemas semelhantes em caminhões e máquinas.
A agência afirmou ter recebido respostas de 11 dos 14 fabricantes consultados, com dados preliminares indicando que os sensores de DEF são uma fonte significativa de reclamações sob garantia. Segundo a EPA, esses dispositivos, também chamados de sensores de qualidade de ureia, poderão ser substituídos por sensores de óxidos de nitrogênio (NOx), que medem diretamente as emissões reais do veículo. A medida busca alinhar a regulamentação à operação prática dos sistemas no campo.
Por que os sensores de DEF estavam causando problemas?
Os sensores defeituosos podiam gerar leituras incorretas, levando o sistema a interpretar que o DEF estava fora das especificações — mesmo quando o tanque estava cheio e funcional. Isso acionava protocolos de segurança que reduziam drasticamente a potência do motor ou o desligavam por completo. Em agosto de 2025, a EPA já havia orientado fabricantes a atualizar softwares para mitigar essas reduções de potência, introduzindo janelas de tolerância: após um alerta, o motorista teria até 650 milhas (cerca de 1.046 km) ou 10 horas antes de qualquer redução de desempenho.
Com as novas diretrizes, veículos rodoviários poderão operar normalmente por até 4.200 milhas (cerca de 6.759 km, aproximadamente seis semanas de trabalho) antes de sofrer limitação de velocidade a 25 mph (40 km/h). Equipamentos agrícolas e de construção terão 36 horas sem impacto, seguidas de leve redução de torque.
Quais setores se beneficiam com a mudança?
Agricultores foram destacados como principais beneficiários. Dados da Small Business Administration citados pela EPA estimam que falhas nos sensores custavam ao setor agrícola US$ 4,4 bilhões por ano, com economia potencial total de US$ 13,79 bilhões com a eliminação da exigência. O administrador da EPA, Lee Zeldin, afirmou em comunicado oficial:
“A EPA entende que perdas repentinas de velocidade e desligamentos causados por falhas no sistema DEF, que comprometem a segurança e a produtividade, são inaceitáveis e problemáticos.”
A American Trucking Associations endossou a decisão, classificando-a como “uma solução pragmática que reflete como esses sistemas funcionam no mundo real”. A mudança entrará plenamente em vigor a partir do ano-modelo 2027, quando fabricantes deverão implementar medidas de engenharia para evitar reduções de potência mesmo na ausência total de DEF.
