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Eneva triplica geração no primeiro trimestre com alta do PLD e despacho térmico

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A Eneva registrou geração bruta de 3.942 GWh no primeiro trimestre de 2026, volume três vezes superior ao apurado no mesmo período de 2025, quando somou 1.178 GWh. O resultado foi divulgado na prévia operacional da companhia e ocorreu em meio ao aumento do despacho termelétrico no Sistema Interligado Nacional (SIN), impulsionado pela elevação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), pelo crescimento da carga e por um cenário ainda influenciado pela deterioração das condições hidrológicas observada no fim de 2025.

De acordo com informações da Megawhat, o trimestre também foi marcado pela recuperação gradual dos níveis de armazenamento dos reservatórios ao longo dos três primeiros meses de 2026, em um contexto de maior despacho térmico e de maior aversão ao risco de escassez hídrica futura nos modelos de operação do SIN.

Por que a geração da Eneva aumentou no trimestre?

Segundo a companhia, o cenário levou a um despacho médio de 33% no primeiro trimestre de 2026, considerada a média ponderada pela capacidade instalada dos ativos. Entre as usinas abastecidas por gás próprio, o índice foi de 55%. Já nas unidades que utilizam combustíveis de terceiros, o despacho médio ficou em 19% no período.

Os despachos foram direcionados ao SIN, principalmente para atendimento ao despacho regulatório por ordem de mérito, em um ambiente de PLD mais elevado e maior demanda por energia. A Eneva informou ainda que houve despacho por diferentes razões operacionais, incluindo unit commitment, atendimento a restrições operativas cadastradas das usinas, inflexibilidade ligada a necessidades específicas de geração dos ativos e cumprimento da inflexibilidade contratual da UTE Parnaíba II.

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Também houve despacho por razão elétrica para suprir a demanda energética de Roraima. Esse conjunto de fatores alterou de forma relevante o perfil de geração da companhia em relação ao mesmo período do ano anterior.

Como mudou o perfil de geração em relação a 2025?

Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, quando o despacho médio havia sido de 8%, a mudança foi significativa. No primeiro trimestre de 2026, a geração termelétrica bruta foi puxada principalmente pelas usinas a gás próprio, que somaram 2.344 GWh e responderam por 65% da geração total. No mesmo intervalo do ano anterior, esse volume havia sido de 835 GWh.

As usinas que utilizam combustíveis de terceiros também avançaram, com geração de 1.247 GWh no trimestre, ante apenas 7 GWh no primeiro trimestre de 2025. Por outro lado, não houve geração destinada à exportação no período, ao contrário do registrado um ano antes, quando houve volume marginal no Complexo Parnaíba.

Já a geração vinculada à inflexibilidade contratual da UTE Parnaíba II permaneceu estável na comparação anual. Com isso, a geração líquida total dos ativos termelétricos da companhia alcançou 3.591 GWh no primeiro trimestre de 2026, acima dos 841 GWh apurados no primeiro trimestre de 2025.

  • Geração bruta no 1T26: 3.942 GWh
  • Geração bruta no 1T25: 1.178 GWh
  • Despacho médio no 1T26: 33%
  • Despacho médio no 1T25: 8%
  • Geração líquida termelétrica no 1T26: 3.591 GWh
  • Geração líquida termelétrica no 1T25: 841 GWh

O que os dados mostram sobre a produção de gás natural?

A produção de gás natural da Eneva totalizou 0,51 bilhão de metros cúbicos no trimestre. Desse volume, 0,45 bilhão de metros cúbicos veio do Complexo Parnaíba, enquanto 0,06 bilhão de metros cúbicos foram produzidos na Bacia do Amazonas para suprimento da UTE Jaguatirica II.

Houve aumento do volume de gás produzido no Complexo Parnaíba na comparação com o primeiro trimestre de 2025, reflexo da maior demanda das termelétricas e, sobretudo, do crescimento do despacho para atendimento à necessidade do SIN. A companhia informou ainda que, do total produzido no complexo, cerca de 3,7% foi destinado ao atendimento de contratos de venda de GNL em pequena escala a partir das plantas de liquefação no Parnaíba.

Na Bacia do Amazonas, o volume produzido permaneceu estável em relação ao primeiro trimestre de 2025, mesmo com pequena redução da geração em Jaguatirica. Segundo a empresa, isso ocorreu em função de menor demanda do Operador Nacional do Sistema Elétrico, além de paradas para testes regulatórios e manutenções. Apesar disso, parte da produção foi direcionada para reforçar o estoque de gás da UTE Jaguatirica II.

Ao fim do período, a Eneva informou reservas 2P de gás natural de 47,0 bilhões de metros cúbicos, sendo 37,5 bilhões de metros cúbicos na Bacia do Parnaíba e 9,5 bilhões de metros cúbicos na Bacia do Amazonas.

Qual foi o desempenho do complexo solar da companhia?

No segmento solar, o Complexo Solar Futura 1, formado pelas UFVS Futura 1 a 22 e com capacidade instalada total de 692,4 MWac, apresentou disponibilidade média de 98% durante o primeiro trimestre de 2026. A geração frustrada por restrição somou 52 GWh, abaixo dos 81 GWh registrados no mesmo período de 2025.

Segundo a Eneva, no primeiro trimestre de 2025 o projeto teve curtailment ampliado pela indisponibilidade operacional do bipolo Xingu, que gerou restrição no fluxo de transmissão de energia dos subsistemas Norte e Nordeste para o Sudeste/Sul. Em 2026, a geração líquida total do Complexo Futura atingiu 336 GWh, em nível praticamente alinhado ao resultado observado no primeiro trimestre do ano anterior.

O conjunto dos dados operacionais mostra que o avanço da geração da Eneva no trimestre esteve concentrado no maior uso de seus ativos termelétricos, em um ambiente de preço mais alto no mercado de curto prazo e de maior necessidade de despacho no sistema elétrico nacional.

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