
As energias renováveis atingiram a expressiva marca de 49% da capacidade instalada global de eletricidade até o final de 2025, impulsionadas principalmente pelo crescimento massivo das fontes solar e eólica. O marco representa um aumento anual recorde de 15,5%, ou 692 gigawatts (GW) de nova capacidade adicionada no mundo, conferindo maior resiliência a diversos países diante da atual crise global de abastecimento de combustíveis.
De acordo com informações do Earth.Org, os dados consolidados foram divulgados na quarta-feira, 1º de abril, pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA). O levantamento oficial aponta que as fontes limpas representaram 85,6% de toda a capacidade de energia elétrica adicionada globalmente durante o ano civil.
Quais fontes lideraram a expansão das energias renováveis no mundo?
A energia solar foi o principal motor desse avanço histórico estrutural, respondendo sozinha por quase três quartos de todas as adições de capacidade renovável em 2025, o que equivale a um recorde absoluto de 510 GW. A energia eólica ocupou a segunda posição de destaque no setor produtivo, com 159 GW instalados no período de apenas um ano em diversas plantas pelo globo.
O diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera, destacou que essa trajetória de quebra de recordes quase anual, que se mantém de forma ininterrupta desde o início do milênio, ocorre graças à competitividade econômica e à resiliência operacional dessas tecnologias de emissão zero.
“Até o final de 2025, as energias renováveis representavam 49% da capacidade de energia instalada global e compreendiam 85,6% das adições anuais globais de energia, em grande parte devido ao crescimento significativo da energia solar e eólica”, afirmou La Camera.
Como as diferentes regiões do planeta investem em infraestrutura limpa?
Apesar dos balanços quantitativos globais predominantemente positivos, ainda persistem disparidades mercadológicas significativas entre as diferentes nações. Juntos, os mercados consolidados da China, dos Estados Unidos e da União Europeia concentraram 79,5% de toda a nova capacidade sustentável instalada internacionalmente.
Os detalhes dos índices de crescimento e estruturação em regiões específicas revelam dinâmicas econômicas distintas durante o processo de transição energética global:
- Brasil: O país se destaca no cenário mundial por possuir uma das matrizes elétricas mais limpas do planeta. As fontes renováveis — historicamente ancoradas em usinas hidrelétricas e, mais recentemente, impulsionadas pela rápida expansão solar e eólica — já representam mais de 80% da capacidade instalada nacional.
- China: Manteve a liderança isolada no mercado asiático e global, alcançando uma capacidade cumulativa de 2.258.016 megawatts (MW) — um salto operacional de 24,2% em relação ao ano anterior.
- Oriente Médio: Registrou uma alta histórica anual com avanço de 28,9% na própria matriz limpa, impulsionada fortemente por iniciativas sistêmicas promovidas pela Arábia Saudita.
- África: Apresentou uma evolução regional de 15,9% em sua infraestrutura verde, garantido por investimentos pontuais na Etiópia, África do Sul e Egito, embora a capacidade adicionada localmente represente apenas 1,6% de todo o escopo mundial.
Por que as usinas renováveis protegem governos de crises geopolíticas?
Embora as fontes renováveis já componham praticamente a metade da capacidade global, a contribuição efetiva para a geração prática e direta de eletricidade nas redes é menor, girando em torno de 32% no acumulado referente ao ano de 2024. A eletricidade constitui apenas um segmento da energia total consumida no mundo, que ainda permanece amplamente dominada pelos combustíveis fósseis empregados na indústria de base pesada e no transporte de longa distância, englobando a aviação civil e a navegação marítima.
O relatório institucional surge em meio a uma crise global de matriz energética que se aprofunda sistematicamente, desencadeada por intensos ataques deflagrados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã no final do mês de fevereiro. A rápida escalada armada resultou no bloqueio militar do Estreito de Ormuz pelo governo iraniano, um canal marítimo estratégico essencial que concentra o trânsito rotineiro de aproximadamente 20% a 25% de todo o fornecimento global de petróleo bruto, gerando choque inflacionário imediato nas cadeias logísticas.
Nações estruturadas com matrizes renováveis robustas conseguiram se blindar de forma parcial deste forte impacto financeiro global, aproveitando ativamente a segurança energética garantida pela produção interna inesgotável. Em contrapartida, governos atrelados a redes tradicionais passaram a pressionar politicamente por aportes financeiros ainda mais volumosos na prospecção fóssil de petróleo, gás natural e carvão mineral bruto.
A secretária-executiva da Rede de Políticas de Energia Renovável para o Século 21 (REN21), Rana Adib, explicou detalhadamente a vantagem estratégica central de priorizar soluções climáticas domiciliares durante períodos de grave instabilidade internacional nos mercados de commodities.
“Uma vez que você traz a tecnologia para os países, o combustível que você está usando é o sol, é o vento, é o calor que é local. E essa é a razão pela qual a energia renovável como solução para a produção de energia é muito mais resiliente a esses choques globais”, concluiu Adib.