Uma crise de burnout levou Alessandra Moreira a reinventar sua carreira e criar um negócio sustentável em Altamira, um dos municípios mais desmatados da Amazônia. A Ecoplante transforma papel reciclado em folhas com sementes, que germinam em flores, ervas e plantas nativas, unindo inovação e sustentabilidade em um local marcado por desafios ambientais.
De acordo com informações do Mongabay Brasil, a iniciativa de Alessandra representa um futuro promissor para a bioeconomia amazônica, onde conservação florestal e desenvolvimento andam juntos.
## Como surgiu a ideia da Ecoplante em meio à crise?
Nascida e criada em Altamira, Alessandra Moreira trabalhava como assistente administrativa até enfrentar sérios problemas de ansiedade e depressão. Após deixar o emprego, uma sugestão de seu irmão a inspirou a criar papel-semente, transformando sua crise pessoal em um negócio inovador. Assim nasceu a Ecoplante, que produz papel reciclado com sementes incorporadas, capazes de germinar diversos tipos de plantas.
## Qual o processo de produção do papel-semente?
O papel-semente é feito a partir de papel descartado, que é transformado em novas folhas com sementes. A polpa reciclada é misturada à água e espalhada sobre uma tela fina, onde as sementes são adicionadas, desde ervas como manjericão e rúcula até flores como margaridas. Após a secagem, o papel pode ser usado normalmente e, em vez de ser jogado fora, é plantado. Ao se decompor, ele libera as sementes, que germinam e transformam o que seria lixo em vegetação.
## Quais foram os desafios iniciais da Ecoplante?
Em 2023, Alessandra e seu irmão começaram a experimentar com sobras de papel reciclado e utensílios caseiros. Apesar das primeiras folhas terem sido um “desastre”, o processo trouxe foco e cura para Alessandra. Ela persistiu mesmo diante de dificuldades financeiras e pessoais, refinando o processo com a ajuda de tutoriais no YouTube. Seu objetivo era mostrar que Altamira podia ser conhecida por algo além do desmatamento.
## Como a Ecoplante opera atualmente?
Atualmente, Alessandra e sua pequena equipe produzem o papel manualmente no quintal de casa, utilizando equipamentos simples feitos com materiais do cotidiano. O papel reciclado é triturado, transformado em polpa e espalhado sobre uma tela para remover o excesso de água. As sementes são distribuídas manualmente ou com uma lata perfurada, garantindo uma distribuição uniforme antes de serem prensadas e deixadas para secar naturalmente ao sol.
## Qual foi o ponto de virada para a Ecoplante?
O ponto de virada da Ecoplante ocorreu no início de 2024, quando Alessandra participou do Sustenta e Inova, uma iniciativa financiada pela União Europeia para apoiar negócios sustentáveis na Amazônia. O programa a ajudou a entender o problema que seu negócio resolvia – o descarte inadequado de papel – e a se posicionar como um negócio verde. Ela aprendeu a precificar seus produtos, identificar clientes-alvo e apresentar sua empresa a investidores.
## Qual o impacto da Ecoplante para a região?
Segundo Paula Couceiro, gerente de projetos do Sebrae Pará, a Ecoplante representa a inovação que a Amazônia precisa. O objetivo é transformar a preservação ambiental em modo de vida, mostrando que a sustentabilidade pode gerar renda e dignidade, incentivando as pessoas a verem a floresta como uma oportunidade e não como um obstáculo.
## Quais os próximos passos da Ecoplante?
A criatividade da Ecoplante vai além de rúcula e margaridas. O principal objetivo de Alessandra é produzir papel plantável com sementes de árvores locais, trabalhando com grupos extrativistas da região. Ela já conseguiu produzir papel com sementes de jambu, erva tradicional da culinária paraense, e está buscando soluções para incluir sementes maiores, como as de ipê, em seus produtos, criando também o lápis-semente com cápsulas para sementes maiores.