Os húngaros vão às urnas neste domingo, 12 de abril de 2026, em uma eleição parlamentar que pode encerrar os 16 anos de governo de Viktor Orbán e do Fidesz, na Hungria. O principal adversário do premiê é Péter Magyar, do Tisza, ex-aliado do governo que passou a liderar uma candidatura com discurso anticorrupção e defesa de reaproximação com a União Europeia. De acordo com informações do Poder360, a disputa é apontada como a mais competitiva enfrentada por Orbán desde seu retorno ao poder, em 2010.
Segundo o texto, pesquisas compiladas pela Reuters indicam vantagem da oposição, embora o número elevado de indecisos mantenha o cenário indefinido. Orbán venceu a eleição de 2022 com 54% dos votos, mas chega ao novo pleito sob pressão de uma crise econômica interna e de sucessivos atritos com Bruxelas.
Por que a oposição ganhou força nesta eleição?
O avanço de Péter Magyar é associado ao desgaste do governo depois de anos de dificuldades econômicas. A Hungria atravessa um período de estagnação, com aumento do custo de vida, pressão sobre os salários e críticas aos serviços públicos.
De acordo com dados do KSH, o Escritório Central de Estatística da Hungria, os salários cresceram cerca de 9,1% em 2025, mas o poder de compra subiu só 4,4%. Ainda segundo o texto original, parte relevante dos trabalhadores perdeu renda real por causa da inflação.
As contas públicas também enfrentam pressão. Dados da União Europeia citados pela reportagem indicam que o déficit do governo deve permanecer acima de 5% em 2026, enquanto a dívida continua em trajetória de alta. Ao mesmo tempo, investimento e indústria mostram sinais de fraqueza, com queda na produção e menor dinamismo nas exportações.
Como a relação com a União Europeia influencia a disputa?
A eleição pode afetar diretamente as relações entre Budapeste e a União Europeia. Nos últimos anos, o governo de Orbán acumulou atritos com o bloco em temas como Estado de direito, migração, direitos LGBTQ+ e apoio à Ucrânia, incluindo o bloqueio de decisões europeias sobre ajuda a Kiev.
Em julho de 2025, a Comissão Europeia acionou mecanismos que permitem suspender repasses a países que descumprem regras democráticas. Segundo a reportagem, isso levou ao congelamento de cerca de €18 bilhões em recursos destinados à Hungria.
Apesar do discurso crítico de Orbán em relação ao bloco, os dados citados no texto apontam um descompasso com a opinião pública. Levantamento do European Council on Foreign Relations afirma que:
- 77% dos húngaros apoiam a permanência na União Europeia;
- cerca de 75% dizem confiar no bloco;
- 68% defendem mudanças na forma como o país se relaciona com Bruxelas.
Como funciona o sistema eleitoral da Hungria?
O sistema eleitoral húngaro combina voto distrital e proporcional e, diferentemente do Brasil, não impõe limite de reeleição para o primeiro-ministro. O cargo depende da manutenção de maioria no Parlamento.
Ao todo, são eleitos 199 deputados. Desse total, 106 são escolhidos em distritos uninominais pelo sistema majoritário simples, em que vence o candidato mais votado, e 93 por listas partidárias nacionais.
Cada eleitor tem dois votos:
- um para um candidato local;
- outro para um partido.
O modelo também inclui um mecanismo de compensação que contabiliza votos considerados desperdiçados nos distritos, o que tende a ampliar o peso dos partidos mais votados no resultado final. Há ainda uma cláusula de barreira de 5% para acesso à distribuição proporcional, com exigências maiores para coligações. Minorias nacionais têm regras próprias de representação.
O resultado deste domingo, portanto, será observado não só como uma disputa doméstica, mas também como um teste político para o futuro da Hungria dentro da União Europeia e para a continuidade do projeto de poder liderado por Viktor Orbán desde 2010.