Os peruanos vão às urnas neste domingo 12 para eleger o chefe de Estado em uma disputa com 35 candidatos, número recorde que expõe a fragmentação política do Peru. A votação ocorre em meio a uma década de presidências curtas, aumento da criminalidade e desconfiança generalizada nas instituições. Mais de 27,3 milhões de eleitores foram chamados a votar, em um cenário descrito por instabilidade crônica e escalada da insegurança. De acordo com informações da CartaCapital, com conteúdo da RFI, a eleição também marca a escolha, pela primeira vez desde 1990, de deputados e senadores.
O pleito ocorre após uma sucessão de oito chefes de Estado em dez anos. Agora, os eleitores precisam escolher quem substituirá o presidente interino José María Balcázar. A cédula com 35 nomes é apresentada como reflexo de uma crise política profunda, agravada por escândalos e destituições que desgastaram a confiança da população no governo e no Parlamento.
Por que a segurança se tornou o centro da campanha?
Pela primeira vez em 30 anos, o combate ao crime organizado aparece como tema central da disputa presidencial no Peru. Segundo o texto original, a insegurança avançou com a atuação de grupos criminosos estrangeiros em disputa com organizações locais, o que elevou a preocupação da população.
Nesse ambiente, a maioria dos candidatos colocou a criminalidade como prioridade de campanha, mas sem grande diferenciação entre as propostas apresentadas. O texto destaca que a taxa de homicídios aumentou e que as denúncias de extorsão dispararam, reforçando o peso do tema na decisão do eleitorado.
- Voto obrigatório em todo o país
- 35 candidatos na disputa presidencial
- Mais de 27,3 milhões de eleitores convocados
- Escolha de deputados e senadores pela primeira vez desde 1990
Quem aparece entre os principais nomes da disputa?
Os discursos de linha dura favoreceram candidaturas de direita, de acordo com a reportagem. Entre os nomes citados está Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que disputa a Presidência pela quarta vez e aparece como favorita. O texto informa que ela prometeu expulsão de imigrantes e aproximação com Donald Trump, caso seja eleita.
“Meu papel, caso eu seja eleita presidente, será motivar os Estados Unidos a voltarem a participar mais ativamente” na economia peruana.
Também são mencionados como concorrentes por uma vaga no segundo turno o centrista Ricardo Belmont, o humorista de direita Carlos Álvarez e o ultraconservador Rafael López Aliaga. A multiplicidade de candidaturas ajuda a explicar a percepção de confusão do pleito e a dificuldade de parte do eleitorado em identificar diferenças claras entre os postulantes.
O que essa eleição revela sobre a crise institucional do país?
Muitos eleitores chegam ao primeiro turno desorientados, em uma votação considerada inédita. Além da escolha presidencial, o país deixa para trás um Congresso unicameral e volta a eleger deputados e senadores. A mudança amplia a relevância do pleito e ocorre sob forte desgaste da classe política.
Segundo a pesquisa regional Latinobarómetro citada no texto, mais de 90% dos peruanos dizem ter pouca ou nenhuma confiança no governo e no Parlamento, os maiores índices da América Latina. Ao mesmo tempo, a reportagem observa que a economia peruana segue entre as mais estáveis da região e registra a inflação mais baixa da América Latina, o que contrasta com a turbulência institucional e social.
Assim, a eleição deste domingo se desenha como um teste para a capacidade do Peru de enfrentar, ao mesmo tempo, a fragmentação política, a crise de representatividade e o avanço da violência. O resultado poderá indicar não apenas quem governará o país, mas também como a sociedade peruana pretende reagir a uma década marcada por instabilidade no poder.