Operadoras de telecomunicações podem explorar três caminhos de negócio com edge AI, segundo a Qualcomm, que apresentou essa avaliação durante o Fórum de Operadoras Inovadores, realizado na segunda-feira, 13. A análise foi feita por Erik Nakandakare, diretor de soluções da empresa, ao discutir como as telcos podem usar inteligência artificial na borda para ganho de eficiência interna, oferta de equipamentos e prestação de serviços ao mercado, especialmente no segmento corporativo. De acordo com informações do Mobile Time, a projeção é de avanço gradual, sem expectativa de ganho direto relevante apenas com o tráfego gerado por aplicações de IA.
Segundo Nakandakare, a adoção da inteligência artificial na borda pode atender tanto demandas internas das operadoras quanto novas frentes comerciais. Na visão apresentada pelo executivo, o crescimento tende a ocorrer no longo prazo, à medida que empresas ampliem projetos próprios de IA e passem a consumir mais infraestrutura e soluções associadas.
Quais são os três caminhos apontados pela Qualcomm para as operadoras?
O primeiro caminho citado é o uso interno da edge AI pelas próprias operadoras. A proposta é aplicar a tecnologia em atividades relacionadas a big data e mineração de dados, com foco em elevar a eficiência operacional. Nesse cenário, a inteligência artificial funcionaria como ferramenta de suporte para análise e processamento de informações já geradas pelas telcos.
O segundo modelo mencionado é o aluguel de equipamentos em formato HaaS, sigla para hardware as a service. Nesse arranjo, as operadoras atuariam como canal de distribuição para levar os dispositivos ao cliente final, já que a Qualcomm, conforme explicou o executivo, não comercializa devices diretamente.
O terceiro caminho seria a oferta de IA as a service. De acordo com a explicação apresentada no evento, os data centers ficariam responsáveis pela infraestrutura, a Qualcomm forneceria as soluções tecnológicas e as operadoras levariam essa oferta ao mercado. O foco principal, nesse caso, estaria no segmento B2B.
Há expectativa de receita direta com o tráfego de IA?
Nakandakare afirmou que não vê ganho direto das operadoras apenas com o tráfego ligado à inteligência artificial. Em vez disso, a avaliação é de que o crescimento virá de forma progressiva, impulsionado pelo maior consumo decorrente de projetos implantados dentro das empresas.
Essa leitura sugere um cenário de maturação mais lenta, em que a monetização dependeria menos de um aumento imediato de uso de rede e mais da consolidação de aplicações corporativas capazes de demandar soluções de edge computing com IA.
Como a Qualcomm exemplificou o uso de edge AI na prática?
Ao tratar de casos concretos, o diretor citou uma iniciativa da Qualcomm com a Vale. Segundo o relato, a mineradora utilizou câmeras com inteligência artificial para monitorar 140 parâmetros de segurança em terminais de locomotivas.
De acordo com a apresentação mencionada no evento, o uso da tecnologia evitou que trabalhadores precisassem fazer inspeções sob calor de 40º. O projeto também teria gerado economia anual de R$ 30 milhões para a companhia.
Por que a edge AI foi apresentada como alternativa menos custosa?
Nakandakare argumentou que a inteligência artificial na ponta tem custo menor porque utiliza placas NPU para inferência. Ele contrastou esse modelo com o treinamento de IA em data centers, que, segundo disse, depende de GPUs de empresas como NVIDIA e AMD, descritas como mais caras.
Outro ponto destacado foi a redução no volume de tokens enviados para a nuvem, já que somente o necessário seguiria para processamento remoto. Na avaliação apresentada, isso contribui para maior eficiência no uso da infraestrutura.
- Uso interno para big data e mineração de dados
- Aluguel de equipamentos em modelo HaaS
- Oferta de IA as a service para o mercado, com foco em B2B
- Menor custo com inferência na borda
- Mais segurança e menor latência, segundo a Qualcomm
Além do fator econômico, o executivo afirmou que o edge também oferece mais segurança e melhor tempo de resposta, com latência mais baixa. A avaliação reforça a aposta da empresa em aplicações descentralizadas, nas quais parte do processamento ocorre mais perto do ponto de uso, sem depender integralmente da nuvem.