O dólar operava em alta e o Ibovespa recuava na manhã de 24 de março de 2026. O movimento refletia a cautela dos investidores diante das incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã, da retomada da alta do petróleo e da divulgação da ata do Banco Central do Brasil sobre a política monetária. Por volta das 10h20, a moeda norte-americana subia 0,63%, cotada a R$ 5,2733, e o principal índice da bolsa brasileira caía 0,31%, aos 181.367 pontos. De acordo com informações do g1 Economia, o movimento refletia tanto o cenário geopolítico no Oriente Médio quanto a agenda econômica no Brasil e no exterior.
O avanço do dólar e a queda da bolsa ocorreram em meio à volta da pressão sobre os preços internacionais do petróleo. Após forte recuo na véspera, o barril do tipo Brent subia 2,53% por volta das 8h46, a US$ 98,35, enquanto o WTI, referência dos Estados Unidos, avançava 2,68%, a US$ 90,49. O mercado reagia a dúvidas sobre um possível acordo entre EUA e Irã e ao risco de interrupções no fornecimento global de energia.
Por que o dólar subiu e o Ibovespa caiu nesta terça-feira?
Segundo o texto original, o mercado passou a reavaliar os riscos no Oriente Médio depois de declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre uma possível conversa com o Irã. Ao mesmo tempo, a imprensa citou negociações envolvendo Steve Witkoff, Jared Kushner e Mohammad-Bagher Ghalibaf, mas Ghalibaf negou as informações e afirmou que se tratavam de “fake news” para influenciar o preço do petróleo.
Em 24 de março de 2026, Israel e Irã voltaram a trocar ataques, um dia após Trump mencionar possíveis negociações. Um ataque aéreo iraniano na madrugada deixou feridos em Tel Aviv, enquanto Israel afirmou que pode criar uma “zona de segurança” no sul do Líbano. Nesse contexto, investidores voltaram a buscar proteção e a monitorar com mais cautela os impactos sobre energia, inflação e crescimento.
Como o petróleo influenciou os mercados?
A alta do petróleo voltou ao centro das atenções depois da queda de 11,12% registrada na sessão anterior, quando o Brent havia fechado cotado a US$ 99,72. Com o conflito em andamento e o risco envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica entre o Golfo Pérsico e o oceano Índico, o mercado passou a precificar possíveis restrições de oferta.
Analistas mencionados no texto avaliam que o cenário segue frágil e que os preços de energia podem continuar elevados mesmo em caso de trégua. Esse ambiente tende a aumentar a aversão ao risco e afeta moedas, bolsas e expectativas de inflação em diversos países, incluindo o Brasil.
O que disse a ata do Copom divulgada pelo Banco Central?
O Banco Central afirmou na ata do Comitê de Política Monetária que a guerra no Oriente Médio piorou o cenário inflacionário brasileiro, sobretudo por causa da alta do petróleo e do possível repasse aos combustíveis. O documento foi divulgado após a reunião que reduziu a Selic de 15% para 14,75%, no primeiro corte em quase dois anos.
Segundo a autoridade monetária, os juros devem permanecer em nível restritivo por mais tempo. O BC evitou sinalizar com clareza os próximos passos, mas destacou que o ritmo de queda pode ser mais lento diante do aumento das incertezas. Também afirmou que as expectativas de inflação voltaram a subir e permanecem acima da meta.
- Dólar às 10h20: R$ 5,2733, com alta de 0,63%
- Ibovespa às 10h20: 181.367 pontos, com queda de 0,31%
- Brent às 8h46: US$ 98,35, com alta de 2,53%
- WTI às 8h46: US$ 90,49, com alta de 2,68%
- Nova Selic após reunião do Copom: 14,75%
Quais outros indicadores estavam no radar do mercado?
Nos Estados Unidos, investidores acompanhavam a divulgação dos PMIs, indicadores de atividade da indústria e de serviços, além de dados sobre emprego, produtividade e custo do trabalho. No Brasil, a agenda incluía a arrecadação federal de fevereiro, divulgada pela Receita Federal, e o relatório bimestral de receitas e despesas a ser publicado pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento.
No acumulado, o dólar registrava queda de 1,29% na semana, alta de 2,07% no mês e baixa de 4,53% no ano. O Ibovespa, por sua vez, acumulava alta de 3,24% na semana, queda de 3,63% no mês e avanço de 12,91% em 2026.
Como estavam os mercados internacionais?
Em Wall Street, o comportamento era de volatilidade, sem direção única. Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 caíam 0,2%, perto da estabilidade, enquanto o Dow Jones recuava 0,71%. O ambiente seguia influenciado pelas dúvidas sobre a guerra no Oriente Médio e pela possibilidade de um acordo envolvendo os EUA.
Na Ásia, as bolsas fecharam em alta após Donald Trump adiar a ameaça de ataque ao Irã, o que trouxe alívio momentâneo. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 2,79%. Em Xangai, o SSEC avançou 1,78%, e o CSI300 ganhou 1,28%. No Japão, o Nikkei teve alta de 1,4%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 2,74%. Ainda assim, o mercado global manteve a cautela diante da continuidade do conflito e da negativa de Teerã sobre negociações.
