O Centro de Ciências e Planetário do Pará (CCPPA), unidade vinculada à Universidade do Estado do Pará (Uepa), promoveu entre 14 e 17 de abril de 2026 uma série de atividades educativas focadas na prevenção da Doença de Chagas. A iniciativa, realizada em Belém, integrou a programação em alusão ao Dia Mundial da Doença de Chagas e buscou aproximar estudantes e o público em geral do conhecimento científico sobre o ciclo de vida do inseto vetor e as formas de contágio da enfermidade.
De acordo com informações da Agência Pará, as ações de conscientização ganham relevância diante de um cenário de alerta epidemiológico. O professor da Uepa e coordenador do espaço de Biologia do CCPPA, Antônio Sergio Carvalho, ressaltou que a divulgação científica é uma ferramenta estratégica, especialmente em virtude do aumento no registro de casos pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) no primeiro trimestre deste ano.
Como o Planetário do Pará aborda a prevenção da Doença de Chagas?
As estratégias de ensino no Planetário incluem a exibição de vídeos informativos durante as sessões de cúpula. Entre as produções apresentadas estão materiais da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e do Instituto Evandro Chagas (IEC), que detalham os cuidados necessários para evitar a proliferação do vetor e o manejo correto de alimentos. No espaço dedicado à Biologia, os visitantes têm acesso a microscópios para observar lâminas do protozoário Trypanosoma cruzi e caixas entomológicas com espécimes reais do inseto conhecido como barbeiro.
A técnica em Biologia do CCPPA, Fernanda Barros, explicou que a abordagem interativa permite que o público compreenda a gravidade da doença de forma concreta.
Na nossa região, os casos de transmissão têm ocorrido principalmente pela via oral, associada ao consumo de alimentos contaminados, como o açaí, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação e às estratégias de prevenção
, pontuou a especialista durante as atividades escolares.
Qual o papel das escolas nas atividades de conscientização?
A programação atendeu cerca de 330 alunos de municípios como Belém, Abaetetuba, Ananindeua e Mosqueiro. Um dos grupos participantes foi composto por 60 estudantes da E.M.E.F Arlinda Gomes, uma escola quilombola de Mosqueiro. Para a professora de Ciências Bruna Pereira, a experiência foi transformadora para os jovens, que puderam ver pela primeira vez em microscópios os agentes causadores da doença que impacta a realidade amazônica.
O engajamento dos estudantes é fundamental para a multiplicação das informações em suas comunidades. O aluno Arlley Davy dos Santos, do nono ano, destacou que o aprendizado sobre as formas de prevenção será levado para o cotidiano. Já o estudante Kleber Yuri Vale Soares ressaltou pontos críticos da transmissão vertical e transfusional.
Aqui, aprendi coisas bem importantes. Por exemplo, se a pessoa possuir a Doença de Chagas, ela não pode doar sangue, pois o sangue estará infectado
, relatou o jovem.
Quais são as principais formas de transmissão da doença?
A Doença de Chagas é uma zoonose parasitária que pode ser contraída de diversas maneiras, exigindo vigilância constante da população e das autoridades de saúde. As principais vias de infecção discutidas durante as palestras e exposições no Planetário incluem:
- Via Vetorial: Contato das fezes do inseto triatomíneo infectado com feridas na pele ou mucosas após a picada.
- Via Oral: Ingestão de alimentos ou bebidas contaminados, como açaí ou caldo de cana, processados inadequadamente.
- Transmissão Vertical: Passagem do parasita da mãe infectada para o bebê durante a gestação ou o parto.
- Transfusão e Transplantes: Recebimento de sangue ou órgãos de doadores infectados.
- Acidentes Laboratoriais: Contato direto com material contaminado em ambientes de pesquisa ou manipulação de animais silvestres.
A ação desenvolvida pelo Planetário do Pará contou com a parceria do Projeto Expresso Chagas, da Fiocruz, reforçando o compromisso da instituição com a educação não formal e a saúde pública na região Norte. A integração entre ciência e sociedade é vista como o caminho primordial para reduzir os índices de contaminação e garantir o diagnóstico precoce da enfermidade.