A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados promove, nesta quarta-feira (8 de abril de 2026), o 4º Seminário sobre Direitos dos Povos Indígenas no Congresso Nacional. O encontro, que terá início às 14 horas no auditório Nereu Ramos, o maior da Casa legislativa em Brasília, integra as atividades oficiais do Poder Legislativo em consonância com as mobilizações nacionais voltadas à preservação das garantias constitucionais das comunidades tradicionais.
De acordo com informações da Agência Câmara de Notícias, a realização do debate atende a um requerimento apresentado pela deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP), atual presidente do colegiado. O seminário é estruturado como uma extensão das discussões iniciadas em anos anteriores, consolidando um espaço de diálogo contínuo entre parlamentares e lideranças originárias de diferentes regiões do território brasileiro.
Qual é a relação entre o seminário e o Acampamento Terra Livre?
O evento acontece de forma paralela ao Acampamento Terra Livre (ATL), considerado o maior e mais relevante encontro de povos originários no Brasil, que ocorre anualmente na capital federal. Segundo a deputada Juliana Cardoso, a quarta edição deste seminário busca dar sequência aos debates que foram realizados pela comissão durante as edições de 2024 e 2025 do acampamento, reforçando a ponte entre os movimentos sociais e as instâncias de decisão política.
A organização do Acampamento Terra Livre fica a cargo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a principal organização de representação do movimento indígena no país. A previsão é que a mobilização em Brasília conte com a participação de um público expressivo, com estimativas que variam entre 7 mil e 8 mil pessoas. O grupo é composto por representantes de diversos biomas brasileiros, além de observadores e apoiadores não indígenas interessados na pauta humanitária e ambiental. A programação geral do acampamento deve se estender até o próximo sábado (11 de abril de 2026).
Quais temas serão priorizados durante o debate na Câmara?
A pauta do seminário está concentrada em questões críticas que afetam diretamente a segurança e a soberania dos territórios tradicionais. Entre os pontos centrais da discussão, destacam-se:
- O combate à violência sistemática praticada contra indivíduos e comunidades indígenas;
- A análise técnica e jurídica sobre a tese do marco temporal;
- O fortalecimento da pauta indígena dentro do cotidiano dos trabalhos parlamentares;
- O estabelecimento de novos diálogos legislativos focados na defesa dos direitos fundamentais.
A tese do marco temporal é um dos tópicos mais sensíveis do encontro. Trata-se de uma interpretação jurídica que pretende limitar o reconhecimento de terras indígenas apenas àquelas que já estavam ocupadas ou em disputa judicial na data da promulgação da Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988. Segundo a parlamentar, essa interpretação tem sido amplamente contestada por uma coalizão que inclui povos originários, juristas, especialistas em Direito Constitucional e diversas organizações da sociedade civil.
Como a violência no campo se relaciona com a legislação?
A deputada Juliana Cardoso ressalta que o marco temporal é apontado por especialistas como um dos principais fatores que contribuem para o agravamento dos conflitos e da violência contra os povos originários no país. A insegurança jurídica em torno da demarcação de terras criaria um ambiente propício para disputas territoriais violentas.
“A realização deste 4º seminário é, portanto, uma excelente oportunidade para dar continuidade a esses debates, atualizá-los e, ao mesmo tempo, fortalecer essa pauta no cotidiano parlamentar e estabelecer diálogos legislativos comprometidos com a defesa dos direitos dos povos originários.”
O seminário busca, portanto, não apenas discutir os problemas, mas atualizar as pautas legislativas e garantir que o Congresso Nacional atue de forma comprometida com a proteção dos direitos fundamentais assegurados pela Constituição. Com a presença de lideranças de todo o país, o evento espera consolidar propostas que possam tramitar com maior celeridade nas comissões da Câmara e do Senado Federal ao longo do ano legislativo.



