O setor de transporte rodoviário interestadual de passageiros enfrenta um momento desafiador, conforme analisado por Ilo Löbel da Luz, advogado e especialista em regulação. Segundo ele, a insistência em métodos tradicionais pode representar um risco significativo para a sobrevivência do setor. A avaliação foi feita com base nas cartas anuais de Andy Jassy, CEO da Amazon, que trazem mensagens sobre a necessidade de adaptação para sobreviver. O transporte rodoviário brasileiro ainda opera sob a suposição de que o futuro é apenas uma extensão do passado, o que, segundo Löbel, não é mais viável, principalmente devido à volatilidade do comportamento dos passageiros.
De acordo com informações do Diário Transporte, a dependência de séries históricas para planejamento, comum no setor, está desacreditada. A crença em uma demanda previsível contrasta com a necessidade de uma abordagem adaptativa, tanto nas operações tradicionais quanto nas plataformas digitais emergentes. Para ser competitivo, o transporte rodoviário precisa implementar mudanças inovadoras, como embarques com biometria facial e precificação dinâmica, ao invés de simplesmente renovar a frota.
Quais são os riscos do modelo atual?
A insistência na previsibilidade de demanda e o foco no passado criam um descompasso significativo no setor. Segundo Löbel, isso abre espaço para novos competidores, especialmente aqueles que adotam a lógica adaptativa, como plataformas digitais que operam em tempo real. A entrada de competidores que utilizam tecnologias avançadas pode aprofundar a assimetria competitiva dentro do setor.
Outro ponto crítico é a confusão entre investimento e transformação. Adquirir novos ônibus e melhorar o conforto não é suficiente para modificar o modelo de negócios vigente. Löbel acredita que a verdadeira inovação reside na reconstrução das jornadas e na personalização da experiência do passageiro.
Como a tecnologia pode salvar o setor?
Segundo Löbel, a aplicação de inteligência artificial (IA) em aspectos como a escala de motoristas e manutenção preditiva se tornou essencial. Empresas que ignoram essas tecnologias enfrentam custos operacionais mais altos e perdem competitividade. A IA agora é um pré-requisito, não uma vantagem competitiva.
“O maior ativo de uma transportadora hoje pode, paradoxalmente, ser o maior freio à inovação.”
Conforme o setor se ajusta ao novo marco regulatório da ANTT, Löbel sugere que as empresas adotem uma mentalidade que privilegie a velocidade organizacional sobre ativos físicos. Isso envolve testar novos formatos de serviço e estar disposto a abandonar modelos que não funcionam mais.
Löbel conclui que, embora o transporte rodoviário brasileiro não vá desaparecer, ele corre o risco de perder relevância, a menos que as empresas se adaptem e abracem novas formas de operar.