Derramamento de óleo no Ártico expõe corrida por novas formas de contenção - Brasileira.News
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Derramamento de óleo no Ártico expõe corrida por novas formas de contenção

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O aumento da navegação em águas geladas do Ártico, incluindo navios antigos que transportam petróleo e gás, elevou o risco de derramamentos ambientais em uma das regiões mais frágeis do planeta. Em resposta, cientistas testam micróbios, dispersantes químicos e queimadas controladas para conter vazamentos, mas os resultados ainda são limitados. De acordo com informações do Guardian Environment, os estudos mais recentes indicam que as técnicas disponíveis não acompanharam a mudança no perfil dos combustíveis e o avanço do tráfego marítimo na região.

Um dos testes citados pela reportagem foi realizado no inverno passado no Churchill Marine Observatory, no Canadá. Pesquisadores liberaram 130 litros de diesel em uma piscina coberta por gelo e preenchida com água do mar bruta bombeada da Baía de Hudson, adicionando micróbios capazes de consumir óleo. A equipe queria verificar se um método usado com sucesso no desastre da Deepwater Horizon, no Golfo do México, poderia funcionar também em águas muito frias.

Por que o risco de derramamento no Ártico está crescendo?

Segundo dados reunidos pela Bellona Foundation, ao menos 100 embarcações da chamada frota sombra navegaram pela rota marítima do norte da Rússia no ano passado. Em 2024, haviam sido 13, e em 2023, nenhuma. Em 2025, mais da metade dessas embarcações era formada por petroleiros e navios de gás natural liquefeito, sendo 18 com classificação de gelo baixa ou inexistente, ou seja, sem projeto adequado para operar em águas congeladas.

Sian Prior, principal conselheira da Clean Arctic Alliance, afirmou que esse movimento amplia as incertezas sobre rotas, cargas e condições dos navios. Já Ksenia Vakhrusheva, gerente do projeto Ártico da Bellona Foundation, disse que muitas dessas embarcações são petroleiros destinados originalmente à sucata, o que aumenta a preocupação caso encontrem gelo leve ou blocos flutuantes durante a travessia.

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“They are usually tankers meant for scrap, but the previous owners didn’t want to pay for scrapping so they just sold the ships elsewhere. These types of vessels are the most concerning if they go along the northern sea route, because even if they come across light ice or some floating ice formations, it can be dangerous.”

Quais são as dificuldades para limpar óleo em águas árticas?

O comportamento do óleo no Ártico difere daquele observado em mares mais quentes. As baixas temperaturas tornam alguns combustíveis mais viscosos, formando massas semelhantes a melaço, que podem afundar, misturar-se ao sedimento ou aderir ao gelo. Além disso, o gelo marinho atrapalha o uso de barreiras e equipamentos de recolhimento na superfície, enquanto os métodos de bombeamento e transferência enfrentam dificuldades porque o material fica mais espesso.

Synnøve Lofthus, consultora sênior da Administração Costeira da Noruega, resumiu o desafio ao afirmar que a própria condição ártica torna qualquer resposta mais difícil, tanto para chegar ao local quanto para atuar rapidamente. No experimento canadense, os micróbios não reagiram com rapidez nas primeiras três semanas. Depois de oito semanas, porém, os pesquisadores observaram crescimento expressivo de uma bactéria que consumia o óleo. Ainda assim, esse prazo é considerado longo demais para uma resposta emergencial.

“When we went back eight weeks later, we saw that there was a big change,” Collins says. “One particular bacterium grew to a very high abundance in the tanks and it was clear that it was feeding on the oil.”

Que soluções estão sendo testadas e quais são as limitações?

Ao longo dos últimos 15 anos, milhões de dólares foram direcionados a programas para desenvolver tecnologias de resposta rápida a derramamentos no Ártico. Um dos principais foi o Arctic Oil Spill Response Technology Joint Industry Programme, criado em 2012 com US$ 20 milhões fornecidos por empresas de combustíveis fósseis. Encerrado em 2017, o programa reconheceu em seu relatório de síntese que melhorias substanciais na recuperação mecânica não puderam ser obtidas com novos desenhos de equipamentos.

Com isso, parte dos esforços passou a se concentrar em dispersantes químicos, que fragmentam a mancha de óleo em partículas menores na coluna d’água, e em queimadas in situ para remover o combustível. Mas essas alternativas também trazem consequências. Lofthus alertou que os dispersantes podem afetar organismos em fases iniciais de vida, especialmente em áreas de alta produção biológica junto à borda do gelo. Já a queima pode funcionar no Ártico porque gases inflamáveis evaporam mais lentamente, mas gera carbono negro, o que pode acelerar o derretimento do gelo.

  • Micróbios podem degradar o óleo, mas a resposta observada levou semanas.
  • Dispersantes químicos ajudam a quebrar a mancha, porém podem trazer impactos ecológicos.
  • Queimadas controladas removem parte do óleo, mas produzem carbono negro.
  • Equipamentos mecânicos seguem com eficiência limitada em presença de gelo.

O que mudou nos combustíveis usados pelos navios?

Segundo a reportagem, um fator adicional complicou o cenário a partir de 2020, quando a International Maritime Organization adotou um limite de enxofre nos combustíveis marítimos para reduzir emissões do transporte naval. A consequência não planejada foi a adoção de combustíveis novos, ainda mais difíceis de limpar em caso de vazamento.

Lofthus afirmou que esses combustíveis de baixo teor de enxofre frequentemente são misturados com parafinas, formando grumos ou apresentando propriedades viscoelásticas que dificultam ainda mais a recuperação. Ela acrescentou que embarcações da frota sombra na rota do norte podem ainda usar óleo combustível pesado, enquanto outros navios abastecem com o combustível mais barato disponível, ampliando as incertezas sobre os riscos ambientais.

Além da navegação russa, o desenvolvimento de infraestrutura e a militarização crescente da região estimularam novos investimentos em pesquisa. O trabalho conduzido por Eric Collins recebeu financiamento do governo do Canadá. O pesquisador afirmou que o foco recente em Churchill também se relaciona à possibilidade de expansão da importância portuária da área no futuro, o que reforça a necessidade de estudos sobre resposta a derramamentos no ambiente subártico e ártico.

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