
O governo central registrou déficit primário de R$ 30,046 bilhões em fevereiro de 2026, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta segunda-feira, 30 de março. O resultado reúne as contas de Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central e foi pressionado por despesas com o programa Pé-de-Meia e reajustes ao funcionalismo público, em um contexto de crescimento simultâneo de receitas e gastos. De acordo com informações do Monitor Mercantil, o saldo negativo ficou abaixo do observado no mesmo mês de 2025.
O déficit primário acontece quando as despesas superam as receitas, sem considerar os juros da dívida pública. Apesar do resultado negativo em fevereiro, houve melhora em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o rombo foi de R$ 31,598 bilhões. O desempenho também veio melhor do que a estimativa de mercado citada pela pesquisa Prisma Fiscal, divulgada mensalmente pelo Ministério da Fazenda, que projetava déficit de R$ 34,3 bilhões.
O que explica o déficit do governo em fevereiro?
Segundo o texto original, o resultado refletiu aumento da arrecadação, impulsionado por tributos e contribuições, mas também avanço das despesas em áreas como Previdência, pessoal e programas sociais. Em fevereiro, a receita líquida somou R$ 157,8 bilhões, com alta real de 5,6%, enquanto as despesas totais chegaram a R$ 187,7 bilhões, crescimento real de 3,1%.
Entre os fatores apontados para a expansão das receitas estão a alta na arrecadação de tributos como Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF, e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, a Cofins, além do crescimento das contribuições para a Previdência Social, associado ao aumento do emprego formal. Esses ganhos, porém, não foram suficientes para compensar integralmente a pressão dos gastos.
Quais despesas pressionaram mais as contas públicas?
O avanço das despesas esteve ligado, de acordo com o material publicado, tanto à execução de políticas públicas quanto ao aumento do número de beneficiários e aos reajustes salariais. Os principais aumentos informados foram os seguintes:
- Educação: R$ 3,4 bilhões a mais, com impacto do programa Pé-de-Meia;
- Saúde: R$ 1,4 bilhão a mais;
- Pessoal: R$ 2,2 bilhões a mais, em razão de reajustes a servidores;
- Previdência: R$ 1,7 bilhão a mais.
O texto também informa que parte da arrecadação maior ajudou a compensar a queda em receitas não administradas, como dividendos de estatais. Ainda assim, o crescimento dos gastos superou a capacidade de cobertura pelas receitas do mês, resultando no déficit primário de fevereiro.
Como ficou o resultado no acumulado do ano?
No primeiro bimestre de 2026, o governo ainda manteve resultado positivo graças ao superávit de R$ 86,9 bilhões em janeiro, mês tradicionalmente marcado por desempenho fiscal melhor. Com isso, o superávit primário acumulado em janeiro e fevereiro ficou em R$ 56,85 bilhões.
Os números do ano apresentados no texto são:
- Superávit primário acumulado: R$ 56,85 bilhões;
- Receita líquida: R$ 430,5 bilhões, com alta real de 2,8%;
- Despesas totais: R$ 373,6 bilhões, com crescimento real de 3%.
Em relação aos investimentos, obras públicas e compra de equipamentos somaram R$ 9,527 bilhões em janeiro e fevereiro. Segundo o artigo original, isso representa alta de 49,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, descontada a inflação.
Qual é a meta fiscal do governo para 2026?
A meta fiscal do governo para 2026 é encerrar o ano com superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto, cerca de R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal, conforme o texto, admite margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB. O resultado primário é um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado e pela equipe econômica para medir o cumprimento da meta fiscal.
Na prática, isso significa que o resultado primário pode variar entre zero e R$ 68,6 bilhões de superávit. O material também informa que parte das despesas, como precatórios e alguns gastos com defesa, saúde e educação, pode ser retirada do cálculo. Ainda segundo o artigo, os ministérios da Fazenda e do Planejamento divulgaram, na semana anterior, que a previsão oficial de déficit, considerando todos os gastos públicos, está em R$ 59,8 bilhões no ano.