A Dataprev divulgou nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, os resultados financeiros de 2025, com lucro líquido de R$ 899,7 milhões, alta de 77% em relação ao ano anterior, e faturamento líquido de R$ 2,5 bilhões, crescimento de 29,5%. Segundo a empresa, o desempenho foi impulsionado principalmente pelo segmento de instituições financeiras, com destaque para a infraestrutura tecnológica do crédito consignado a trabalhadores com FGTS. De acordo com informações do Convergência Digital, a receita bruta totalizou R$ 2,7 bilhões em 2025.
Do total arrecadado, 60,6% vieram do segmento de instituições financeiras, cerca de R$ 1,6 bilhão. Já o setor público respondeu por 39,4% da receita, com avanço agregado de 26,7%, movimento associado a revisões contratuais e a demandas ligadas a políticas públicas.
O que puxou o crescimento da Dataprev em 2025?
No segmento privado, o principal motor de crescimento foi o serviço de Crédito do Trabalhador, descrito pela empresa como a infraestrutura tecnológica que viabiliza empréstimos consignados a trabalhadores com FGTS. Esse serviço gerou R$ 111,8 milhões em receita e contribuiu para uma expansão de R$ 202,4 milhões no faturamento com instituições financeiras, o que representa alta de 13,9% nesse segmento.
Entre os clientes públicos, o destaque foi o INSS, que aparece como maior cliente governamental da estatal. As receitas com a autarquia somaram R$ 526,8 milhões, equivalentes a 19,2% do total. O contrato com o INSS foi renovado em novembro de 2024 e, segundo os números divulgados, resultou em aumento de 42,2% no faturamento.
Quais órgãos públicos mais geraram receita para a estatal?
Depois do INSS, os principais clientes públicos citados no balanço foram o Ministério da Gestão e Inovação, a Receita Federal e o Ministério do Trabalho. Os valores informados foram os seguintes:
- INSS: R$ 526,8 milhões
- Ministério da Gestão e Inovação: R$ 134 milhões
- Receita Federal: R$ 131 milhões
- Ministério do Trabalho: R$ 120 milhões
Os números mostram que, embora o crédito consignado tenha liderado a receita, a participação de contratos com órgãos federais continuou relevante no resultado da companhia ao longo de 2025.
Como ficaram os investimentos e as despesas com tecnologia?
A Dataprev informou ter investido R$ 147,4 milhões em capital ao longo de 2025, avanço de 52,1% sobre os R$ 96,9 milhões registrados no ano anterior. Desse total, R$ 111,7 milhões foram destinados a hardware e software. A geração de caixa ficou positiva em R$ 234,9 milhões, enquanto o superávit primário foi de R$ 25,5 milhões.
Os maiores grupos de dispêndio da empresa no período foram:
- pessoal: 47,8%
- hardware e software: 15,7%
- tributos: 15%
A estatal também apontou uma mudança no modelo de tecnologia, com migração de uma estrutura predominantemente transacional para uma arquitetura baseada em computação em nuvem, virtualização e contratações sob demanda. Esse movimento apareceu na evolução das despesas operacionais com tecnologia, que passaram de R$ 141,6 milhões em 2024 para R$ 309,6 milhões em 2025. Ao mesmo tempo, os investimentos em software via Capex recuaram de R$ 13,3 milhões para R$ 1,7 milhão.
O que a Dataprev disse sobre a mudança de modelo tecnológico?
No relatório, a empresa afirmou:
nas contratações de software, infraestrutura de TI e plataformas, a Dataprev vem substituindo os investimentos que eram classificados com Capex por despesas operacionais (Opex), à medida que evoluem no mercado os modelos de oferta desses elementos como serviços (Software as a Service-SaaS, Infrastructure as a Service-IaaS e Plataform as a Service-PaaS)
Na mensagem do presidente Rodrigo Assumpção, o documento também registra:
A Dataprev vem investindo em tecnologias que promovam interoperabilidade crescente às bases de dados. Computação em nuvem, ferramentas de Inteligência Artificial e análise avançada de dados enfatizam a amplificação das infraestruturas públicas digitais
A companhia acrescenta que essa evolução converge para a consolidação da chamada nuvem de governo, iniciativa em que se posiciona como fornecedora estratégica de serviços de computação em nuvem para o setor público federal. Ainda segundo o relatório, o modelo que combina ambientes próprios e parcerias tecnológicas busca ampliar a flexibilidade financeira, manter atualização contínua das tecnologias utilizadas e reduzir riscos de obsolescência.