O custo de capital (Capex) da energia solar fotovoltaica deve registrar uma queda significativa e variar entre € 166 (US$ 192) e € 720 por quilowatt (kW) até o ano de 2050. A projeção faz parte de um novo estudo conduzido por pesquisadores da LUT University, localizada na Finlândia, que analisou o papel da tecnologia nas transições energéticas globais. O levantamento revisou sistematicamente a literatura científica para entender como as premissas econômicas moldam o futuro da matriz elétrica mundial.
De acordo com informações da PV Magazine, os valores projetados consideram ajustes inflacionários. O valor de € 166 segue a convenção padrão para indicar valores nominais na moeda de 2019, enquanto a estimativa de € 720 baseia-se nos índices de 2017. O professor de Economia Solar da instituição finlandesa, Christian Breyer, explicou que todos os custos anteriores a 2022 foram reajustados em 20% para compensar a inflação global.
Por que as projeções sobre o futuro da energia solar fotovoltaica são subestimadas?
As estimativas sobre a capacidade de expansão da tecnologia frequentemente carecem de precisão. O coautor da pesquisa, Dennis Bredemeier, ressaltou que os resultados das modelagens de sistemas de energia podem ser severamente afetados por resoluções espaciais ou temporais insuficientes.
“As suposições sobre a energia solar fotovoltaica são muitas vezes pessimistas”
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, afirmou o pesquisador.
Para chegar aos resultados, os acadêmicos selecionaram um conjunto de dados restrito a estudos que preveem pelo menos 95% de eletricidade renovável até 2050, excluindo matrizes nucleares. A análise abrangeu 60 pesquisas que cobrem os setores de energia, aquecimento e transporte. O objetivo central foi capturar os efeitos de acoplamento entre esses diferentes segmentos e descartar trabalhos com escopo geográfico limitado ou insuficiência de dados, garantindo assim consistência e comparabilidade.
Como as premissas de custo afetam a participação da tecnologia no mercado?
A revisão da literatura identificou que, apesar das diferenças metodológicas, a maioria das pesquisas converge para um cenário comum: até o ano de 2050, a combinação de fontes fotovoltaicas e eólicas será responsável por fornecer entre 80% e 100% da geração de eletricidade global. Participações combinadas inferiores a essa margem ocorrem apenas em nações que possuem forte presença de recursos hídricos ou energia geotérmica, além daquelas que dependem de importação energética.
Os resultados demonstram que as premissas de custo de capital exercem influência direta na fatia de mercado projetada para a tecnologia. Custos mais baixos impulsionam maiores níveis de implantação. Além disso, a modelagem revelou que os especialistas frequentemente tratam os painéis como uma solução genérica, ignorando a vasta diversidade do setor. As oportunidades negligenciadas pelas avaliações conservadoras incluem:
- Sistemas flutuantes montados sobre espelhos d’água;
- Painéis bifaciais que captam luz de ambos os lados;
- Soluções agrivoltaicas integradas à produção agrícola;
- Módulos acoplados diretamente em veículos ou edificações;
- Rastreadores dinâmicos que acompanham a movimentação do sol ao longo do dia.
Quais são os riscos nas cadeias de suprimentos e materiais críticos?
O excesso de conservadorismo técnico e financeiro distorce a percepção sobre a transição energética global. Segundo Breyer, muitas análises dependem de projeções de capital inicial que excedem os níveis atuais de mercado, apresentando estimativas para 2050 que são mais caras do que os valores já praticados pela indústria no presente.
As despesas atuais e futuras dependem primordialmente da estabilidade nas cadeias de suprimentos mundiais. Embora o aumento dos riscos geopolíticos adicione graus de incerteza às projeções financeiras, a experiência histórica evidencia que as redes de fabricação podem ser estabelecidas rapidamente em múltiplas regiões com elevações marginais de preço. O professor destacou que os perigos de curto prazo não são negligenciáveis, mas as ameaças de médio prazo tendem a permanecer perfeitamente administráveis.
As preocupações referentes à escassez de matérias-primas essenciais também são consideradas limitadas pelos pesquisadores europeus. Restrições operacionais chave, como a utilização de prata para a metalização das células fotovoltaicas, devem ser solucionadas em breve. A expectativa da equipe acadêmica é que tecnologias de substituição de materiais surjam a partir do ano de 2026, eliminando definitivamente este potencial gargalo produtivo. O levantamento detalhado foi publicado oficialmente na revista científica Renewable and Sustainable Energy Reviews.