Cuba acompanha a movimentação militar dos Estados Unidos na região após ameaças de Donald Trump de “tomar Cuba”, segundo declarou neste domingo, 13 de abril de 2026, em Havana, o embaixador e diretor do Centro de Investigações de Política Internacional, José R. Cabañas Rodríguez. De acordo com informações da Agência Brasil, o diplomata afirmou que o risco de uma ação militar americana é tratado pelo governo cubano como uma possibilidade histórica para a qual o país se prepara.
Cabañas disse que autoridades cubanas analisam de forma constante a situação militar ao redor da ilha e observam que conflitos contemporâneos podem ser conduzidos à distância. Na avaliação do diplomata, a ameaça de uma ofensiva dos EUA acompanha Cuba desde a Revolução de 1959 e tende a reaparecer em momentos de maior fragilidade econômica do país.
“Os que precisam analisar a iminência, ou não, da invasão fazem o seu trabalho, se estuda constantemente o movimento das forças militares, sabemos que a guerra hoje pode ser liberada à distância”, disse.
Cuba considera uma invasão dos EUA uma ameaça permanente?
Segundo José Cabañas, sim. Ele afirmou que a possibilidade de uma ação militar sempre esteve no horizonte político e estratégico cubano. Ao relembrar episódios anteriores, o diplomata citou a invasão da Praia Girón, em 1961, apoiada pelos EUA e derrotada por forças leais a Fidel Castro, como um marco da preparação do país para esse tipo de cenário.
O embaixador também mencionou momentos em que, na percepção cubana, o risco pareceu mais próximo, como a invasão norte-americana de Granada, em 1983, e a do Panamá, em 1989. Segundo ele, naquele ano houve grande mobilização de forças militares nas proximidades de Cuba, o que levou parte da população a considerar uma invasão iminente.
“É uma possibilidade para a qual Cuba historicamente se preparou, e entendemos aqui que a chave para enfrentar tal situação é a unidade do povo”, completou.
Qual é o peso de Guantánamo e da guerra de informação nesse contexto?
Cabañas destacou como agravante a presença da base naval dos EUA em Guantánamo, em território cubano, ocupada pelos americanos desde 1903. Segundo ele, essa estrutura reduz a necessidade de deslocamento militar em caso de ação contra a ilha e mantém a sensação de ameaça ao longo de gerações.
O diplomata afirmou ainda que o atual cenário é marcado por excesso de informações sobre uma possível invasão, o que, na visão dele, pode servir para intimidar a população cubana. Ele avaliou que a circulação dessas mensagens faz parte de uma disputa informacional voltada a desestimular a sociedade diante da possibilidade de agressão externa.
“Sabemos que as guerras atuais se lutam, de alguma maneira, usando a informação. Se trata de contaminar o país e a população que vão ser agredidos, para que as pessoas tenham medo, se desanimem”, comentou.
Como o bloqueio ao petróleo afeta as negociações entre Havana e Washington?
A reportagem informa que a Casa Branca tem renovado ameaças de ação militar contra Cuba ao mesmo tempo em que endurece o bloqueio econômico, incluindo pressões contra países que vendam petróleo para Havana. Esse cenário agravou a crise energética da ilha, que passou mais de três meses sem receber petróleo, provocando apagões diários de mais de 12 horas na capital e cortes ainda mais longos em cidades do interior.
No fim de março, um petroleiro russo chegou a Cuba com 100 mil toneladas métricas de petróleo bruto, oferecendo alívio parcial, segundo o governo local. Ainda assim, a carga seria suficiente para atender apenas cerca de um terço do consumo de um mês. Nesse contexto, foram iniciadas negociações entre Havana e Washington para buscar um acordo que permita a importação de petróleo.
Cabañas afirmou que Cuba já negociou outras vezes com os Estados Unidos, mas sem aceitar concessões que, segundo ele, violem a soberania do país.
“Sempre negociamos com os EUA e com qualquer outro país a partir de uma posição de igualdade, respeito e reciprocidade. E Cuba nunca, nem mesmo nas piores circunstâncias, considerou que precisasse fazer concessões para alcançar uma relação respeitosa com os EUA”, destacou.
O que Cuba denunciou na ONU e qual é a reação dentro dos EUA?
Na semana anterior, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, denunciou à ONU o que chamou de bloqueio energético dos EUA contra o país. Segundo ele, a medida produz efeitos sobre cirurgias, radioterapia, hemodiálise e outros serviços dependentes de fornecimento estável de energia. O relato foi apresentado como evidência de impacto humanitário sobre a população.
A matéria também registra movimentações políticas nos próprios Estados Unidos. Díaz-Canel recebeu parlamentares do Partido Democrata críticos ao bloqueio energético, entre eles a deputada Pramila Jayapal, que defendeu a normalização das relações entre os dois países. Para Cabañas, existe dentro dos EUA um movimento de solidariedade a Cuba capaz de pressionar contra uma escalada militar.
- Cuba diz monitorar permanentemente a movimentação militar dos EUA.
- O governo cubano relaciona a atual tensão ao endurecimento do bloqueio econômico e energético.
- Havana e Washington iniciaram negociações para permitir a importação de petróleo.
- Autoridades cubanas apontam apoio de setores da sociedade e da política norte-americana contra o bloqueio.
Em entrevista à NBC News, publicada no domingo, 12 de abril, Díaz-Canel afirmou que Cuba resistiria a uma eventual ação militar. A reportagem da Agência Brasil situa essas declarações no contexto de agravamento do cerco econômico ao país caribenho, cujo embargo pelos EUA já dura 66 anos, desde as primeiras medidas adotadas após a Revolução Cubana de 1959.