Os Correios fecharam o ano de 2025 com um prejuízo financeiro de R$ 8,5 bilhões, triplicando o resultado negativo registrado no ano anterior. A revelação foi feita durante uma coletiva de imprensa em 23 de abril de 2026, conduzida pelo presidente da estatal, Emmanoel Rondon, em Brasília. Este desempenho insatisfatório soma aos desafios que a empresa vem enfrentando desde 2022, quando começaram a série de prejuízos financeiros.
A receita bruta dos Correios caiu 11,35% em relação a 2024, totalizando R$ 17,3 bilhões. De acordo com informações do G1, o patrimônio líquido da empresa encerrou o ano com uma marca negativa de R$ 13,1 bilhões. Parte deste declínio financeiro está associada ao aumento de 55,12% nos processos judiciais ativos, incluindo precatórios, que somaram R$ 6,4 bilhões.
O que levou ao grande prejuízo em 2025?
Emmanoel Rondon destacou que a questão mais crítica enfrentada pela estatal é a liquidez, afetada por custos operacionais elevados. “Temos pressão de custo elevado, custo de mão de obra é bem relevante perto da despesa total, variando em torno de 70% da despesa total”, comentou. A empresa também enfrentou dificuldade em lidar com suas obrigações, como a necessidade de captação de empréstimos no valor de R$ 12 bilhões, com garantia da União.
Segundo o Valor Econômico, a estatal agora planeja reestruturar sua organização na tentativa de estabilizar suas finanças, esperando uma melhoria gradual a partir de 2027. Além disso, a adesão ao Programa de Desligamento Voluntário (PDV), uma estratégia para cortar despesas, não atingiu a meta, com a demissão de apenas 3.181 funcionários, correspondendo a 32% do objetivo inicial.
Qual é o plano dos Correios para recuperar a estabilidade?
O plano de reestruturação dos Correios, apresentado como contrapartida para o empréstimo, inclui medidas para cortar custos e tentar renovar a saúde financeira da organização. De acordo com informações do UOL, a empresa esperava uma adesão maior ao PDV, projetando alcançar 12,7% de redução no quadro de funcionários, o que não foi alcançado mesmo com a prorrogação do prazo de adesão.
O futuro dos Correios parece desafiador, com pressões internas e externas exigindo uma adaptação e resposta rápidas. As esperanças estão postas em uma recuperação progressiva, embora o caminho esteja cercado de incertezas estruturais e financeiras.
“A questão mais aguda da empresa é a liquidez, que estava afetando a operação, que afetava nossa capacidade de recuperação. Esse foi o primeiro sintoma que a gente precisa tratar de forma emergencial”, disse Emmanoel Rondon.