
O número de projetos para a conversão de edifícios comerciais em complexos residenciais nos Estados Unidos registrou um crescimento de 28% no primeiro trimestre deste ano. De acordo com informações da Construction Dive, que cita um relatório recente da plataforma RentCafe, o mercado norte-americano atingiu a marca de 90,3 mil unidades habitacionais em fase de desenvolvimento. Esse movimento ganha força como uma resposta direta à consolidação do trabalho remoto e às altas taxas de vacância no setor corporativo. O fenômeno reflete uma tendência global observada também no mercado imobiliário brasileiro, onde capitais como São Paulo implementaram iniciativas públicas, a exemplo do programa Requalifica Centro, para transformar prédios comerciais ociosos em moradias e revitalizar a região central.
Desde 2022, o salto no volume de habitações provenientes da transformação de antigas lajes corporativas chega a impressionantes 290%. Atualmente, os escritórios representam 47% de todos os projetos futuros de readequação imobiliária no país. Na sequência dessa tendência de reaproveitamento de espaços, aparecem os hotéis, com 18% da fatia do mercado, e as propriedades do setor industrial, que respondem por 16%. Especialistas apontam que a mudança de paradigma no modelo de trabalho é o principal catalisador dessa transformação urbana.
Por que a conversão de edifícios comerciais está em alta?
O analista sênior e gerente de inteligência de negócios da Yardi Matrix, Doug Ressler, destacou que a ascensão do regime de trabalho a distância continua impulsionando essa onda de remodelações no setor de infraestrutura. No início do ano passado, as taxas nacionais de vacância de escritórios nos Estados Unidos beiravam os 20%, enquanto a ocupação física real girava em torno de apenas 50% em diversos prédios comerciais. Diante de andares vazios e da escassez generalizada de moradias acessíveis, governos locais passaram a enxergar uma oportunidade de revitalização econômica e habitacional.
Quais cidades lideram os projetos de moradia adaptada?
A cidade de Nova York lidera o ranking nacional com ampla vantagem, contabilizando 16.358 unidades em processo de conversão. O levantamento destaca outras metrópoles que seguem o mesmo caminho para mitigar a crise de moradia local. As principais cidades neste cenário incluem:
- Nova York: 16.358 unidades residenciais em desenvolvimento;
- Washington, D.C.: 8.479 unidades em adaptação;
- Chicago: 4.360 propriedades em transição;
- Los Angeles: 4.340 moradias projetadas;
- Dallas: 3.966 espaços em reestruturação;
- Denver: 2.991 unidades no planejamento.
Outros centros urbanos, como Filadélfia, Atlanta, Cleveland e Cincinnati, também figuram na lista de destaque, com volumes que variam de 1,7 mil a 2,6 mil unidades. Para estimular esse movimento no mercado imobiliário, diversas administrações públicas estão implementando pacotes de incentivos fiscais e financeiros direcionados às construtoras.
Como os governos locais incentivam a transformação urbana?
Em Nova York, um programa de isenção de impostos sobre propriedades foi estabelecido em 2024, visando facilitar a conversão de prédios não residenciais. Na capital do país, o programa Housing in Downtown oferece uma redução fiscal de 20 anos para projetos que alteram o uso de comercial para residencial. O objetivo dessa iniciativa em Washington, D.C., é atrair 15 mil novos moradores para a região central até o ano de 2028, abrangendo áreas nobres como Dupont Circle e Georgetown.
Paralelamente, a cidade de Chicago utiliza financiamento por incremento de impostos para viabilizar duas grandes obras de conversão em sua área central. O estado de Nova York também estuda a aprovação de uma legislação que ofereceria créditos fiscais reembolsáveis, com o intuito de expandir esses projetos para comunidades fora da metrópole principal, alcançando municípios como Albany e Buffalo.
O prefeito de Buffalo, Sean Ryan, defendeu a necessidade dessas medidas estaduais durante o anúncio da proposta legislativa. Ele ressaltou que a adaptação de lajes corporativas vazias é vital para o desenvolvimento local contínuo e sustentável.
“Buffalo está enfrentando duas realidades difíceis ao mesmo tempo: uma escassez de moradias que as pessoas possam pagar e espaço de escritório subutilizado em nosso centro. Conversões como essas são as ferramentas criativas de que Buffalo precisa para enfrentar os desafios atuais.”