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Construção naval da China acelera com reativações e ampliações de estaleiros

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Dalian, China, September 2018
Dalian, China, September 2018 Foto: Igor Sporynin via Unsplash — Unsplash License (livre para uso)

A construção naval da China ampliou seu avanço com a reativação de estaleiros antes parados e a expansão de unidades já em operação, segundo revisão anual do mercado de navegação divulgada em 31 de março de 2026. O movimento envolve grupos como a CSSC e a China Merchants Shipbuilding Industry Group, com projetos em diferentes províncias chinesas e foco em elevar a capacidade de produção de navios de variados portes. A avaliação aponta que esse processo ajuda a explicar o aumento da participação chinesa na carteira global de encomendas e reforça a presença do país no mercado internacional de novas construções. Para o Brasil, o avanço chinês é relevante porque afeta a oferta global de navios, os preços de novas embarcações e a concorrência enfrentada por armadores e pela indústria naval em mercados internacionais.

De acordo com informações do Splash247, com base em dados do BRS Group, a China encerrou 2025 com 70,9% de participação na carteira global de encomendas, ante 66,7% em 2024 e 57,3% em 2023. Ainda segundo o levantamento, o país respondeu por 72,3% das novas encomendas globais e por 56,6% das entregas no ano passado, enquanto a produção total subiu 10,5%, de 48 milhões de dwt para 53 milhões de dwt.

Quais movimentos explicam a nova expansão da construção naval chinesa?

O relatório do BRS afirma que ao menos sete estaleiros antes inativos foram reativados ou estão em processo de reabertura. Além disso, cerca de uma dúzia de instalações já existentes ampliam capacidade, enquanto alguns estaleiros tradicionalmente voltados ao mercado doméstico começam a entrar no mercado internacional.

Entre os casos destacados está a atuação da China Merchants Shipbuilding Industry Group. O grupo assumiu o antigo Qingdao Yangfan Shipyard, agora chamado CMI Qingdao Shipyard, com foco em grandes navios mercantes nos segmentos de granel, tanque e contêiner. Também reativou o antigo Nanjing Dongze Shipyard, agora CMI Nanjing Shipyard, para construção de petroleiros de aço inoxidável de grande porte até a categoria MR. Em Wuhan, a CMJL Jinling recolocou em operação o Qingshan Shipyard para embarcações feeder e navios abaixo de 30 mil dwt.

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Outros exemplos citados incluem a reativação do local da Sanjia Heavy Industry, no norte de Jiangsu, pela Xiangshui Wanlong, além da retomada de antigas unidades em Beilun, Jiujiang, Rushan e Penglai. O relatório também destaca a antiga instalação da Rongsheng, agora renomeada como Wuhu Shipyard, onde duas das quatro grandes docas secas estão sendo arrendadas para a construção de uma série de navios newcastlemax.

Que números mostram o peso atual da China no setor?

Os dados reunidos pelo BRS indicam uma expansão em várias frentes ao mesmo tempo. A estatal CSSC, por exemplo, passou a contar com mais de 310 mil trabalhadores. Já a participação chinesa nas encomendas globais cresceu de forma contínua nos últimos três anos, enquanto o volume produzido em dwt também avançou.

  • Participação na carteira global de encomendas em 2025: 70,9%
  • Participação na carteira global de encomendas em 2024: 66,7%
  • Participação na carteira global de encomendas em 2023: 57,3%
  • Fatia das novas encomendas globais em 2025: 72,3%
  • Fatia das entregas globais em 2025: 56,6%
  • Produção total: de 48 milhões de dwt para 53 milhões de dwt

O texto aponta ainda que as ampliações em estaleiros já consolidados têm peso semelhante ao das reativações. A CSSC Hudong-Zhonghua encerrou sua unidade no centro de Xangai e colocou em operação um novo estaleiro na ilha de Changxing, elevando a capacidade anual de entrega de navios transportadores de GNL de mais de seis para mais de 12 unidades.

Também aparecem no relatório projetos em grupos como Yangzijiang, Zhoushan Ningshing, Hubei Hechuang Heavy Industry, Zhoushan Changhong, Zhejiang Xin Xinzhou Shipbuilding e Dajin Shipyard. Em diferentes casos, as obras incluem novas docas secas, linhas automatizadas de fabricação de blocos, oficinas adicionais, guindastes de grande porte e novas áreas aptas a receber embarcações de até 100 mil dwt.

Como essa expansão alcança o mercado internacional?

Segundo o BRS, parte dos estaleiros historicamente voltados ao mercado interno começou a conquistar contratos externos. A Shandong Port Marine Equipment obteve encomenda de navios multipropósito da Bohwa. A Anhui Port Marine Equipment recebeu pedidos de navios para transporte de gado da 44 South Shipping e de deck carriers do Winning Group. A Panjin Dajin Heavy Industry fechou uma encomenda de heavy deck carrier de um cliente sul-coreano.

O relatório destaca ainda a Shandong Jining New Energy, que conseguiu uma encomenda da CMA CGM para um porta-contêineres totalmente elétrico de 182 TEU e exportou componentes de dois graneleiros de dois mil dwt para montagem na Tanzânia. Para o BRS, o conjunto desses movimentos mostra uma indústria que não apenas preserva sua posição dominante, mas amplia presença em diferentes tipos de embarcação, faixas de porte e segmentos de mercado. No caso brasileiro, isso tem potencial de influenciar decisões de armadores que operam rotas de comércio exterior do país, já que a Ásia, e especialmente a China, ocupa posição central na cadeia global de construção de navios.

A análise também observa uma diferença em relação ao boom anterior dos estaleiros chineses, no início do século 21. Desta vez, a expansão não está centrada em projetos greenfield, mas em uma base industrial já consolidada ao longo dos últimos 15 anos.

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