Um artigo de opinião do jornalista Pedro Augusto Pinho, publicado em 21 de abril de 2026, discute como a colonização europeia teria imposto estruturas institucionais duradouras sobre sociedades americanas, tomando Peru e Brasil como exemplos centrais. O texto percorre da ocupação pré-colombiana às heranças políticas e administrativas deixadas por espanhóis e portugueses, com foco especial no caso peruano. De acordo com informações do Monitor Mercantil, a análise foi publicada na seção Opinião do portal.
O autor sustenta que as civilizações americanas anteriores à chegada dos europeus desenvolveram formas próprias de organização e conhecimento, em debate com interpretações tradicionais sobre o povoamento do continente. O texto menciona achados arqueológicos em Monte Verde, no Chile, e na civilização de Caral, no Peru, para apontar dúvidas sobre a hipótese de ocupação exclusivamente pela Beríngia, embora siga essa referência como base de exposição.
Como o artigo descreve a ocupação americana antes da colonização?
Na primeira parte, o texto afirma que povos que chegaram ao continente americano teriam acumulado conhecimentos e os adaptado às condições geográficas locais. Nesse percurso, são citadas as civilizações maia, asteca e inca como expressões avançadas desse desenvolvimento histórico.
Ao tratar dos astecas, o artigo menciona registros em idioma náuatle e recorre ao antropólogo espanhol Georges Baudot para destacar a leitura crítica sobre a visão europeia do continente. O texto reproduz a avaliação de que houve, por parte dos colonizadores, a tendência de descrever a América como um território vazio ou habitado apenas por povos considerados inferiores.
“um desejo mais ou menos consciente”, segundo o antropólogo espanhol Georges Baudot (1935-2002), de descrever um “continente quase desabitado ou povoado unicamente por selvagens, cujo extermínio não poderia ser considerado um crime grave”.
Por que o Peru é usado como exemplo principal na argumentação?
O artigo escolhe o Peru como caso de estudo por considerar sua trajetória histórica mais claramente estruturada. O país é descrito como um Estado unitário, dividido geograficamente entre costa, serra e selva, e organizado politicamente em 25 departamentos e a Província Constitucional de Callao, ao lado de Lima. O texto também informa que essa configuração atual foi acordada em 2021 e que a última disputa internacional de fronteiras do país foi encerrada em 2014.
Para organizar a narrativa histórica, o autor cita o livro Compendio de Historia del Perú, de José Antonio Del Busto Duthurburu. A obra divide a história peruana em três períodos:
- dos primitivos habitantes, entre 12 mil e 10 mil a.C. até 1532;
- de influência hispânica, de 1532 a 1824;
- independente, a partir da Batalha de Ayacucho.
O texto, no entanto, registra discordância da classificação dos primeiros habitantes como caçadores nômades, argumentando que os incas teriam dado continuidade a processos civilizatórios mais amplos e não poderiam ser entendidos de forma simplificada.
Quais heranças coloniais e políticas o texto aponta no caso peruano?
Ao abordar o período colonial, o artigo informa que o Peru foi governado por 42 vice-reis e outros 31 dirigentes sob designações diversas, inclusive três arcebispos. Segundo o autor, a estrutura social formada nesse período deixou marcas prolongadas, com distinções entre aristocratas e plebeus e com a população indígena submetida a forte violência.
Nesse ponto, o texto destaca a atuação do frei dominicano Bartolomeu de las Casas e a criação do Real e Supremo Conselho das Índias. Também relaciona o avanço da independência peruana aos interesses de Napoleão Bonaparte e à fragilidade da monarquia espanhola, ressaltando o papel de Simón Bolívar e do general argentino José de San Martín.
Na leitura apresentada, o Peru permaneceu submetido a interesses externos mesmo após a independência, primeiro europeus e, depois da Primeira Guerra Mundial, estadunidenses. O autor também menciona personagens da política peruana dos séculos 20 e 21, como Juan Velasco Alvarado, Alan García Pérez, Alberto Fujimori, Martín Vizcarra, Pedro Castillo e Dina Boluarte, para sustentar que o país viveu ciclos de instabilidade institucional.
Como o artigo relaciona Peru e Brasil?
Na parte final disponibilizada, o texto afirma que Peru e Brasil compartilham efeitos duradouros da institucionalização importada pela colonização. O autor associa ainda problemas contemporâneos, como corrupção e instabilidade política, à trajetória histórica da região e à expansão do neoliberalismo financeiro desde os anos 1980, além da influência do chamado Consenso de Washington a partir de 1989.
Sobre o Brasil, o artigo informa apenas que o tema será aprofundado em um texto posterior. Ainda assim, a comparação proposta indica que a colonização portuguesa também teria moldado estruturas políticas e sociais persistentes, em paralelo ao caso peruano descrito ao longo do artigo.
Por se tratar de um texto opinativo, a publicação apresenta uma interpretação histórica e política do autor sobre a formação institucional dos dois países. O conteúdo não traz contrapontos de especialistas nem dados adicionais além das referências mencionadas no próprio artigo original.