Cláudia Lima Gusmão Cacho, médica do Exército Brasileiro e primeira mulher a alcançar o posto de general de brigada na história da Força Terrestre, assume nesta segunda-feira (13) a direção do Hospital Militar de Área de Brasília, no Distrito Federal. A nomeação ocorre após a promoção ao generalato no fim de março, quase 30 anos depois de seu ingresso na instituição, em 1996, por concurso público na área de saúde. De acordo com informações do g1, a trajetória da militar é considerada incomum dentro da estrutura do Exército porque ela não veio da carreira combatente formada pela Academia Militar das Agulhas Negras.
O marco é apresentado pelo Exército como inédito em quase quatro séculos de história da instituição. Além de ser a primeira mulher general da força, Cláudia construiu a carreira na área de saúde, segmento composto por profissionais que já ingressam com formação civil. Formada em medicina pela Universidade de Pernambuco, ela entrou no Exército aos 27 anos, já especializada em pediatria.
Por que a trajetória de Cláudia Cacho é diferente da maioria dos generais?
Historicamente, a maior parte dos generais do Exército Brasileiro vem da chamada carreira combatente, considerada o núcleo central da Força Terrestre. Esses oficiais passam pela Escola Preparatória de Cadetes do Exército e pela Academia Militar das Agulhas Negras, em uma formação que dura cerca de cinco anos.
Esse caminho reúne oficiais das áreas de infantaria, cavalaria, artilharia, engenharia, comunicações, intendência e quadro de material bélico. Ao longo da carreira, são eles que comandam pelotões, companhias, batalhões, brigadas e divisões. Cláudia, porém, seguiu outra rota profissional, vinculada ao serviço de saúde militar.
No caso dos oficiais de saúde, o ingresso ocorre por concurso público para profissionais já graduados. Depois da aprovação, eles passam por formação militar na Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército, em Salvador. Antes de 2022, essa etapa era realizada na Escola de Saúde do Exército, no Rio de Janeiro, posteriormente incorporada à EsFCEx.
Qual foi o percurso de Cláudia Cacho dentro do Exército?
Segundo a reportagem, Cláudia soube da oportunidade para mulheres na área de saúde por meio de um vizinho militar, quando morava em Goiânia. Ela ingressou na força em 1996, no contexto da criação do serviço militar feminino voluntário para profissionais de saúde.
Ao longo de quase 30 anos de carreira, serviu no Rio de Janeiro, em Rondônia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Goiás e no Distrito Federal. A promoção ao posto de general de brigada ocorreu após indicação do Alto Comando do Exército.
“Me senti muito honrada, muito reconhecida. Porque não é um trabalho de um dia, dois. São 30 anos dentro da força. Representatividade também. São palavras que me vêm a cabeça”, disse a coronel.
A presença feminina no Exército em funções de carreira é relativamente recente. A primeira turma de formação envolvendo mulheres foi aberta em 1992, na Escola de Administração, com 49 alunas. Quatro anos depois, em 1996, foi criado o serviço militar feminino voluntário para profissionais de saúde, contexto em que Cláudia iniciou sua trajetória.
Mulheres já podem chegar ao generalato pela carreira combatente?
A entrada de mulheres na formação combatente do Exército começou apenas em 2018, com o ingresso das primeiras 33 cadetes na Academia Militar das Agulhas Negras. Até então, elas estavam restritas a áreas técnicas, administrativas e de saúde.
Como o generalato costuma exigir entre 30 e 35 anos de carreira, ainda não houve tempo suficiente para que oficiais formadas pela Aman alcancem os postos mais altos da hierarquia. Por isso, atualmente não há general mulher oriunda da carreira combatente.
O texto também informa que mulheres do Quadro de Engenheiros Militares poderão se tornar aptas ao generalato nos próximos anos. Já no Quadro Complementar de Oficiais, que inclui profissionais de áreas como direito, administração e economia, a progressão vai até o posto de coronel.
- Cláudia entrou no Exército em 1996, por concurso na área de saúde.
- Foi promovida ao generalato no fim de março.
- Assume nesta segunda-feira (13) a direção do Hospital Militar de Área de Brasília.
- É a primeira mulher a alcançar o generalato no Exército Brasileiro.
Ao comentar a carreira militar, Cláudia destacou valores ligados ao exercício da função e à preparação profissional.
“A profissão militar é muito nobre e é desafiadora também. […] O Exército é composto de profissionais competentes, responsáveis, dedicados e são atributos que não têm gênero”, aconselha.
“Lealdade, camaradagem, espírito de corpo, saber trabalhar em equipe, isso é fundamental.”
A chegada de Cláudia Cacho ao comando do hospital militar em Brasília ocorre em um momento em que a presença feminina nas Forças Armadas vem ampliando espaço em diferentes postos. Ainda assim, a própria trajetória da nova general mostra que esse avanço segue marcado por mudanças graduais na estrutura de ingresso e ascensão dentro do Exército.