O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, expandiu recentemente uma investigação criminal inédita para apurar o possível envolvimento do ChatGPT em uma série de homicídios ocorridos no estado norte-americano. A apuração governamental busca entender profundamente se a inteligência artificial desenvolvida pela OpenAI forneceu orientações, respostas técnicas ou incentivos a suspeitos de assassinatos, incluindo casos complexos registrados na Universidade do Sul da Flórida (USF) e na Universidade Estadual da Flórida (FSU).
De acordo com informações do Gizmodo US, a mais recente adição ao inquérito envolve o uso do chatbot por um homem acusado de envolvimento na morte de estudantes. A situação levanta debates rigorosos sobre a responsabilidade corporativa diante de crimes violentos.
Como o suspeito interagiu com a inteligência artificial?
Segundo documentos judiciais analisados pelo portal Axios e devidamente citados na reportagem original, Hisham Abugharbieh, apontado como o principal suspeito dos assassinatos recentes na USF, teria feito buscas extremamente específicas e perturbadoras na plataforma de conversação. As interações chamaram a atenção dos investigadores criminais pela cronologia dos eventos violentos.
O desaparecimento dos estudantes universitários foi oficialmente relatado pelas autoridades policiais no dia 16 de abril. Contudo, os registros digitais apontam que, três dias antes, em 13 de abril, o suspeito teria questionado o ChatGPT sobre o que aconteceria exatamente se uma pessoa fosse colocada dentro de um saco de lixo preto e jogada em uma lixeira de rua.
Posteriormente, no dia 19 de abril, a inteligência artificial foi novamente acionada pelo usuário com uma dúvida técnica sobre rastreamento de aparelhos eletrônicos. Na ocasião, o homem perguntou se a fabricante Apple saberia quem é o novo usuário de um iPhone após a conta do proprietário anterior ser removida do dispositivo.
Quais são os outros casos investigados na Flórida?
A expansão formal do inquérito pelo procurador-geral ocorreu após as autoridades descobrirem o uso da ferramenta tecnológica em outro episódio trágico de grande comoção. Na manhã de segunda-feira, a autoridade estadual utilizou seu perfil na rede social X para confirmar que os crimes da USF foram imediatamente incorporados à investigação principal contra a empresa de tecnologia.
O caso original que motivou a abertura da apuração refere-se a um atirador ativo em um tiroteio ocorrido em 17 de abril de 2025 em uma instituição de ensino diferente, a Universidade Estadual da Flórida. Na trágica ocasião, o ataque armado resultou na morte de duas pessoas e deixou outras seis gravemente feridas.
Um advogado que representa legalmente uma das vítimas do tiroteio afirmou publicamente que o suspeito mantinha comunicação constante com o chatbot. A defesa argumenta perante a Justiça que o software pode ter aconselhado o atirador sobre as maneiras de cometer os crimes hediondos de forma eficaz.
O que diz a OpenAI sobre as apurações criminais?
Testes práticos realizados na versão gratuita do sistema, simulando as exatas mesmas perguntas feitas pelo suspeito, revelaram o comportamento padrão do robô em relação à segurança. Quando questionado sobre a lixeira, o sistema focou na saúde de uma pessoa supostamente viva, alertando expressamente sobre a asfixia rápida em sacos plásticos. Em resposta sobre o termo técnico referente a adultos desaparecidos em perigo, o sistema explicou tratar-se de uma pessoa maior de 18 anos em alto risco de sofrer danos.
A plataforma forneceu uma resposta essencialmente técnica ao questionamento sobre o iPhone, presumindo tratar-se de uma dúvida comum de privacidade de um comprador do aparelho usado. O sistema não acionou mecanismos automatizados para bloqueio de comportamento criminoso, mas sugeriu o contato imediato com a polícia caso o usuário tivesse presenciado uma agressão.
Os testes evidenciam que o comportamento geral da máquina se baseia no fornecimento neutro de informações, dependendo da formulação dos comandos inseridos na caixa de texto. Ainda não está totalmente claro para a acusação quais foram os outros usos do suspeito ou a quantidade de dados sensíveis que ele compartilhou nos bate-papos.
Em resposta oficial aos questionamentos da imprensa sobre a investigação criminal em andamento no estado norte-americano, um porta-voz da empresa responsável pela inteligência artificial se pronunciou sobre as mortes e os trâmites legais:
Este é um crime terrível e nossos pensamentos estão com todos os afetados. Estamos analisando esses relatos e faremos tudo o que pudermos para apoiar as autoridades policiais em sua investigação.