Cláudio Andrade, CEO e sócio-fundador da Polo Capital, criticou duramente a política monetária adotada pelo Banco Central, classificando como um “erro grotesco” o atual patamar dos juros no Brasil. A declaração foi dada durante uma entrevista ao Intraday, do DCM, destacando a crescente pressão do mercado financeiro contra a alta taxa de juros, considerada excessivamente restritiva.
Segundo Andrade, os juros elevados já ultrapassaram o ponto de eficácia no controle da inflação e estão afetando negativamente a economia. Ele observou que esse nível da taxa básica comprime a atividade econômica, sufoca empresas e reduz significativamente a margem de atuação no mercado de crédito.
Como os juros altos afetam empresas e investidores?
O ambiente de juros altos está mantendo empresas e investidores em um estado de cautela extrema. Com o custo da dívida perto de 17% ao ano, muitas companhias estão operando sem espaço para absorver desvios ou enfrentar imprevistos. “Com juros nesse nível por tanto tempo, o espaço para erro desaparece”, ressaltou Andrade, destacando que até as empresas com caixa próprio enfrentam dificuldades quando têm estruturas de capital mais alavancadas, elevando o risco de reestruturação financeira.
De acordo com Andrade, o Brasil se destaca de forma negativa no cenário internacional. “Não há outro país, há muito tempo, com uma taxa de juro real nos níveis do Brasil para um nível de inflação como o nosso”, disse ele, comparando com outros países latino-americanos, cuja inflação não difere tanto da brasileira.
Quais são os efeitos do aperto monetário no médio prazo?
Andrade alerta que o aperto monetário excessivo pode trazer efeitos contrários no médio prazo, comparando-o a uma torneira já fechada. Continuar apertando pode não reduzir mais o fluxo e apenas gerar outros problemas. Juros elevados desestimulam investimentos, prejudicam a expansão da oferta e podem pressionar a inflação futuramente. O aumento da remuneração financeira ainda pode gerar um efeito renda, estimulando o consumo entre faixas de maior renda.
Sobre as contas públicas, Andrade sublinhou que a preocupação não deve ser apenas com o tamanho da dívida, mas principalmente com o peso dos juros sobre ela. Reconhecendo que o maior desafio do Brasil não é de natureza fiscal, mas sim o baixo crescimento econômico, ele defende a prioridade em produtividade e expansão da capacidade produtiva para reverter o impacto negativo dos juros altos sobre o crescimento e a sustentabilidade fiscal.