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Casal morto por PM em Cariacica fazia planos de adoção e tocava pequeno negócio

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Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31 anos, e Daniele Toneto, de 45, mortas a tiros em 8 de abril, em Cariacica, na Grande Vitória, construíam uma vida em comum, planejavam adotar uma criança e mantinham um pequeno negócio caseiro de alimentos. O caso, que envolve o cabo da Polícia Militar do Espírito Santo Luiz Gustavo Xavier do Vale, ganhou novos contornos com relatos de familiares e com a informação de que uma das vítimas ligou para o 190 menos de 20 minutos antes do crime. De acordo com informações do DCM, a apuração também busca esclarecer como se deu o acionamento das viaturas enviadas ao local.

Segundo familiares, as duas estavam juntas havia sete anos e haviam organizado uma rotina marcada por trabalho e projetos de futuro. Nos meses mais recentes, vendiam molho de pimenta, biscoitos e bolos feitos em casa, com entregas de moto. Francisca, de acordo com parentes, gostava de cozinhar, havia iniciado um curso de gastronomia e queria ampliar a atividade para melhorar de vida.

Quem eram as duas mulheres mortas em Cariacica?

Os relatos reunidos pela reportagem mostram que Francisca e Daniele eram vistas pela família como um casal que mantinha planos concretos. A irmã de Francisca, ouvida pelo g1 e reproduzida no texto original, afirmou que elas estavam felizes e já falavam sobre a fila de adoção. A mesma familiar relatou ainda que Francisca tinha relação próxima com sobrinhos e demonstrava carinho especial pelas crianças da família.

“Elas estavam felizes, fazendo planos, trabalhando com o que gostavam. Estavam até na fila de adoção, ela me avisou. Eu quero Justiça, eu e a minha família, é o desejo de todos”

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Na mesma entrevista, a irmã descreveu a rotina de trabalho do casal e a ligação de Francisca com a culinária. Segundo o relato, vizinhos conheciam a vítima pela venda de pimentas e outros produtos caseiros. Sobre Daniele, a familiar disse que ela também era bem quista pela família e tinha convivência afetuosa com as crianças.

“O pessoal do bairro até falava: ‘olha lá a menina da pimenta’. Elas vendiam molho, biscoitos e bolinhos. Minha irmã cozinhava muito bem e queria uma vida melhor”

Como a ligação para o 190 entrou na investigação?

Um dos pontos centrais do caso é o telefonema feito por Francisca para o 190 às 9h46. Conforme a cronologia relatada no texto original, uma primeira viatura chegou ao bairro às 10h02. Pouco depois, às 10h03, o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale apareceu a pé com outros quatro policiais, já com a arma em mãos, em direção ao casal.

A Polícia Militar informou que os detalhes sobre o acionamento seriam apurados no Inquérito Policial Militar. Em outra manifestação citada pela reportagem, a corporação declarou que havia três viaturas no local:

  • uma atendia a ocorrência de vias de fato gerada pelo Ciodes;
  • outra participou em apoio;
  • a terceira transportou o cabo Vale até o local do crime.

A nota, no entanto, não esclareceu se a presença policial decorreu diretamente do pedido de socorro feito pela vítima ou de um acionamento ligado ao próprio cabo. Essa diferença passou a ser tratada como um ponto relevante para a responsabilização no caso.

O que se sabe sobre a dinâmica do crime?

De acordo com a apuração reproduzida no texto, o episódio ocorreu no bairro Cruzeiro do Sul, após uma discussão envolvendo o casal e a ex-mulher do policial. A ex-esposa afirmou que ligou para o ex-marido depois de uma briga e pediu duas viaturas. Ela declarou que as duas mulheres a estariam agredindo e que o filho, de oito anos, chorava dentro de casa.

“Eu falei que não ia mais agir com as minhas mãos. Liguei para o meu ex-marido e pedi duas viaturas, porque elas estavam me agredindo e agredindo o nosso filho, que estava chorando dentro de casa. Então, ele veio”

Depois disso, segundo o relato, o cabo deixou o posto onde atuava administrativamente e foi ao local acompanhado de outros policiais. Daniele morreu no local. Francisca chegou a ser socorrida, mas não resistiu. Outro dado destacado na apuração é que seis policiais militares teriam presenciado o momento dos disparos sem impedir a ação.

O caso segue sob investigação, enquanto familiares cobram esclarecimentos sobre a conduta dos agentes presentes e sobre a resposta dada ao pedido de socorro feito por uma das vítimas pouco antes de morrer.

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