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Canguru em zoológico na China aparece em vídeo real, aponta checagem do g1

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Um vídeo que mostra um canguru deitado de barriga para cima, recebendo carinho e comida de visitantes em um zoológico de Xangai, na China, é real, segundo verificação publicada nesta segunda-feira, 24 de março de 2026. O registro voltou a circular nas redes sociais após viralizar em 2025, levantando dúvidas sobre possível uso de inteligência artificial e suspeitas de sedação do animal. De acordo com informações do g1 Mundo, a cena foi gravada em maio de 2025 no Shanghai Wild Animal Park, que mantém áreas de interação entre humanos e animais. Casos desse tipo também interessam ao público brasileiro porque boatos sobre vídeos supostamente criados por IA circulam com frequência nas mesmas plataformas usadas no Brasil, como X, Instagram, Facebook e TikTok.

Nas imagens, o animal aparece com os olhos semicerrados, deitado sobre um gramado, enquanto visitantes fazem carinho, oferecem petiscos, tiram fotos e comentam o comportamento aparentemente sonolento. O conteúdo circulou em plataformas como X, Instagram, Facebook e TikTok, com legendas sugerindo que o canguru estaria “fingindo desmaio” para ganhar comida. Usuários também questionaram se o vídeo teria sido produzido por IA.

Por que a checagem concluiu que o vídeo é autêntico?

Segundo a apuração, o vídeo foi publicado pela primeira vez em 18 de maio de 2025 no Douyin, versão chinesa do TikTok. Na legenda original, em chinês, o autor identificou o animal como Gangzi e mencionou o Shanghai Wild Animal Park. O Fato ou Fake localizou esse registro na versão web da plataforma ao pesquisar o termo “袋鼠”, que significa canguru em chinês.

Para verificar a integridade do material, a reportagem consultou o professor João Benedito dos Santos Junior, coordenador do Laboratório de Computação Forense, Perícia Computacional e Inteligência Cibernética da PUC Minas. De acordo com o laudo citado pelo portal, o vídeo apresenta características compatíveis com um arquivo íntegro, sem sinais aparentes de adulteração, edição ou montagem. A análise também apontou consistência de iluminação, contornos e estrutura típica de gravações feitas por dispositivos móveis.

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  • O vídeo não apresenta sinais aparentes de edição ou montagem.
  • A iluminação e os contornos permanecem consistentes durante a gravação.
  • A estrutura do arquivo é compatível com filmagens feitas por celular.

A checagem também destacou um trecho em que um visitante usa um smartphone para fotografar o canguru. Segundo a análise pericial reproduzida pela reportagem, esse tipo de reflexo captado na tela do aparelho seria pouco provável em um conteúdo gerado por ferramentas de inteligência artificial. No Brasil, verificações desse tipo têm ganhado espaço com o aumento da circulação de conteúdos enganosos ou descontextualizados nas redes sociais.

O comportamento do canguru é considerado normal?

A reportagem ouviu ainda a bióloga evolucionista Rafaela Miassagia, professora assistente do Departamento de Zoologia da USP, para avaliar se o comportamento do animal é compatível com o de cangurus em cativeiro. Segundo ela, a baixa atividade durante o dia é compatível com a espécie, que tem hábitos crepusculares e noturnos e tende a economizar energia nas horas mais quentes.

“Por isso, durante o dia eles podem parecer pouco ativos ou ‘preguiçosos’”.

Ao mesmo tempo, a especialista afirmou que a posição em que o animal aparece no vídeo chama atenção. Segundo ela, cangurus costumam ficar sentados, apoiados na cauda, ou deitados de lado, mas não é comum que descansem de costas, como nas imagens. Por isso, algumas pessoas passaram a especular sobre a possibilidade de sedação, embora isso, de acordo com a própria especialista, não possa ser confirmado apenas pelo vídeo.

“O que chamou atenção foi o comportamento do canguru: ele aparece deitado de barriga para cima, com os olhos fechados e quase sem reagir enquanto visitantes o tocam e tentam alimentá-lo. Esse tipo de passividade levou algumas pessoas a especular que o animal poderia estar sedado, embora isso não possa ser confirmado apenas a partir do vídeo.”

Miassagia também disse que é muito improvável que o canguru estivesse “fingindo desmaio”, como sugerem algumas legendas compartilhadas nas redes. Segundo a avaliação mencionada na reportagem, esse tipo de associação exigiria um nível de elaboração cognitiva maior do que o conhecido para a espécie.

O que se sabe sobre o zoológico citado no vídeo?

De acordo com o g1, o Shanghai Wild Animal Park divulga em sua conta oficial no Douyin outros vídeos de um canguru vermelho recebendo carinho de visitantes em posição semelhante. O site oficial do parque informa que o animal se chama Gangzi e que ele ficou conhecido na internet por seu temperamento dócil e relaxado.

A reportagem também menciona que o zoológico acumula registros de acidentes e denúncias de maus-tratos contra animais. Entre os episódios citados estão uma apresentação de 2013 em que um urso atacou um macaco durante uma corrida com animais, críticas em 2017 por corridas entre guepardos e cães da raça galgo australiano e a morte de um funcionário em 2020 após ataque de ursos em uma área restrita.

Segundo a bióloga ouvida pela reportagem, a convivência prolongada em cativeiro pode fazer com que esses marsupiais se acostumem à presença humana, especialmente quando há alimentação frequente por tratadores ou visitantes. Ainda assim, ela ressaltou que contatos muito próximos não são considerados ideais para o bem-estar dos animais e podem alterar comportamentos naturais, além de criar riscos para bichos e pessoas.

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