O Banco de Brasília (BRB) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar recuperar recursos de carteiras de crédito compradas do Banco Master, que estão sob posse do liquidante da instituição. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (2) pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza.
De acordo com informações do G1, a medida visa garantir que o fluxo financeiro das carteiras adquiridas do Banco Master seja direcionado ao BRB, bem como a transferência das carteiras ainda sob a responsabilidade do liquidante.
A liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pelo Banco Central, transferiu a responsabilidade sobre os ativos da instituição para um liquidante, encarregado de encerrar as atividades do banco e quitar suas dívidas. Segundo Nelson Souza, a ação no STF busca assegurar a liquidez do BRB e mitigar o impacto financeiro decorrente das transações com o Banco Master.
Qual o impacto financeiro para o BRB?
Caso o STF determine o repasse dos recursos, o BRB poderá utilizar os valores para cobrir o déficit em seu patrimônio, estimado em R$ 8 bilhões, resultado de transações consideradas malsucedidas com o Banco Master. O presidente do BRB ressaltou que esse valor foi definido de forma conservadora, com o acompanhamento de auditorias do Banco Central, auditoria independente e órgãos de controle.
“Entramos com uma ação junto ao STF para que todo o fluxo financeiro das carteiras que estão no BRB e foram adquiridas no Master, que está indo para o liquidante. Que esse fluxo financeiro venha para nós. E as carteiras que estão ainda em posse do liquidante, que forem oriundas do Banco Master, também venham para nós”, explicou Nelson Souza em entrevista.
Nelson Souza também mencionou a importância do contato com o liquidante, que já ocorreu presencialmente, mas que a petição ao STF foi considerada a melhor abordagem.
Como o governo do DF pretende auxiliar o BRB?
O governo do Distrito Federal (DF) busca aprovação na Câmara Legislativa para repassar nove imóveis ao BRB, utilizando o valor desses lotes, estimado em cerca de R$ 6,6 bilhões, para recompor o patrimônio do banco, que foi afetado pelo caso Master. No entanto, a proposta enfrenta resistência de deputados da oposição e aliados do governo Ibaneis Rocha (MDB), que apontam lacunas não esclarecidas sobre os valores e o uso dos imóveis. A votação do projeto ainda é incerta.
Qual a origem do rombo financeiro?
Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master. Desse montante, a Polícia Federal investiga R$ 12,2 bilhões em operações com indícios de fraude. Há questionamentos sobre o valor real dos ativos adquiridos pelo BRB, uma vez que, com a liquidação do Master, muitos desses ativos foram retidos e não integraram o patrimônio do banco distrital.
- O BRB tentou, sem sucesso, comprar o Banco Master, com o apoio do governador Ibaneis Rocha, mas a operação foi vetada pelo Banco Central.
- O Ministério Público Federal (MPF) identificou indícios de participação de dirigentes do BRB em um esquema fraudulento supostamente liderado por gestores do Banco Master.
- Nelson Antônio de Souza assumiu a presidência do BRB após a Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, que teve como alvo o então presidente Paulo Henrique Costa. A atual gestão do BRB e uma auditoria independente continuam investigando a situação interna da instituição.
Qual o plano do BRB para o futuro?
O BRB convocou uma assembleia de acionistas para o dia 18 de março, com o objetivo de “incorporar” os valores ao patrimônio do banco. A proposta a ser apresentada aos investidores prevê a emissão de até 1,67 bilhão de ações ordinárias para captar recursos no mercado e fortalecer o patrimônio da instituição. Com essa emissão, o BRB espera aumentar seu capital social em, no mínimo, R$ 529 milhões e, no máximo, R$ 8,86 bilhões. Atualmente, o capital social do BRB é de R$ 2,34 bilhões.