A Blue Origin informou neste domingo, 19 de abril de 2026, que o terceiro lançamento do foguete New Glenn reutilizou pela primeira vez um de seus propulsores, mas não cumpriu a missão principal de colocar em órbita, como previsto, o satélite de comunicações BlueBird 7, da AST SpaceMobile. O lançamento ocorreu a partir de Cabo Canaveral, na Flórida, e o satélite foi inserido em uma órbita mais baixa do que a planejada, o que inviabiliza sua operação e levará à sua desorbitação.
De acordo com informações do TechCrunch, a AST SpaceMobile afirmou em comunicado que o BlueBird 7 se separou com sucesso do foguete e foi ligado, mas a altitude alcançada é baixa demais para sustentar as operações do satélite.
O que aconteceu com o satélite BlueBird 7?
Segundo a AST SpaceMobile, o estágio superior do New Glenn colocou o satélite em uma órbita “mais baixa do que a planejada”. Embora o equipamento tenha se separado normalmente do foguete e sido energizado, a empresa afirmou que a altitude obtida não permite a continuidade da missão.
Com isso, o BlueBird 7 deverá ser desorbitado, ou seja, será deixado para se queimar na atmosfera terrestre. A companhia informou ainda que a perda do satélite está coberta por sua apólice de seguro.
Como foi o lançamento do New Glenn?
O lançamento ocorreu às 7h35 no horário local de domingo, em Cabo Canaveral, na Flórida. A decolagem transcorreu sem problemas aparentes, e a Blue Origin conseguiu reutilizar, pela primeira vez, um propulsor do New Glenn que já havia voado anteriormente, no segundo lançamento do programa.
Cerca de dez minutos após a decolagem, esse propulsor retornou e pousou em uma embarcação não tripulada no oceano, repetindo o procedimento realizado na missão de novembro. Aproximadamente duas horas depois do lançamento, porém, a Blue Origin divulgou que o estágio superior havia colocado o satélite da AST SpaceMobile em uma “órbita fora do padrão nominal”. Desde então, a empresa não havia divulgado mais detalhes, segundo o texto original.
Qual é o impacto para a Blue Origin e para a AST SpaceMobile?
O episódio representa a primeira falha de maior relevância do programa New Glenn, cujo voo inaugural ocorreu em janeiro de 2025, após mais de uma década de desenvolvimento. Esta foi a segunda missão em que o foguete transportou uma carga útil de cliente, após levar duas espaçonaves com destino a Marte para a NASA em novembro do ano passado.
Para a AST SpaceMobile, a empresa declarou que há satélites BlueBird subsequentes que devem ser concluídos em cerca de um mês. A companhia também afirmou ter contratos com outras provedoras de lançamento e disse esperar colocar mais 45 satélites no espaço até o fim de 2026.
- O BlueBird 7 foi colocado em órbita abaixo do planejado.
- O satélite se separou do foguete e foi ligado com sucesso.
- A altitude obtida não sustenta a operação do equipamento.
- A perda está coberta por seguro, segundo a AST SpaceMobile.
- A empresa afirma esperar lançar mais 45 satélites até o fim de 2026.
Por que a falha pode ter consequências mais amplas?
O problema no estágio superior do New Glenn pode ter implicações além das ambições comerciais imediatas da Blue Origin. A empresa busca se consolidar como uma das principais fornecedoras de lançamentos para as missões Artemis, da NASA, voltadas à Lua e a etapas posteriores da exploração espacial.
O texto original informa que a agência espacial dos Estados Unidos e o governo do presidente Donald Trump pressionam Blue Origin e SpaceX para viabilizar pousos lunares até o fim do segundo mandato do presidente, antes de avançar para o retorno de humanos à superfície lunar. Recentemente, a Blue Origin concluiu testes da primeira versão de seu próprio módulo de pouso lunar, que a empresa deve tentar lançar ainda neste ano, sem tripulação.
No ano passado, a companhia havia indicado que avaliava lançar esse módulo na terceira missão do New Glenn, mas acabou optando por transportar o satélite da AST SpaceMobile. O desempenho do foguete nessas missões iniciais é observado com atenção porque a Blue Origin decidiu começar a transportar cargas comerciais logo no início da operação do veículo.
O TechCrunch também compara a estratégia da empresa com a da SpaceX, que nos últimos anos vem realizando voos de teste da Starship com cargas simuladas. O texto lembra ainda que a própria SpaceX registrou perdas de carga em fases mais avançadas do programa Falcon 9, incluindo uma explosão em voo em 2015 e outra no solo, durante testes, em 2016.