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Bioeconomia ganha tração e empresas projetam faturamento maior na Amazônia

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Negócios da bioeconomia ligados à biodiversidade brasileira começam a alcançar receitas mais altas, impulsionados por políticas públicas, programas de aceleração, aumento da demanda por produtos da floresta e acesso a investimentos. O movimento envolve empresas como Mahta, Ages Bioactive e Navegam Log, que atuam na Amazônia e projetam crescimento de faturamento em 2026. De acordo com informações do Valor Empresas, o avanço ocorre em um contexto de consolidação do setor e de criação de instrumentos públicos de apoio.

Em abril, o governo federal lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, o PNDBio, primeira política pública de alcance nacional voltada ao segmento. A avaliação apresentada pela reportagem é que a iniciativa pode dar novo impulso a cadeias produtivas ainda concentradas em pequenos negócios ligados a comunidades extrativistas, mas que agora começam a migrar para uma escala maior.

Como empresas da bioeconomia estão ampliando receita?

Fundada em 2021, a Mahta é citada como um exemplo desse avanço. A empresa desenvolve alimentos com ingredientes da Amazônia e aposta no mercado de superalimentos, com uso de tecnologias como a liofilização. Entre os itens comercializados estão leite em pó vegetal de castanha, shake de proteínas amazônico, barras de proteína e café com guaraná cultivado em Maués, no Amazonas, e cacau nativo. Ao todo, as quatro linhas utilizam 33 insumos da floresta.

Segundo a reportagem, os produtos ganharam espaço entre consumidores que praticam esportes. O comércio eletrônico responde por 90% das vendas, com uma base superior a 50 mil clientes e três mil assinantes ativos. A empresa também começa a ampliar presença em redes varejistas e projeta encerrar 2026 com faturamento de R$ 25 milhões.

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“A maior parte dos negócios ligados à Amazônia sofre com essa dualidade: ou focam no impacto, ou no negócio. Estamos conseguindo evoluir nessas duas vertentes”

A declaração é de Max Petrucci, fundador e CEO da Mahta. De acordo com o texto original, a companhia adota como diretriz comprar apenas de cooperativas e associações, sem recorrer a intermediários ou latifundiários. Hoje, são 42 fornecedores nesse modelo, distribuídos por seis Estados da Amazônia.

Qual é o papel da ciência e da saúde nesse mercado?

A Ages Bioactive também aparece como um caso de expansão. A startup atua no segmento de nutracêuticos, com produtos à base de compostos bioativos extraídos de alimentos e destinados à medicina preventiva. Entre as matérias-primas estão tucumã, buriti, camu-camu, erva-mate e própolis vermelha. O foco da empresa está no mercado de healthspan, associado ao envelhecimento saudável.

“Ser uma empresa voltada a esse segmento nos faz olhar esses novos ativos e, a partir deles, criar grandes produtos para grandes problemas”

A frase foi atribuída a Caio Agmont, CEO da Ages Bioactive. Os produtos são comercializados em farmácias de manipulação mediante prescrição de médicos e nutricionistas, com foco em dores crônicas do sistema músculo-esquelético, problemas metabólicos e oscilações hormonais da menopausa.

Segundo a reportagem, a empresa integra o Inova HC, hub de inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo. O desenvolvimento dos produtos é feito pelo Laboratório de Pesquisa em Fármacos da Universidade Federal do Amapá, com 50 pesquisadores coordenados pelo professor José Carlos Tavares, sócio e responsável técnico da startup. A previsão é de faturamento de R$ 20 milhões em 2026, com meta de crescimento anual de 40%, expansão em farmácias magistrais e ampliação do relacionamento com profissionais de saúde.

Por que a logística ainda é um gargalo na Amazônia?

As dificuldades de transporte na região amazônica, onde os rios funcionam como vias principais, seguem como um dos maiores desafios para o escoamento de insumos e produtos. Foi nesse contexto que surgiu a Navegam Log, startup fundada em 2019 para digitalizar o transporte fluvial. A empresa começou com a proposta de ser um marketplace de passagens de barco, mas redirecionou a atuação para cargas.

“Começamos a fazer o ‘last mile’ no fluvial e a gestão da logística. Passamos de uma operadora regional para multimodal que atende todo o país”

A declaração é de Michelle Guimarães, CEO da Navegam Log. O modelo multimodal citado pela empresa inclui canoas amazônicas, navegação de cabotagem e transporte por caminhões. A reportagem informa que a startup deve fechar o ano com faturamento de R$ 30 milhões, resultado 70% superior ao de 2025.

“Ajudamos os insumos da bioeconomia a sair da floresta”

O crescimento dessas empresas também está associado a aceleração e captação de recursos. A Ages Bioactive recebeu aporte do Fundo de Floresta e Clima, da gestora KPTL. Já Mahta e Navegam Log fazem parte do portfólio da Amaz, aceleradora criada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, o Idesam.

  • A Amaz já aportou diretamente R$ 7 milhões em negócios.
  • A organização também mobilizou outros R$ 32 milhões de investidores.
  • As empresas aceleradas enfrentam o desafio de superar o chamado vale da morte, fase crítica de consolidação da operação.

Para Gabriela Santos, gestora de operações da Amaz, a sobrevivência desses negócios depende de modelos economicamente viáveis, previsibilidade de oferta e redução de riscos para investidores.

“O investimento, seja via crédito ou participação societária, é a gasolina que vai permitir que esse negócio consiga se desenvolver ao longo do tempo, acessar mercados e ganhar eficiência operacional”

O cenário descrito pela reportagem indica que a bioeconomia avança de uma base ainda pulverizada para operações com maior escala, apoiadas por ciência, logística, capital e políticas públicas. Ao mesmo tempo, permanecem desafios estruturais para transformar ativos da biodiversidade em negócios mais previsíveis e sustentáveis no longo prazo.

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