Baleia-jubarte encalhada na Alemanha expõe impacto humano sobre cetáceos - Brasileira.News
Início Meio Ambiente Baleia-jubarte encalhada na Alemanha expõe impacto humano sobre cetáceos

Baleia-jubarte encalhada na Alemanha expõe impacto humano sobre cetáceos

0
9

Uma baleia-jubarte encalhada há semanas em um banco de areia na costa báltica da Alemanha, perto da ilha de Poel, mobilizou uma última tentativa de resgate na quinta-feira, após o animal aparecer debilitado, desidratado e preso anteriormente em cordas. O caso, acompanhado publicamente e tratado como um episódio de forte comoção, também reacendeu o debate sobre como atividades humanas, como pesca, navegação, ruído industrial e mudanças no oceano, afetam a sobrevivência dos grandes cetáceos. De acordo com informações do Guardian Environment, o animal vinha tentando se libertar repetidamente desde que foi avistado pela primeira vez cerca de um mês antes.

Segundo o relato original, a baleia entrou no mar Báltico raso depois de se enroscar em cordas e, sem conseguir se alimentar, passou a sofrer desidratação severa, já que baleias obtêm água por meio dos peixes que consomem. Ao encalhar na ilha de Poel, na baía de Wismar, o animal teria chegado ao seu recurso final. O texto informa ainda que baleias encalhadas podem morrer sob o próprio peso, e que a condição da jubarte alemã pode ter se prolongado por ela permanecer parcialmente submersa em águas rasas.

O que ocorreu na tentativa final de resgate da baleia?

Na quinta-feira, uma operação final tentava retirar a baleia do local com o uso de almofadas infláveis colocadas sob o corpo do animal, para então fazê-la flutuar de volta ao mar. O esforço foi descrito como uma medida derradeira, em um momento em que a baleia já estava bastante enfraquecida após semanas de encalhe.

O texto também observa que a própria intervenção humana pode, em alguns casos, prolongar o sofrimento do animal quando não há solução simples ou viável. Em resposta ao episódio na Alemanha, a Comissão Internacional da Baleia defendeu cuidados paliativos, como manter o corpo molhado e o ambiente calmo e silencioso, como a resposta mais responsável e humana quando o resgate direto não se mostra factível.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

Por que esse caso é associado a um problema maior nos oceanos?

O artigo relaciona o encalhe da jubarte a uma pressão mais ampla exercida sobre o ambiente marinho. Entre os fatores citados estão o aquecimento e a acidificação dos mares, que reduzem áreas de alimentação, a poluição química na água, com impacto sobre fertilidade e imunidade, e o ruído constante de atividades industriais e recreativas, que interfere na vida dos cetáceos.

Além disso, a mortalidade de baleias longe das praias costuma receber menos atenção pública. O texto afirma que centenas, possivelmente milhares, desses animais morrem todos os anos no mar após se enroscarem em equipamentos de pesca ou serem atingidos por embarcações. Nesse contexto, o caso alemão funciona como um símbolo visível de uma mortalidade que normalmente ocorre fora do noticiário.

  • Emalhamento em equipamentos de pesca
  • Choques com embarcações
  • Ruído gerado por atividades humanas
  • Aquecimento e acidificação dos oceanos
  • Poluição química na água do mar

Que outros encalhes recentes foram mencionados na Europa?

O texto cita uma série de episódios recentes envolvendo cetáceos em águas europeias. No ano passado, houve vários encalhes de baleias-de-bico, espécie de mergulho profundo raramente vista, do oeste da Irlanda até Orkney e os Países Baixos. Esse agrupamento de casos levantou receios de que os animais possam ter sido empurrados para águas rasas por ruído produzido por ação humana.

Desde janeiro deste ano, ao menos 10 cachalotes também encalharam em litorais que vão da Cornualha à Dinamarca e à Alemanha, segundo o artigo. Embora cachalotes já encalhem historicamente nessas regiões, o texto destaca que as baleias-jubarte só passaram a ser vistas em número relevante no mar do Norte desde o início do milênio, ainda que restos arqueológicos indiquem presença anterior da espécie na área.

O que a história natural e a ciência sugerem sobre esses encalhes?

De acordo com um estudo científico recente publicado pela Royal Society e citado no texto, fragmentos de ossos de baleia-jubarte foram encontrados em sítios arqueológicos, inclusive no assentamento viking de Haithabu, próximo de onde ocorreu o encalhe atual. Isso sugere que jubartes que nadavam no mar do Norte e no Báltico há cerca de mil anos podem estar retomando áreas de alimentação das quais foram afastadas pela caça baleeira em tempos medievais.

O artigo também menciona hipóteses científicas para encalhes em massa. Um evento com 30 cachalotes nas margens do mar do Norte, em janeiro de 2016, teria sido posteriormente associado a erupções solares que desorientaram os sistemas naturais de navegação dos animais. O texto acrescenta que os encalhes registrados entre Dinamarca e Alemanha em janeiro e fevereiro deste ano podem ter relação com um fenômeno semelhante, coincidindo com a observação de auroras sobre o Reino Unido.

Por fim, o texto ressalta que, além de fatores naturais, os seres humanos produzem suas próprias perturbações sonoras no mar, como sonar militar em exercícios e pesquisas sísmicas para petróleo e gás. Nessa leitura, o caso da baleia-jubarte encalhada na Alemanha sintetiza a tensão entre a empatia pública despertada por esses animais e os impactos contínuos das atividades humanas sobre os oceanos.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

WhatsApp us

Sair da versão mobile