O ataque dos Estados Unidos ao Irã, associado no texto ao presidente Donald Trump, recolocou no centro do debate a dependência mundial de combustíveis fósseis e reforçou, segundo o articulista George Monbiot, o argumento em favor das energias renováveis. Em artigo publicado em 18 de abril de 2026, o autor sustenta que a guerra e a alta dos preços da energia expõem riscos econômicos e geopolíticos do petróleo e do gás, ao mesmo tempo em que ampliam o interesse por veículos elétricos, painéis solares e bombas de calor em diferentes países.
De acordo com informações do Guardian Environment, o texto afirma que a ofensiva dos EUA contra o Irã levou governos e consumidores a reavaliar sua exposição a cadeias de suprimento longas, preços voláteis e fornecedores considerados politicamente instáveis. O artigo é uma coluna de opinião assinada por George Monbiot.
Por que o ataque ao Irã é tratado como um marco no debate sobre energia?
Na avaliação do articulista, o episódio torna mais visível a fragilidade de sistemas energéticos fortemente apoiados em combustíveis fósseis. O argumento central é que petróleo e gás, por estarem concentrados em determinadas regiões e sujeitos a disputas geopolíticas, deixaram de parecer uma garantia de segurança para se tornar um fator de vulnerabilidade.
Monbiot diz que, no curto prazo, alguns governos ainda reagem favorecendo fontes fósseis, por meio de cortes de tributos sobre combustíveis ou ampliação de subsídios para aliviar o custo de vida. Ao mesmo tempo, porém, o texto aponta que vários países passaram a buscar formas de reduzir ou romper essa dependência, o que reforçaria a lógica da transição para fontes renováveis.
Quais sinais de mudança no consumo aparecem no artigo?
O texto cita aumento na procura por tecnologias sem uso de combustíveis fósseis após o início do ataque ao Irã. Segundo a coluna, as consultas sobre compra de veículos elétricos subiram 23% no Reino Unido, 50% na Alemanha e 160% na França. O artigo também menciona maior interesse na Índia, no sudeste asiático, na Coreia do Sul e nos próprios Estados Unidos.
Além dos carros elétricos, Monbiot afirma que houve crescimento da atenção dedicada a painéis solares residenciais e bombas de calor. Para o autor, esse movimento sugere que consumidores passaram a associar essas tecnologias não apenas à agenda climática, mas também à busca por proteção contra choques de preços e incertezas internacionais.
Que avanços tecnológicos são apontados como parte dessa transição?
A coluna destaca a evolução das baterias como um dos principais fatores para acelerar a mudança no setor energético. Citando o ativista climático Bill McKibben, o artigo afirma que a tecnologia tem avançado em ritmo superior ao previsto, com potencial para reduzir a necessidade de usinas fósseis usadas como fonte de última instância no sistema elétrico.
Entre os exemplos mencionados estão:
- baterias em escala de rede para estabilização do fornecimento elétrico;
- baterias de estado sólido, associadas a recarga mais rápida e maior autonomia;
- baterias quânticas, descritas no texto como uma possibilidade que começa a parecer realista;
- expansão de infraestrutura de recarga rápida para veículos elétricos.
O artigo também cita o anúncio da montadora chinesa BYD sobre planos para uma rede de carregadores ultrarrápidos no Reino Unido, capaz de elevar a carga de uma bateria de 10% para 70% em cinco minutos.
Quais políticas públicas o articulista defende?
Monbiot defende a eletrificação de tudo o que puder ser eletrificado e a retirada gradual do que não puder. No caso britânico, ele critica a ideia de prolongar a exploração de combustíveis fósseis no Mar do Norte e argumenta que o país deveria priorizar baterias para a rede, bombas de calor e fogões de indução.
O texto também sustenta que este seria um momento favorável para investir em conservação e eficiência energética. Como exemplo, cita o programa da “cidade de 15 minutos” associado à ex-prefeita de Paris, Anne Hidalgo, apresentado como uma forma de reduzir emissões, poluição do ar e custos cotidianos ao aproximar serviços e necessidades da população.
Como o artigo caracteriza Donald Trump e o impacto político do conflito?
Por se tratar de uma coluna opinativa, o texto usa linguagem fortemente crítica ao presidente dos Estados Unidos. Monbiot afirma que Trump desmontou regras e programas de energia limpa e reproduz uma declaração atribuída ao presidente sobre ambientalistas:
“The environmentalists, I mean, they are terrorists … I call them environmental terrorists.”
Na conclusão, o articulista argumenta que as consequências não intencionais da guerra podem fortalecer defensores da transição energética, antes tratados como idealistas, e enfraquecer politicamente o que ele chama de trumpismo. A tese apresentada é que a crise reforça o entendimento de que a mudança para fontes renováveis passou a ser, ao mesmo tempo, uma questão ambiental, econômica e estratégica.