As concessionárias Louisville Gas and Electric e Kentucky Utilities, ambas do grupo PPL, informaram que estudam um projeto de armazenamento hidrelétrico por bombeamento de 266 MW no sudeste do Kentucky, nos Estados Unidos, em meio à retomada do interesse por essa tecnologia diante do aumento da demanda por eletricidade. De acordo com informações da Utility Dive, o empreendimento proposto pela Rye Development tem custo estimado em US$ 1,3 bilhão e poderá ser instalado perto de Blackmont, em uma antiga mina de carvão.
O projeto, chamado Lewis Ridge, recebeu uma licença preliminar da Federal Energy Regulatory Commission, a FERC, em 2022, e teve pedido formal de licenciamento apresentado à agência em junho. Segundo a reportagem, faz décadas que uma usina de armazenamento por bombeamento em escala de concessionária não é construída nos Estados Unidos, o que ajuda a explicar a atenção renovada ao tema.
O que está sendo avaliado pelas concessionárias do Kentucky?
Segundo documento enviado em 11 de agosto à Kentucky Public Service Commission, as duas concessionárias analisam a possibilidade de seguir adiante com a Rye Development no projeto de armazenamento em circuito fechado. Se avançarem, a divisão de participação prevista seria de 63% para a Kentucky Utilities e 37% para a Louisville Gas and Electric, com possibilidade de revisão futura conforme a carga e o planejamento de recursos de cada empresa.
Na prática, o sistema funcionaria com dois reservatórios em níveis diferentes. A água seria liberada do reservatório superior para o inferior, passando por duas turbinas para gerar energia por até oito horas, com potência de 266 MW. Em períodos de baixa demanda, geralmente à noite, a água seria bombeada de volta ao reservatório superior. O projeto também prevê recarga periódica com água do rio Cumberland e do Tom Fork, afluente do mesmo rio.
Por que a tecnologia voltou a ganhar espaço?
O executivo-chefe da Rye Development, Paul Jacob, afirmou à Utility Dive que a empresa redirecionou seu foco para armazenamento por bombeamento cerca de quatro anos atrás. Antes, a companhia atuava principalmente na adição de capacidade de geração em barragens sem geração própria, em projetos normalmente entre cinco MW e dez MW. Hoje, segundo ele, a empresa mantém entre sete e oito projetos desse tipo em desenvolvimento em qualquer momento.
“This is really an amazing time, really driven by AI primarily, but also increasing industrial and manufacturing demand across the country,” Jacob said. “We really see a huge market for storage of all kinds — and certainly, pumped storage is a big piece of that.”
A avaliação ocorre em um contexto de expansão do consumo de energia e de busca por fontes mais flexíveis para atender os picos de carga. A reportagem destaca que, no Oeste dos Estados Unidos, esse tipo de armazenamento é associado à integração de fontes renováveis e à confiabilidade do sistema. Já no Leste, pode ajudar tanto a acompanhar o crescimento da carga quanto a reduzir a necessidade de variações constantes na geração fóssil.
Quais são os custos e o cronograma do projeto Lewis Ridge?
De acordo com o pedido de licença, o custo de construção é estimado em cerca de US$ 1,2 bilhão, além de aproximadamente US$ 110 milhões em juros durante a obra. A preparação do pedido regulatório teria custado cerca de US$ 15 milhões. A Rye Development também informou ter recebido US$ 81 milhões em financiamento do Office of Clean Energy Demonstrations, órgão do Departamento de Energia dos Estados Unidos, voltado a projetos de energia limpa em áreas de mineração.
Se houver aprovação, a expectativa da empresa é iniciar a construção em dezembro de 2027 e colocar a usina em operação cerca de quatro anos depois. A companhia estima produção média de 60 GWh por mês, ou 717 GWh por ano.
- Potência prevista: 266 MW
- Duração da geração: até oito horas
- Custo estimado total: US$ 1,3 bilhão
- Início possível das obras: dezembro de 2027
- Local previsto: região de Blackmont, Kentucky
Quais dúvidas cercam a viabilidade econômica?
Apesar do interesse das concessionárias, analistas de ações da Jefferies avaliaram, em nota de 16 de abril citada pela Utility Dive, que o projeto não parece economicamente viável a cerca de US$ 4,9 milhões por MW sem um grande operador de data center disposto a pagar por essa capacidade. Esse ponto acrescenta incerteza comercial à proposta, mesmo com a retomada do interesse por armazenamento de longa duração.
A Rye Development argumentou à FERC que Kentucky e a região enfrentam aposentadoria sem precedentes de unidades de geração, em especial recursos fósseis envelhecidos, e que o projeto poderia ajudar concessionárias locais a aproveitar excedentes de energia na rede quando disponíveis e usar essa energia nos períodos de maior demanda. A empresa também sustenta que o empreendimento contribuiria para diversificar os recursos do sistema em eventos climáticos extremos.
Atualmente, os Estados Unidos têm cerca de 20,1 GW de capacidade de armazenamento por bombeamento. Segundo a FERC, há pedidos de licença em análise que somam 2,7 GW em novos projetos nos estados de Nevada, Califórnia, Kentucky e Wyoming, além de dezenas de gigawatts em permissões preliminares já emitidas ou em avaliação.