A Argentina classificou o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (CGRI), do Irã, como organização terrorista, segundo comunicado divulgado pelo gabinete presidencial na terça-feira, 31 de março de 2026, em Buenos Aires. A decisão foi apresentada pelo governo argentino como resposta ao apoio do CGRI ao Hezbollah, grupo sediado no Líbano que o país responsabiliza pelo atentado de 1994 contra a associação judaica AMIA, na capital argentina. De acordo com informações da Folha de S.Paulo/UOL Notícias, com texto de agência Reuters, a medida também ocorre após pressão do governo dos Estados Unidos para que aliados adotassem posição semelhante.
O comunicado da presidência argentina afirma que a classificação permitirá a adoção de sanções financeiras e outras restrições operacionais contra o grupo iraniano. Tanto o CGRI quanto o Hezbollah já são considerados organizações terroristas pelos Estados Unidos e por outros países.
Por que a Argentina tomou essa decisão agora?
O governo argentino associou a medida ao histórico do atentado de 1994 contra o centro comunitário judaico AMIA, em Buenos Aires, o ataque mais letal da história do país. Na ocasião, 85 pessoas morreram e centenas ficaram feridas. A posição oficial argentina é a de que o Hezbollah teve responsabilidade no atentado, e o novo enquadramento do CGRI é justificado pelo apoio do grupo iraniano à organização libanesa.
A decisão também ocorre em um contexto de maior aproximação diplomática entre a gestão do presidente Javier Milei e Washington. A reportagem informa que o governo de Donald Trump pressionava aliados para se alinharem à classificação do CGRI como organização terrorista. Para o Brasil e o Mercosul, o movimento argentino expõe diferenças na abordagem de segurança regional: a diplomacia brasileira segue estritamente as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, não classificando o CGRI ou o Hezbollah como grupos terroristas, embora mantenha forte aparato de monitoramento na área da Tríplice Fronteira.
O que muda com a classificação do CGRI?
Segundo o gabinete presidencial, a medida abre caminho para restrições de natureza financeira e operacional. O texto não detalha quais sanções específicas serão implementadas nem quando elas começarão a valer, mas indica que o enquadramento amplia os instrumentos legais do Estado argentino para agir contra atividades vinculadas ao grupo.
O CGRI é descrito como uma força militar de elite criada para proteger o governo clerical muçulmano xiita do Irã. Além de seu papel militar e político, o grupo também controla partes importantes da economia iraniana, o que amplia o alcance potencial de medidas restritivas adotadas por outros países.
- Classificação do CGRI como organização terrorista
- Possibilidade de sanções financeiras
- Aplicação de restrições operacionais
- Justificativa ligada ao apoio ao Hezbollah
Como a medida se insere na política externa do governo Milei?
A decisão reforça o alinhamento do governo argentino com os Estados Unidos em temas de segurança e política internacional. Dias antes, a Argentina também havia classificado o Cartel Jalisco Nova Geração, do México, como organização terrorista, em outro gesto convergente com posições defendidas por Washington.
Com isso, o governo Milei consolida uma linha mais dura em relação a organizações que considera ligadas a ameaças transnacionais. No caso do CGRI, o peso político da decisão é ampliado pela memória do atentado à AMIA, tema sensível e recorrente no debate público argentino desde 1994.
A reportagem original não informa reação oficial do governo iraniano à decisão argentina até o momento da publicação. Também não há detalhes adicionais sobre eventuais efeitos diplomáticos imediatos entre Buenos Aires e Teerã.