Alcooduto de 2,1 mil km para etanol de milho avança entre Sinop e Paulínia - Brasileira.News
Início Brasil Infraestrutura & Urbanismo Alcooduto de 2,1 mil km para etanol de milho avança entre Sinop...

Alcooduto de 2,1 mil km para etanol de milho avança entre Sinop e Paulínia

0
4

O projeto de um alcooduto de 2,1 mil quilômetros para transportar etanol de milho de Sinop (MT) até Paulínia (SP) foi apresentado como um dos principais temas da 3ª Conferência Internacional UNEM Datagro, realizada em Cuiabá e publicada nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026. Segundo o ex-senador e CEO do Grupo MC Empreendimentos e Participações, Cidinho Santos, a proposta tem investimento estimado em R$ 22 bilhões, já desperta interesse do governo federal e de investidores privados e é tratada como uma alternativa para sustentar o crescimento da produção em Mato Grosso por meio da ampliação da infraestrutura logística.

De acordo com informações do Petronotícias, o tema foi debatido em um painel sobre logística de distribuição durante o evento em Cuiabá. No encontro, participantes defenderam que o avanço dos modais de transporte será decisivo para acompanhar a expansão da cadeia de biocombustíveis no estado.

O que prevê o projeto do alcooduto?

Cidinho Santos afirmou que o traçado ligando Sinop a Paulínia teria capacidade projetada de 13 milhões de metros cúbicos. Segundo ele, a produção atual já gira em torno de 8 milhões de metros cúbicos, o que representaria uma ocupação inicial próxima de 70% da estrutura planejada.

“Estamos falando de um projeto que começa a ganhar forma agora e que ainda será muito discutido nos próximos meses. Esse alcooduto, somado às rodovias duplicadas e às ferrovias em construção, vai colocar Mato Grosso em outro nível de competitividade”, afirmou.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

“É um investimento robusto, mas que já nasce com demanda. Isso representa um novo momento para os biocombustíveis, especialmente para o etanol de milho em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, completou.

A proposta foi apresentada como parte de uma estratégia mais ampla para reduzir custos logísticos e ampliar a capacidade de escoamento da produção. No debate, o empreendimento apareceu ao lado de outros projetos de infraestrutura citados como relevantes para a competitividade do setor.

Por que a logística ganhou centralidade no debate?

O avanço da produção de etanol de milho em Mato Grosso foi apontado como o principal fator por trás da discussão. O estado alcançou 5,6 bilhões de litros na safra 2024/2025 e concentrou cerca de 70% da produção brasileira, segundo os dados apresentados no evento.

Atualmente, Mato Grosso tem 17 usinas de biocombustíveis em operação, sendo nove dedicadas exclusivamente ao milho e outras três no modelo flex, de milho e cana. As projeções mencionadas no encontro indicam que a moagem de milho pode chegar a 26,8 milhões de toneladas na safra 2026/2027, com crescimento superior a 19%, impulsionado por novas unidades e pela ampliação da capacidade instalada.

O setor também foi descrito como vetor de transformação econômica por agregar valor ao milho por meio da produção de etanol, DDGS, usado na nutrição animal, e bioeletricidade. Nesse contexto, a infraestrutura logística foi tratada como ponto necessário para acompanhar o ritmo de expansão industrial.

Quais alternativas logísticas também foram discutidas?

Além do alcooduto, o painel reuniu o ex-presidente do DNIT, Luiz Antonio Pagot, o diretor-executivo da ADECON, Edeon Vaz, e o diretor da Ultracargo, Fernando Dihel. Os participantes citaram outros caminhos para ampliar a distribuição do etanol produzido no Centro-Oeste.

  • Duplicação da BR-163 pela Nova Rota Oeste
  • Ampliação do uso do chamado Arco Norte, com escoamento por Miritituba e Barcarena
  • Extensão da concessão da BR-163 até o Pará
  • Uso de hidrovias para integração entre Santarém e o Porto do Itaqui

“Essa logística pelo Norte não concorre com o alcooduto, ela complementa. A ideia é ampliar os caminhos e alcançar regiões deficitárias em etanol”, disse Edeon Vaz.

“Você pode levar o etanol até Santarém, colocar em balsas e distribuir a partir de um hub. É uma solução logística eficiente e com custo mais baixo”, afirmou Pagot.

O debate, portanto, indicou que o alcooduto é tratado como uma das frentes possíveis dentro de um conjunto maior de obras e soluções logísticas. A proposta ainda deverá ser discutida nos próximos meses, enquanto governo e investidores avaliam sua viabilidade e seu papel no escoamento do etanol de milho produzido em Mato Grosso.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

WhatsApp us

Sair da versão mobile