A águia-real pode voltar a ser reintroduzida na Inglaterra após mais de 150 anos, segundo um estudo que identificou oito áreas com potencial para sustentar a espécie, principalmente no norte do país. O plano ganhou novo impulso neste domingo, quando o governo britânico anunciou £1 milhão em financiamento adicional para um programa de recuperação que pode permitir a soltura de aves jovens já no próximo ano. De acordo com informações do Guardian Environment, a medida busca apoiar o retorno de uma espécie nativa hoje praticamente ausente dos céus ingleses.
A ave de rapina, com envergadura de cerca de dois metros, era comum na Inglaterra na época de Shakespeare, mas desapareceu ao longo dos séculos. Segundo o texto original, a espécie entrou em declínio em grande parte por perseguição de guardas de caça e fazendeiros, que a viam como ameaça a cordeiros e aves de caça. O último exemplar nativo da espécie na Inglaterra é apontado como tendo morrido em 2015, após viver sozinho na região de Lake District.
O que o estudo apontou sobre o retorno da águia-real?
O estudo de viabilidade foi realizado pela Forestry England e concluiu que a Inglaterra voltou a ter condições de sustentar populações de águia-real. O trabalho identificou oito possíveis “zonas de recuperação” consideradas as áreas mais adequadas para receber a espécie. Embora a maior parte dessas áreas esteja no norte da Inglaterra, os pesquisadores indicam que o estabelecimento de populações reprodutivas pode levar mais de uma década.
Além da reintrodução planejada, o governo informou que exemplares já observados cruzando a fronteira a partir do sul da Escócia podem ajudar nesse processo. A população escocesa da espécie se recuperou em números recordes após um grande projeto de restauração. Dados de rastreamento por satélite indicam que algumas dessas aves transferidas já começaram a explorar o norte inglês.
Como funcionará o financiamento anunciado pelo governo?
A secretária do Meio Ambiente, Emma Reynolds, aprovou £1 milhão em recursos adicionais para ajudar a preparar o programa de recuperação. O financiamento poderá apoiar a soltura de juvenis com idade entre seis e oito semanas já no próximo ano, de acordo com a reportagem.
“This government is committed to protecting and restoring our most threatened native wildlife – and that includes bringing back iconic species like the golden eagle.”
“Backed by £1m of government funding, we will work alongside partners and communities to make the golden eagle a feature of English landscapes once again.”
O novo repasse integra um pacote mais amplo de £60 milhões em financiamento para recuperação de espécies anunciado pelo Departamento para Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido, o Defra, na semana passada. A iniciativa está ligada à meta legalmente vinculante do país de interromper o declínio da abundância de espécies até 2030 e reduzir o risco de extinção até 2042, em comparação com os níveis de 2022.
Por que a Escócia é central nesse projeto?
O sul da Escócia é tratado como uma referência para a recuperação da águia-real porque a espécie voltou a prosperar na região após um projeto de restauração populacional. A expectativa agora é que o novo financiamento ajude tanto a apoiar aves já dispersas ao sul da fronteira quanto a viabilizar reintroduções direcionadas na Inglaterra.
Mike Seddon, diretor-executivo da Forestry England, afirmou que os resultados detalhados do estudo devem orientar os próximos passos do trabalho em conjunto com parceiros do programa Restoring Upland Nature. Segundo ele, os recursos do Defra permitirão avançar no diálogo com comunidades locais, proprietários de terra, gestores rurais e organizações de conservação antes da implementação do projeto.
- Oito áreas foram identificadas como zonas potenciais de recuperação.
- O governo britânico liberou £1 milhão em recursos adicionais.
- A soltura de aves jovens pode ocorrer já no próximo ano.
- Populações reprodutivas podem levar mais de dez anos para se estabelecer.
A reintrodução, portanto, ainda depende de etapas técnicas e de engajamento local, mas o estudo indica que a volta da águia-real à Inglaterra deixou de ser apenas uma hipótese remota e passou a ser tratada como um projeto viável de conservação ambiental.