As agricultoras familiares da Associação de Mulheres da Ilha Grande do Pacajaí (AMAIGP), localizada no município de Portel, no Arquipélago do Marajó, firmaram um acordo para o fornecimento de R$ 290 mil em gêneros alimentícios destinados à merenda escolar da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMFM) Junior Viegas, em Melgaço. A iniciativa é fruto de uma proposta elaborada pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater), aprovada em abril de 2026, com o objetivo de beneficiar diretamente cerca de 1,4 mil alunos da rede pública de ensino.
De acordo com informações da Agência Pará, o projeto foi viabilizado por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), especificamente via Superintendência Regional no Pará. Com a aprovação, a associação marajoara está autorizada a iniciar a entrega dos produtos previstos no Termo de Pactuação da Agricultura Familiar (TPAF). O contrato estabelecido possui vigência de 24 meses, garantindo a regularidade no abastecimento da unidade escolar e a estabilidade financeira para as produtoras rurais envolvidas na operação.
Como funciona o fornecimento de alimentos para a escola?
O processo de comercialização ocorre de forma direta entre a associação e a instituição de ensino, sob a supervisão técnica da Emater e o suporte institucional da Conab. O fluxo operacional define que as mulheres realizem a entrega dos alimentos e, após a confirmação do recebimento pela unidade de ensino, o valor financeiro correspondente é liberado para a AMAIGP. Este modelo de negócio assegura que o recurso chegue à base produtora, incentivando a organização social e a autogestão das mulheres ribeirinhas.
A parceria é considerada um marco histórico para a região, conforme apontado pela gestão técnica local. É a primeira vez que uma proposta de fornecimento é aprovada diretamente entre uma associação de agricultoras e uma escola municipal por meio da Conab no Marajó. O papel da Emater foi fundamental no desenvolvimento do projeto técnico, orientando as produtoras desde a fase de planejamento até a adequação aos critérios exigidos pelas políticas públicas de segurança alimentar e nutricional.
Quais produtos serão incluídos na merenda escolar de Melgaço?
A diversidade da produção local será o diferencial no cardápio dos estudantes da Escola Junior Viegas. Os itens selecionados para o fornecimento são característicos da dieta regional e possuem alto valor nutricional, contribuindo para o desenvolvimento físico e cognitivo dos alunos. A lista de produtos inclui:
- Farinha de mandioca e farinha de tapioca;
- Açaí e frutas frescas como limão e laranja;
- Abóbora e batata-doce;
- Batata-cará.
Segundo Jocimar Mendonça, chefe do Escritório Local da Emater em Breves, o acesso a esses produtos de alta qualidade promove dignidade e transformação social. Ele destaca que o projeto visa não apenas a venda de alimentos, mas a garantia de segurança alimentar para as crianças, oferecendo refeições elaboradas com produtos frescos e cultivados com responsabilidade ambiental nas comunidades da região.
Qual o impacto social para as mulheres agricultoras do Marajó?
Para as integrantes da AMAIGP, que conta com mais de 50 associadas, o contrato representa uma conquista de visibilidade e protagonismo econômico. A presidente da associação, Geovana da Silva, reforça que a parceria fortalece a agricultura familiar ao permitir que o trabalho das mulheres seja valorizado financeiramente. Em seu relato sobre o impacto do projeto, ela pontuou a relevância de ocupar espaços de comercialização formalizados.
“Nós estamos falando de geração de renda dentro das próprias comunidades, de fortalecimento da agricultura familiar e, principalmente, de garantir que alimentos de qualidade, produzidos por mãos ribeirinhas, cheguem até a mesa dos estudantes. Esse processo valoriza diretamente o protagonismo das mulheres agricultoras, que historicamente sempre contribuíram com a produção de alimentos, mas nem sempre tiveram esse espaço de visibilidade e comercialização.”
A organização coletiva das mulheres tem sido um fator determinante para o sucesso da iniciativa. Ao estarem devidamente associadas e regularizadas, elas conseguem acessar políticas públicas que agregam dignidade e melhoram a qualidade de vida nas ilhas do Marajó. O projeto, além de alimentar o corpo dos estudantes, nutre a economia local e consolida a autonomia das produtoras rurais paraenses.