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Agências bancárias caem 37% em dez anos e 638 municípios perdem unidade

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Fachada de agência bancária de grande porte com letreiro e portas automáticas em uma rua pouco movimentada.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

O Brasil perdeu 37% das agências bancárias em dez anos, chegando a pouco mais de 14 mil unidades, em um movimento associado ao avanço da tecnologia, à expansão do Pix e à estratégia dos bancos de reduzir custos operacionais. Desde 2015, 638 municípios ficaram sem agência, segundo cálculos do Dieese com base em dados do Banco Central, o que deixou 6,9 milhões de pessoas sem atendimento local. De acordo com informações do Valor Econômico, o fechamento se intensificou após a pandemia e com a digitalização das operações bancárias.

Em 23 de março de 2026, 2.649 municípios brasileiros não têm agência bancária, o equivalente a 48% do total, ante 36% registrados dez anos atrás. Em termos populacionais, o impacto alcança 19,7 milhões de brasileiros, ou 9% da população, acima dos 3,4% verificados na década passada. Quase 6.000 agências tradicionais foram encerradas nesse período, enquanto os bancos passaram a investir mais em atendimento remoto e em unidades voltadas a serviços especializados, como consultoria de investimentos.

Por que as agências bancárias estão fechando no Brasil?

O avanço dos canais digitais aparece como um dos principais fatores para a retração da rede física. Segundo a Febraban, entidade que representa os bancos no país, as instituições financeiras estão adaptando sua estrutura a um mercado em que os canais eletrônicos são preferidos por um novo perfil de consumidor. A entidade afirmou que, atualmente, praticamente todas as operações bancárias podem ser feitas de forma eletrônica.

Além da mudança de comportamento dos clientes, o custo de manter uma agência pesa na decisão. Despesas com aluguel, segurança, manutenção, transporte de dinheiro e pessoal reduziram a atratividade econômica dessas unidades, sobretudo em cidades menores. Em fevereiro, Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, afirmou à Folha de S.Paulo que é difícil uma agência ser rentável em municípios com menos de 20 mil habitantes.

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“Transportar dinheiro custa uma fortuna. Tínhamos receita com conta-corrente e anuidade de cartão, que hoje caiu. Na hora de fazer todo esse processo, você deixa de pagar a conta. Por isso que tem de afunilar no digital, não tem alternativa. E tem tecnologia para isso”, disse Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, à Folha de S.Paulo em fevereiro.

Quem é mais afetado pela redução do atendimento presencial?

O impacto recai principalmente sobre idosos, moradores de cidades pequenas e pessoas com baixa familiaridade com aplicativos e internet. Em Oscar Bressane, no interior de São Paulo, com 2.470 habitantes, os moradores passaram a depender de deslocamentos de cerca de 40 quilômetros até Marília para encontrar atendimento bancário presencial, segundo o sindicato local.

Edilson Julian, presidente do Sindicato dos Bancários de Marília e Região, afirmou que o problema aparece de forma concreta no cotidiano das agências remanescentes, com filas no início de cada mês. Marília, no centro-oeste paulista, que já teve 50 unidades, hoje conta com 20.

“Funcionários são desligados e a população é impactada. Sabemos que a tendência é digital, mas até chegar ao ponto de todas as pessoas serem digitais, é preciso dar condições de atendimento a quem não tem afinidade”, diz Edilson Julian, presidente do Sindicato dos Bancários de Marília e Região.

No Ceará, o processo também se acelerou. Segundo o Sindicato dos Bancários do estado, 117 locais foram encerrados desde 2022, sendo 62 apenas em 2025. Para José Eduardo Rodrigues, presidente da entidade, parte da população enfrenta não só dificuldade com o ambiente digital, mas também limitações de acesso à internet.

“As economias locais sucumbem com a inexistência de um posto de atendimento bancário”, diz José Eduardo Rodrigues.

O atendimento físico ainda tem relevância para os clientes?

Apesar do avanço digital, parte importante das operações segue ocorrendo presencialmente. Em 2024, 27% dos pagamentos de contas, 14% das contratações de investimento e 5% das transações foram feitos por canais físicos, segundo levantamento da Deloitte em parceria com a Febraban. Há ainda serviços cuja procura aumentou nas agências em relação ao ano anterior: a contratação de crédito subiu 11%, para 45 milhões de operações, e a de seguros avançou 6%, para 55,5 milhões.

Segundo a Deloitte, a busca por atendimento presencial está ligada à complexidade de determinados produtos, à necessidade de orientação direta e ao temor de golpes e fraudes, especialmente em operações de maior valor. Também pesa a dificuldade de parte dos clientes em lidar com ferramentas digitais.

“Ele prefere gastar em dinheiro porque não tem cartão de crédito, não tem Pix, nada dessas coisas de celular, internet, computador. É só na agência física.”

O relato é de Célia Moura, de 60 anos, que leva mensalmente o pai de 89 anos ao banco para sacar a aposentadoria. A professora aposentada Débora Bordoni, de 80 anos, também descreveu a preferência pelo atendimento presencial.

“Não sei lidar muito bem com aplicativos, internet. Na agência, retiro dinheiro no caixa, pago algum boleto que não posso deixar em débito automático e faço a prova de vida da pensão que recebo”, diz Débora Bordoni.

Ainda assim, a tendência majoritária segue na direção digital. Em 2024, 75% das transações bancárias foram realizadas pelo celular, reforçando a mudança estrutural no setor.

Quais são os efeitos do fechamento além do sistema bancário?

A redução das agências também atinge o mercado imobiliário e a dinâmica urbana de cidades que perdem unidades físicas.

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