A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) participa da 11ª edição do Festival Internacional do Chocolate e do Cacau — Chocolat Amazônia e do Flor Pará, entre os dias 23 e 26 de abril, em Belém. O evento, sediado no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, reúne especialistas, produtores e empresas com o objetivo de fortalecer a economia regional e promover práticas sustentáveis. De acordo com informações da Agência Pará, o foco da agência no festival é oferecer suporte técnico sobre a sanidade dos cultivos.
Durante a programação, servidores da autarquia apresentam ações de defesa vegetal, fiscalização e educação sanitária. O estande institucional foi projetado com materiais reutilizáveis, reforçando o compromisso com a sustentabilidade ambiental. Entre as prioridades está a orientação sobre o enfrentamento à monilíase, uma praga causada pelo fungo Moniliophthora roreri. Esta doença ataca exclusivamente os frutos do cacaueiro e do cupuaçuzeiro, podendo gerar perdas severas para a produção agrícola paraense caso não seja devidamente controlada.
Qual o papel da Adepará na proteção das lavouras de cacau?
A agência atua na detecção precoce de pragas e na implementação de estratégias de defesa para impedir o avanço de doenças nas regiões produtoras. O trabalho envolve levantamentos fitossanitários constantes e a capacitação de profissionais para atuar como classificadores de amêndoas. Segundo o diretor-geral da instituição, Jamir Macedo, a presença do órgão nos 144 municípios do estado é o que garante a excelência do produto paraense.
“A Adepará está presente nos 144 municípios do Pará. Hoje podemos afirmar com convicção que nossa produção de cacau é livre de pragas e doenças. Temos qualidade para atender tanto o mercado nacional quanto internacional. Trabalhamos lado a lado com o produtor rural para garantir a sanidade e a excelência da produção”, afirmou o diretor.
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Como a certificação sanitária beneficia o produtor rural?
A regularização junto aos órgãos de defesa permite que marcas locais alcancem novos mercados. Um exemplo citado no evento é o da marca Cacau Xingu, da produtora Jiovana Lunelli, que utiliza o selo de inspeção estadual desde o início de sua trajetória comercial. A certificação assegura que o chocolate possui qualidade comprovada e segue normas rígidas de fiscalização, permitindo a participação em feiras nacionais.
Além da segurança sanitária, o setor busca integrar conceitos de conservação da natureza. A produção em sistemas agroflorestais, sem o uso de queimadas ou desmatamento, é um dos diferenciais apresentados. A utilização de embalagens inspiradas na fauna amazônica, como o macaco-prego e o peixe pirarará, busca incentivar o consumo consciente entre os visitantes do festival.
Quais são os principais números da produção de cacau no Pará?
O estado do Pará consolidou-se como um dos maiores produtores de cacau do Brasil, com uma cadeia produtiva que sustenta milhares de famílias. Os principais dados do setor indicam:
- Produção anual estimada em 150 mil toneladas de amêndoas;
- Aproximadamente 30 mil produtores envolvidos, majoritariamente da agricultura familiar;
- Geração de 369 mil postos de trabalho, sendo 74 mil diretos;
- Cerca de 90% da produção destinada ao mercado da Bahia;
- Destaque para o município de Medicilândia pela alta qualidade das amêndoas.
Outros municípios como Altamira, Anapu, Brasil Novo e Novo Repartimento também figuram entre os maiores polos produtores. A atuação técnica da agência de defesa visa manter esses índices estáveis e proteger o patrimônio fitossanitário contra ameaças biológicas como a vassoura-de-bruxa, que ainda é alvo de pesquisas e monitoramento por parte de estudantes e especialistas da área.
“O Cacau Xingu não é apenas um produto, é um conceito de sustentabilidade que convida à reflexão sobre produção e consumo”, enfatiza a produtora Jiovana Lunelli.
O 11º Festival Internacional do Chocolate e do Cacau segue até o dia 26 de abril, proporcionando um espaço de intercâmbio entre o setor público e a iniciativa privada para garantir que o Pará mantenha sua liderança no agronegócio sustentável.