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Acampamento Terra Livre: indígenas cobram demarcações e criticam Congresso

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Brasília (DF), 06/04/2026 - Kleber Karipuna, coordenador da APIB, participa da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL). O
Brasília (DF), 06/04/2026 - Kleber Karipuna, coordenador da APIB, participa da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL). O evento é considerado a maior mobilização indígena do país. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil — EBC/Agência Brasil — CC BY 3.0 BR

O Acampamento Terra Livre (ATL), principal mobilização indígena do país organizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), iniciou seu segundo dia de atividades em Brasília nesta segunda-feira (6 de abril de 2026), com uma forte cobrança por direitos territoriais e protagonismo na definição de seu próprio futuro. O evento destacou a resistência contra o avanço de atividades exploratórias nas aldeias e a urgência na demarcação de terras, apontando o Congresso Nacional como o principal palco dessas disputas legislativas, especialmente diante de propostas como a do Marco Temporal.

De acordo com informações da Radioagência Nacional, o encontro fomenta debates cruciais para a sobrevivência das comunidades. As discussões enfatizam a necessidade de união entre as diferentes etnias para enfrentar o que classificam como tentativas de enfraquecimento de seus direitos constitucionais, especialmente diante de projetos que visam abrir os territórios para a exploração econômica.

Quais são as principais ameaças debatidas pelas lideranças indígenas?

O vice-coordenador da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e liderança da terra indígena Raposa Serra do Sol (localizada em Roraima), Alcebias Sapará, alertou para as movimentações no Senado Federal e na Câmara dos Deputados. Ele criticou a imposição da atividade mineradora e pediu coesão entre os povos para enfrentar as pressões externas e econômicas.

“Está tendo no Senado e no Congresso um GT [Grupo de Trabalho] sobre mineração em terras indígenas para abrir os nossos territórios para a mineração. Quando é que nós estamos falando sobre isso? Quem está sofrendo sobre isso? Quem está sendo cooptado? Quem está sendo morto? Para mim enfrentar o sistema, eu preciso saber o que está acontecendo com o meu parente. Porque, senão, vai ser cada um por si. É assim que eles estão dividindo a gente.”

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A luta pela garantia de território não se restringe à região Norte do país. O coordenador-geral dos Povos Indígenas do Sudeste, cacique Awa Tenondegua, ressaltou que a demanda por demarcações é uma realidade nacional, afetando comunidades do Amazonas ao Nordeste. Ele destacou a dificuldade histórica de reconhecimento das terras originárias frente aos interesses de populações não indígenas.

“Hoje, nós temos muitas aldeias, muitas comunidades, sem a oportunidade de dizer que essa terra aqui é minha, essa terra aqui é do meu povo. Estamos nessa luta ainda. E não precisamos provar, porque quem estava aqui primeiro era nós [sic]. Mas, hoje, a gente tem que lutar contra o sistema, contra o povo não indígena, porque cada pedacinho que eles conquistam, é trezentos, quatrocentos indígenas que estão morrendo.”

Como os grandes empreendimentos impactam os territórios originários?

Na região Nordeste, bem como nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, a principal denúncia recai sobre a invasão de grandes obras de infraestrutura e exploração de recursos naturais. A representante da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste (Apoinme), Tayse Campos Potiguara, apresentou dados que evidenciam a magnitude do problema e a vulnerabilidade imposta às comunidades locais.

“Um dos principais problemas e ameaças que têm sido denunciados em toda a região Nordeste, Minas e Espírito Santo é justamente a invasão dos grandes empreendimentos nos territórios indígenas. Nós temos 177 terras indígenas no Nordeste impactadas com hidrelétricas. Nós temos 84 terras indígenas afetadas por petróleo e gás. Então, isso afeta diretamente o direito ao território, isso aumenta a violência dentro dos territórios, a vulnerabilidade dos nossos povos do Nordeste.”

Os números apresentados refletem o choque direto entre o desenvolvimento de infraestrutura energética e a preservação do modo de vida tradicional. A presença dessas instalações, segundo os relatos, eleva a violência e compromete a segurança física, territorial e cultural dos habitantes nativos dessas áreas.

Qual é a programação e o próximo passo da mobilização em Brasília?

A agenda de atividades do Acampamento Terra Livre está programada para se estender até a próxima sexta-feira, 10 de abril de 2026. Durante toda a semana, os participantes continuarão a promover debates, articulações políticas e atos públicos na capital federal para dar visibilidade às suas reivindicações históricas de proteção.

Para esta terça-feira, 7 de abril, os organizadores preparam uma das principais manifestações de rua do evento. As lideranças definiram uma série de pautas que guiarão os protestos, com foco principal na atuação do Poder Legislativo em relação aos direitos dos povos originários e à preservação de suas áreas.

A marcha mobilizada pelos povos contará com diretrizes claras e mensagens direcionadas aos parlamentares. Os principais focos e desafios apontados no encontro incluem:

  • A paralisação de projetos que autorizam a mineração em áreas de proteção e aldeias;
  • O destravamento imediato dos processos de demarcação de terras em todo o território nacional;
  • A denúncia contínua das violações causadas por hidrelétricas e pelas operações de extração de petróleo e gás;
  • A caminhada central com o tema oficial que questiona as posturas do Poder Legislativo frente às causas nativas.

O lema escolhido para a grande marcha reflete a insatisfação profunda com a condução das políticas legislativas e a ameaça aos territórios tradicionais. Sob a bandeira “Congresso inimigo dos povos: nosso futuro não está à venda”, os manifestantes buscam pressionar os parlamentares por medidas que garantam a proteção integral de suas terras.

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