Todo verão, a cidade belga de Chimay se torna o epicentro de um esforço de conservação único, atraindo apicultores da Holanda, França e Alemanha. O objetivo é preservar a abelha negra europeia, uma subespécie nativa ameaçada, e conter a disseminação da abelha híbrida. De acordo com informações do The Guardian, este evento anual, iniciado em 2000, visa espalhar os genes da abelha negra (Apis mellifera mellifera) através da coleta de rainhas fertilizadas.
Por que a abelha negra é importante?
As abelhas negras são adaptadas ao clima e à flora da Europa, mas sua população foi severamente afetada pela introdução de abelhas híbridas, que produzem mais mel. Hubert Guerriat, um apicultor belga e biólogo, destaca que “elas não são o mesmo animal”. Ele tem sido fundamental na recuperação da espécie, promovendo a criação de abelhas negras em uma área protegida que abrange 30 mil hectares em Chimay e Momignies.
Quais são os desafios enfrentados pelas abelhas negras?
Apesar de produzirem menos mel, as abelhas negras requerem menos alimentação artificial e são mais resistentes a condições climáticas adversas. Guerriat observa que “a abelha negra europeia tem necessidades muito menores, permitindo que resista mais facilmente a períodos de mau tempo”. Além disso, elas podem ser mais resistentes a predadores como os vespões asiáticos.
Como a conservação das abelhas negras afeta o ecossistema?
Conservacionistas estão restaurando populações selvagens de abelhas negras, o que ajuda a fortalecer o pool genético das abelhas criadas em cativeiro. Estelle Doumont, da Universidade de Liège, afirma que proteger a abelha negra “também é uma forma de contribuir para a resiliência do nosso ecossistema florestal”.
Qual é o futuro da apicultura sustentável?
Guerriat acredita que a apicultura sustentável passa pela adoção de subespécies nativas. “Todos os apicultores que usam abelhas estrangeiras contribuem para o desaparecimento da abelha nativa”, alerta. A resiliência das abelhas negras em face das mudanças climáticas e ameaças biológicas reforça a importância de manter a biodiversidade local.
Fonte original: The Guardian